<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713</id><updated>2012-02-16T12:14:10.484-08:00</updated><title type='text'>2008</title><subtitle type='html'>(BlogLivro)
Uma novela autobiográfica.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>70</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5415480966912922160</id><published>2009-07-29T11:40:00.000-07:00</published><updated>2011-02-08T07:00:11.212-08:00</updated><title type='text'>Posfácio do autor</title><content type='html'>A obra &lt;b&gt;2008 &lt;/b&gt;chegou ao fim de seu processo criativo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os capítulos todos concluídos estão elencados ao lado e acima: o último capítulo, com apenas cinco títulos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O autor espera ter agradado aos amantes da leitura com esta novela virtual de seus amores.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agradece também àqueles que postaram seus comentários, fazendo-se portanto parte da obra virtual, além de todos que carinhosamente enviou email ao autor e o estimulou nesse processo confessamente doloroso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agradece ao Waldo Motta e, por fim, aos que acompanham &lt;b&gt;2008&lt;/b&gt; ainda e por tempo inderteminado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A obra continuará na rede, portanto, o autor pede àqueles que gostaram da leitura que divulguem este &lt;b&gt;BlogLivro&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Termino, por fim, com uma frase do Álvares de Azevedo que diz: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;" A &lt;i&gt;vida&lt;/i&gt; é uma planta misteriosa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cheia d'espinhos, negra de amarguras,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Onde só abrem duas flores puras,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Poesia e amor..."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um carinhoso abraço,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Christiano Scheiner&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"2008: último romance" foi iniciado em 2009 e escrito semanalmente pelo autor e finalizado no mesmo ano. Os aspectos biográficos são confundidos por criações fictícias criando uma viagem não-identificável ou menos identificável daquilo que foi fato e daquilo que foi conto. O autor deu-se liberdade de gerar, a partir de seus casos de amor (muitas vezes não concluídos) um enredo sem nomes, por meio de apelidos, em que tendo-se como personagem principal se coloca como que empurrado por seus impulsos psicológicos conflitando com acontecimentos circunstanciais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"2008" foi composta originalmente para ser lido em Blog, portanto a sua denominação de BlogLivro. Os leitores, ao postarem seus comentários, acabam por participar diretamente da obra como um todo, seus comentários nunca, no tempo de vida deste Blog, serão apagados. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5415480966912922160?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5415480966912922160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/posfacio-do-autor.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5415480966912922160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5415480966912922160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/posfacio-do-autor.html' title='Posfácio do autor'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-863230218254550216</id><published>2009-07-18T07:09:00.000-07:00</published><updated>2009-07-19T10:28:16.083-07:00</updated><title type='text'>Póstumo</title><content type='html'>Não tinha palavras para projetar o futuro: estava ali à porta. Sairia com os amigos no último dia do ano de seus mistérios, e quem sabe, logo viria a se tornar um desses megalomaniacos existenciais. Viver como um velho ou como auto-artesão: novíssimo.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;À custa de doença cancerosa poder imacular-se novíssimo. Sem temor algum da morte ou pior da morte que é dos amores. De repente se encontrar como se nunca tivesse amado ninguém com o olhar sóbrio e doce que num só momento aliviasse certas angústias alheias, mas nunca as suas. Era o encanto que transmitia?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Seria bom se apenas pudesse ouvir as melhores músicas daquele ano e não se lembrar dos fatos que lhe regrediram. Sem amor poderia ainda reescrever seu último capítulo por muitos anos e muitas vezes diferentemente ao voltar naquele último dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por que sempre sobra um fantasma, em seu celular e nas suas moléculas também a mensagem do rico que lhe dizia que nunca iria descansar do pequeno. Naquele dia ainda pudera dizer, de passagem e por muito tempo, que conhecia o amor. Poder dizer que amara já não era fantástico? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele ouvia coisas da imaginação e sorria: o vento transbordava ainda algo de glória. Voltar a fingir seria um bom exercício pra se dar continuidade à vida. Se rezou foi por que deus criara o tempo e todas as coisas que irão morrer com o tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vez ou outra sairia ferido, e furaria novo piercing, até novos olhos furaria e se acometesse de ser mais um na vida ainda causaria perturbação em novas rotinas. Como acontece tranquilamente entre a gente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vez ou outra seria apenas minúsculo e cresceria como argila em mãos de quem o possuísse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era bom que dominasse o passado e sua prepotente força, a ilusão era mesmo mais fascinante. Não se deve confiar na memória, dizia. Era horrível de ver aquele riso de lado. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele abandonou a todos estando sempre ali. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era isso que escorria de sua echarpe ao vento, tentando ficar bonito com uma roupa de inverno. Tentando ficar bonito ao fazer novas amizades e até pretender nas antigas algum carinho cumplície.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ninguém era diferente que tu, pequeno, porque todos fingiram e todos viveram os seus destinos a sós, as suas dores de dentes a sós, a suas lacunas a sós e os bons devaneios. Se ressuscitasse alguma de suas vítimas, se ressuscitasse algum de seus amores em sua imaginação: brincaria, sorrira, porque podia de ingênua vida a frente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aprendera com seus gatos. Mas, se um dia tivesse que dobrar a espinha dorsal para alguém, era capaz de se decidir pelo não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A partir de 2008 tudo era possível. Pessoas que vivem em apartamentos nunca estão com os pés totalmente à terra, pensou levantado na sacada em que fumou um cigarro inteiro. Era moço, tinha a barba mal feita e um coração nobremente vazio: vencera o destino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas quem o visse assim tão gargalhante, pequeno, poderia mesmo imaginar que andara pensando em coisas de amor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Talvez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-863230218254550216?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/863230218254550216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-2008.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/863230218254550216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/863230218254550216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-2008.html' title='Póstumo'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5258137010013386656</id><published>2009-07-11T08:10:00.000-07:00</published><updated>2009-07-11T08:36:44.136-07:00</updated><title type='text'>Réquiem 1.997</title><content type='html'>Vinte anos depois de nascido. Se é que história se faz de ciclos, aí está. O pequeno desde então viveu um sonho bom, mas era a sua história, era sua história.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Muita coisa talvez tenha passado desapercebido pelo autor, e muita coisa subentendido pelo autor, muita coisa quem sabe metaforizada por conta dos mistérios próprios de uma história inteira. Mas quem dirá então que uma história também não é feita das subjetivas formas de ficção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao pequeno, pouco medo de se submeter ao universo íntimo em que vez ou outra emergia para dar provas de que sim, era existente, tinha matéria e um corpo orgânico que caminha por entre as ruas: chuvosas ou não.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por que Personne brincava naquela nova manhã com um palito de dentes é que ele resolvera se lembrar do rico. Resolvera, pensem, como ele resolve pensar se o pensamento já não era algo a ser? Era assim com o pequeno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tirou o brinquedo da gata e pensou em cutucar-se um pouco as palmãos da mão, tinha a pele tão fina naquela localidade cheia de linhas e avisos. tinha um inúmero de memórias. tinha um inúmero de desejos: ainda. Matar o rico era difícil com todas as boas lembranças, a materialidade de suas vidas, o segredo ao qual se encarnara por si próprio, como se fosse boa aventura, ou bem aventurança, ao estar na Ilha não tocar seu nome. Os nomes não falados não são existidos, e as histórias, estas que ninguém precisava ouvir. A não ser o ouvido do rico precisava ouvir. A não ser no seu ouvido precisava lembrar de coisas boas que ele lhe dissera dos tempos bons. E por aí ficou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a saudadinha, esta palavra mórbida, naquele instante sim! mórbida, lhe provocava a ânsia de ter se enganado. Na casinha do nordeste, evitou tanto pensar que lá entrou: bem do jeito como ele queria, parece até que o rico sabia de como o pequeno gostava de se colocar nos espaços. Todas as lembranças daquelas fotos todas. O nunca inverno de uma região longe do sul. O nunca inverno, até nisso o rico acertara! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem era mais monstro afinal pequeno? Quem? E se tu não tem coragens de matá-lo em 2008, o que seria da tua vida depois disso: uma grande batalha com os ventos desta região pra baixo. Há paraíso embaixo do Brasil, pensou. Pensou e pensou e burlava em pensar, talvez tentando encontrar versos só para não distrair toda aquela angústia que se apodera da encruzilhada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas o rico, o rico mesmo que desaparecia, por conta de uma briga, inofensiva, e que sempre fora assim, de lhe pegar quando bem quisesse, acaso na casinha vossa seria diferente? Tu ficarias lá, pequeno, menor ainda, e não verias outra solução a não ser esperar que o rico, por endereço certo e por ter tudo certo, bem do jeitinho que queria, lhe pudesse ter e se dispor do teu riso e até das suas lágrimas. Parecia mesmo que sabia quando chorava e que gostava de lhe ver sofrer. Mas essa não era a parte monstruosa, porque é natural que o ser humano vez ou outra goze da dor de quem ama.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E tivesse toda a inteligência para falar dos ódios e suicídios, e tivesse toda a inteligência para enredar nós, e concretizar até personagens bem gordos e feios. Tivesse, não naquela hora. O momento do palito de dentes que nem chegava a ferir as mãos, porque a pele, embora fina, era resistente à picada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Só faltam dois dias, este e mais um, para o final do ano, e para o final desta obra também. Sorria. A esperança que era inimiga, por que nunca passaram um final de anos juntos? Por que nunca nunca iriam passar. Porque era orgulho demais. Dois orgulhosos obesos de si. E um amor inacabado. Talvez ficasse deste jeito, parado no último instante em que se olharam pela última vez que tinha sido amarga não fosse o efeito do remédio rosa acalmando os nervos e os cuidados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era melhor ter-lhe feito um novo carinho, ter-lhe seduzido novamente, ter-lhe abraçado gentil e aceito a proposta, ainda que a protelasse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por que da alma vem certas éticas como vem de ódio também? Sim, porque está tão escondido quanto os sentimentos vis, essas coisas que a gente também tenta esconder para não parecer piegas diante de um mundo caótico e aparentemente contemporâneo, contemporâneo de erros, quem saberia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao rico pouco importava estas questões, posto ser questão de posse. E isso era tão medieval que chegava a deixar os olhos do pequeno bastante sinistros. Quais eram as coisas que o pequeno não queria ver do rico, que escondera naquele verão lindo, que fizera questão de arrumar sem notar as notas, os nomes, os relatórios e as fotografias?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eram metáforas, nada mais, coisas que o pequeno não precisava saber. Ele, elezinho tinha claro em si que não lhe interessava saber e que não precisava saber, e que se o seu homem lhe dizia: és meu segredo. Como segredo não deveria se comportar, se havia amor?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando começou a escrever o Perverso, a segunda obra gay, tinha tanto de si e dele, tinha tanto do que imaginou fosse bem para ambos. E desaparecer, mas não, tinha agora endereço fixo, e fixaria ali seus pés, suas letras, sua história novamente. Não viveria mais de lá pra cá em busca de não ter no que pensar ou a quem fugir. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fugira de saber quantas verdades? Porque ao se desligar a tv, é uma decisão muito importante não querer mais se informar e dormir em paz. Não é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Bom que o pequeno tinha seus videogames. Voltaria ao ano que se conheceram para aniquilar da memória tudo o que lhe acontecera então e bem definidamente traçar um novo ano, como fazem os mortais de coração. Posto o coração morrer por metáfora, ou morrem certos amores, por que não morrem então de velhice?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já caducou a espera e o encontro e os personagens caducaram em suas éticas e moralismos. O pequeno não era moralista, mas ao ver ou ouvir, ou não-saber do que era feita a riqueza do rico, tinha sim um certo pavor ou um ímpeto estranho de moralizar o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O telefone tocara várias vezes, no seu celular, e era ele. E enquanto tocava o pequeno pensava que venceria: não, não desceria as escadas da grande vila ao encontro do seu grande amor, porque não era grande um amor feito de covardias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deitou no chão bem rente e o telefone parou. E voltou a tocar. E parou. E voltou a tocar e parou. Foram cinco vezes que o pequeno matara o rico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lamentou sentir certo ódio e dormiu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5258137010013386656?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5258137010013386656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-1997.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5258137010013386656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5258137010013386656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-1997.html' title='Réquiem 1.997'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-973721852573423848</id><published>2009-07-05T13:09:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T13:43:34.293-07:00</updated><title type='text'>Réquiem 1.977</title><content type='html'>Acordara tão limpo e bem nutrido que parecia-lhe até que já era 2009, abriu um pouco só da janela e abafou os gatos com muito cuidado. Gostava de mexer em suas patas, brincar com elas e com as unhas e o pêlo de cima, macio e confortável, e deixar que eles fincassem um pouquinho na sua pele fina também. Os gatos ronronavam e pediam mais um pouco.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O ditoCujo a essas alturas já existia, é verdade, e a Personne era uma personagensíssima dentro do univero que o pequeno criara. O apartamento estava mudo. E ao redor de todo o silêncio não sobrava assassinatos dos dias anteriores ou despedidas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que estava morto, morrera enfim, e o dia recomeçado era por um tempo só: um dia inteiro de vida ainda. Claro que lhe faltaria pensar no rico até o final do ano, mas não quis. Por uma decisão sóbria, apenas terminou de abafar os gatos e brincar com eles, arrumar a casa e deixar que eles bagunçassem um pouquinho. Mais tarde eles bagunçariam ainda mais!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Recebera a visita de um amigo e daí sim fora pego de surpresa, por que afinal os amigos fazem perguntas que cabem tão dentro das cabeças certas e dali resolvem implicar um pouquinho. É a pergunta e não os amigos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi um pouco triste reconsdirar aquela tarde em que não pensava em morte alguma, pensava sim, nos gatos e só neles. O amigo era tão inocente e queria tanto participar mais daquele mundo: por que um dia tu não pensas em voltar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Voltar pra onde?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não sei, são tantas viagens. Você nem fala mais em Brasília, aliás, você nem fala.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era até bonito de ver o queixo do pequeno tremer assim desprevenido e correr os olhos em busca de algo fixo, uma triangulação que não soube ou não aprendeu no seu teatrinho. Era mesmo bonito de ver como ele pensara ou calculara não chorar na frente do amigo e tentar disfarçar que estava mesmo ficando frio em alto verão! E que se o café acabasse faria outro, não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pôs a mão na sacada. Não se poderia acabar com a alegria tão jovial e a curiosidade tão simples daquele amigo seu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Talvez eu faça uma festa pra Personne, em janeiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a mudança de rumos foi exageradamente perfeita. Falaram dos balões e da maneira como cantariam parabéns. Dos convidados e das surpresas e de que seria um dia de sol como aquele. A visita saiu e deixou o pequeno por conta de si e da sua pergunta sem resposta ainda. Na qual nem pensaria em responder posto que não a formulara e nem a formularia talvez nunca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque se lhe perguntassem ele teria respondido que a cidade em que fora mais feliz fora a cidade natal e teria respondido também, que embora não fosse um artista brasiliense e que nos pés da tal catarina depositara votos da sua demência, talvez nem ousasse sonhar novamente em habitar por aqueles céus. Sabe-se lá que tipo de afeição o exilado toma pelo exílio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Matar uma cidade inteira de si seria muito difícil, pequeno, não ouse brilhar os olhos assim, é disso que os gatos tem medo quando correm de ti e saltam e pululam quando tu emerge teus braços pequenos sobre o ar e diz: está feito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, o pequeno não dizia coisas sozinho: porque era feio. Melhor era escrever. Melhor era tentar verificar no céu daquela ilha ou na temperatura mesma alguma similaridade. Não tentar buscar passado algum, criança alguma que tenha nascido naqueles céus. De fato, se nascera por corpo na cidade predileta, fora por coração criado naquela ilha que não lhe era hostil, não mais. Aprendera ali, afinal, a tantas artimanhas, e havia tantas outras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Daí que se viu chorando de insônia aos sete anos de idade, era uma insônia bem ruim e triste, porque não podia acordar os pais com probleminhas desses. Assim pensara durante longo tempo e não podia dizer às outras crianças que não tinha medo do escuro, porque certamente elas não iriam acreditar. Daí se lembrou de brincar. E não tinha brincado boa parte da manha com seus gatos? Tinha, isso não se acaba nunca por ser adulto ou por continuar pequeno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se morresse em 1.977 poderia ser que sobrevivesse um pouco mais no ano que vem, com mais frieza olharia para os novos casos de amor e diria muito claro: eu nunca amei e estou feliz de sentir isso. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Olhou para os inúmeros remédios. A noite estava muito bonita e ainda não tinha chorado nada. Era frio o coração sensato. Sentou-se com inúmeras esperanças e em nem uma delas havia Brasília. A cidade que lhe valera mais felicidade era coisa de outra encarnação, a cidade de nascer era uma cidade bonita e construída com olhos viris e erguida para não ser de seu destino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em todo caso, Floriano, que nem de perto chegou a conhecer a história, deixara seu nome bizarro bem tatuado nas revistas de turismo. Gargalhou um pouco. Sim, iria aniquilar seus tantos anos de vida.  E decidiu fundar seu império de novos amores, caso acontecesse, riu de novo, ali: Brasília, afinal, era ainda muito quadrada e geometricamente perfeita para o seu corpo ossudo e canhoto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não é preciso chorar, meus gatos, eu ficarei aqui e vocês nunca passarão pelo estresse que é de sair do lugar que lhes é de direito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E ficou feliz de segurar os bichos novamente e abafá-los novamente de mil denguices e depois limpar suas areias, como se fora mais um dia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-973721852573423848?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/973721852573423848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-1977.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/973721852573423848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/973721852573423848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-1977.html' title='Réquiem 1.977'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-8595752423618029551</id><published>2009-07-02T10:42:00.000-07:00</published><updated>2009-07-02T10:56:46.519-07:00</updated><title type='text'>Réquiem X.XXX</title><content type='html'>Se nós o vimos um dia aniquilando o diabo e outras imagens. Se o víssemos um dia sob sangue de ter amado a cristo, era criança o pequeno quando o idolatrou carnal.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se tudo isso o vimos fazer e o lemos desde já como um monstrinho andante por aí, não era de se esperar um bom final para o nosso pequeno. Naquele quarto dia anterior ao final do ano, ele se acometera de mais alguns crimes surdos: fez uma lista de todos os infelizes, tantos quanto possíveis, e por um carinho apenas deslizou os olhos a medida que contemplava sua próxima ação.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em seu quarto, foi e veio, várias vezes, e por cada um, masturbou um pouco, alguns gozara alguns não. Por cada um ejaculou um pouco de si. Num ritual que durou e lhe durou um custo de suores também. Não chorava, porque sabia se despedir assim e daquele jeito todo seu se despir de idéias insonsas e insones e pequenos detalhes que lhe foram vagos durante a vida amorosa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os retratos de memória, e os relances de olhares promíscuos embora todos disfarçados de carinho. Ah, o nosso pequeno sabia assassinar pensamentos e criaturas que lhe custaram tempo. Não que fosse por crueldade, mas o tempo mental de suas idéias insanas: a elas preferia doar o tempo. O tempo é algo que se compra com uma batalha íntima, pensava enquanto ejaculava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro que pela própria organicidade do corpo ele juntou em um ou outra punheta uns dois ou três infelizes e, como toda boa prática de fantasia sexual: estava em braços da luxúria. Luxúria esta que só se acometia a pensamentos. Fantasias foram feitas para se fantasiar, tinha claro o pequeno. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha claro esse domínio de não precisar ir até lá, a matéria era algo muito distante de si. Ou assim se achava, ou assim, várias vezes se encontrara mais feliz. Ria, e gargalhou algumas vezes: fora um dia intenso. Naqueles últimos dias de 2008 fazia sol ou chuva? Não, naquele dia, tinha um lençol todo encharcado de porra: era o sangue desses tristes passantes que um dia ou mais que um, alguns meses até, lhe dedicaram profunda consideração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Logo perceberemos que esses andantes, feitos de testes e coitos e diabruras da vida, nada tinha a ver com nosso personagem. Resumia-se ao rol dos infelizes: os pecadores de si.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Com que me ousas te trair?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era algo heróico que o pequeno tentava lhes dizer: não vês que a ilusão está posta! E por todos os lados. De onde vens esses fantasmas todos de memória, algumas embaçadas ou tresloucadas demais. Muitas vezes, na fantasia se faz uma espécie de rito: um que lhe agradava mais logo, feito holograma, se transformara em outro. E o dia inteiro foi assim, sem nenhuma baga relaxante. O pequeno tinha coragem o pequeno. Tinha até o pinto duro e as mãos moles, porque era fragilzinho de seu fôlego fumante.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas era o dia de matar de uma vez os resquícios sem validade do acúmulo, do que se poderia dizer, burocrático de seu coração.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Réquiem ao ex. Ao quase ex. Ao ex-amor. Às ex-possibilidades. Aos possíveis que não lhe tocaram. Aos passivos que lhe dispensaram tempo. Aos pacientes que trocaram seus olhos com o pequeno e até tentaram, em vão, lhe tocar um pouco a pele. Que pele distante é essa, pequeno, que se conforma em si e luta consigo mesmo para ter-se a si mesmo: potestade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deus está em mim, e eu estou em deus. E deus eu matei para ser pequeno.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dormiu às 24horas: 00:00. Exatamente: e felizmente não se lembrara mais do dia tão exausto de assassinar lembranças desnecessárias. Afinal, em uma hora o lençol estaria seco e ele dormiria ainda com cheiro que vinha de si.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-8595752423618029551?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/8595752423618029551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-xxxx.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8595752423618029551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8595752423618029551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-xxxx.html' title='Réquiem X.XXX'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-1592338862569169469</id><published>2009-07-01T14:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-02T11:11:45.950-07:00</updated><title type='text'>Réquiem 1.994</title><content type='html'>Havia uma parte que eu não sabia do pequeno. Uma parte do qual ele se fazia para si mesmo e para mim, intocável: distante: embora não fosse discreto: já que de demência corre a neblina.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Naqueles cinco últimos dias de 2008 voltara à quadra de tênis, onde levara as crianças de um tal projeto esperança várias vezes. A quadra de tênis era maior que um templo sagrado pra si. Naqueles dias com as crianças semestrais brindava e orava, se podia dizer isso desta criatura opróbio de amores: um sorriso bobo. Ainda tinha risos, esse pequeno?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda tinha controle sobre o mundo lá de fora que o dominava mais que a tudo: encontrara amor de certo entre todas as crituras selvagens dessa mata atlântica imensa que se desdobrava de um centro oeste ao sul. Nada para cima, não, não sabia deste verbo. Tinha medo do mar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Obstruído de futuros, com lástima e perdão de si mesmo. Talvez fosse esse o caminho de coração letal. O perdão. Não se comete enganos por acaso, pensou cientificamente. E as coincidências estavam todas postas ao chão de tênis: bolas que as crianças jogam mais como ping-pongs, educar é um verbo indecente e incoerente nesses dias de hoje. É um verbo ainda?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele perdera as forças gramaticais e literalmente sucumbiu a uma doença distante. Era uma doença de joelhos: sim, fora até lá, era mais perto que Brasília afinal.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os dias de chuva tinham passado pela ilha, cemitérios de algumas trajédias que ele evitou olhar. Embora não abstraísse, pois o mundo é maior. Na floresta ainda que se fuja ouve o ronco do urso e a pantera aconchegada sob seus próprios olhos: admirando sua próxima caça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A quadra estava ainda molhada. Talvez dos soluços que tentara dar em suas idas à quadra e que as crianças inadivertidamente o distraía de si. Era bom, que houvesse humanidade menor que a sua e mais suave também, mais espontânea: ficariam um dia tristes numa quadra em dias de sol ou cinza? Importava que não chovesse isso sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Naqueles últimos dias não havia nem criança dentro de si. Matara com a orquídea, flor cruel, embora linda, belíssima de pétalas encantadoras parecendo insetos mortuários: insetos que quando vivos servia a morder e beliscar e encher os olhos de esquisitices. Agora flor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E materializada ainda, flor, em que tipo de estrutura coloca tuas raízes? Raízes em chão de cimento valem o chão de cinzas. Talvez, pensasse assim, e por isso dobrasse os joelhos sem vergonha dos carros que passassem e ali fazia sua última oração: seja feliz meu feio, meu pobre feio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era uma maneira de se libertar de seu primeiro amor. Também.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se libertara de todos os outros e viveria mais quatro dias, até o final de 2008.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Réquiem, réquiem ao coração tardio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-1592338862569169469?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/1592338862569169469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-1994.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1592338862569169469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1592338862569169469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/07/requiem-1994.html' title='Réquiem 1.994'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6601371619211427326</id><published>2009-06-28T06:46:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T07:15:35.508-07:00</updated><title type='text'>Orquídea15</title><content type='html'>Quais são as coisas que o pequeno não queria ver? Quais são as coisas que o pequeno viria a ver? Nem tudo o pequeno sabia de si. Nem tudo ele dominara de si: as memórias sobretudo são terríveis.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por um lado há saudade, por outro deletar nervuras traumáticas, não, o pequeno não acreditava em traumas irrecuperáveis. Não, ele acreditava em outros poderes, mais humanos e menos floriculturais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em que biologia se instaurava? Certamente não enlouqueceria, ou, se enlouquecesse melhor seria dormir, assim tinha tempo de pensar menos em si e mais nos seus arquétipos, mais os seus arquétipos lhe diziam, mais e menos sobreagiam também. O pequeno não estava a salvo das torturas carnais nem de dores físicas: talvez ousasse cortar a pele, mas tinha um piercing que lhe transmitia ferro tátil, já nem sentido, às vezes o beliscava para saber que estava ali.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha consciência das unhas crescidas e de quando as cortava como aumentavam como cresciam ou das cáries surgidas do nada. Vazio em que as bactérias entram, por conta de não se preveni-las. Talvez escovasse pouco os dentes, já que poucos beijos dava. Talvez não tomasse banho nos julhos e agostos, mas eram meses de se desesperar em frio. Ninguém o tocara.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Neste final de ser flor, o pequeno ainda curtiu um certo segredo. Segredo só seu. Iria fazer um passeio e tornar o mundo um pouco melhor. Pra si, claro, sempre pra si mesmo. Foi quando deu notícias de que voltaria à Zimba para os amigos da ilha. Para a Zimba disse que ficaria ali, ilhado naquele feriado mágico de ser... qual estação? Qual estação depois do inverno?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Calculou muitos horários até encontrar a fórmula certa. Estaria em Brasília, estaria no lugar onde tudo começara, ficaria por algumas horas e voltaria, como se nada tivesse sido feito. O tempo de viagem era o mesmo que passaria angustiado por um pouco de seu rico. Um pote de ouro às vezes está muito longe do início do arco-íris. Por que não ir até lá era covardia? E foi.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Saiu de casa como se fosse a passeio. Vestiu sua melhor roupa e saiu. Colocou um perfume para passar vez ou outra. O ônibus, lento e rápido, lento e rápido, mas, como o óbvio, passageiro. Mais passageiro do que a noite em claro ou na insônia ou sob efeito de psicotrópicos floridos: porque era primavera e não inverno é que os remédios psiquiátricos ficavam mais azuis.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De fato, o cor-de-rosa tinha efeito mais sincero. Não precisou muito esforço para colocar o corpo num banco nem tão confortável. Apenas precisou partir. Tinha que voltar garantidamente. Tinha que viajar e encontrar seu rico, dizer pra ele tudo, tudo o que lhe acontecera. Dizer que estava tão louco a ponto de parecer humilde ou humilhação: estou aqui, e tu não estavas lá.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enfrentou muitas coisas? Não, a paisagem era noturna, por certo, e o que via ou sentia, estava certo de estar cada cem metros mais próximo e cada cem metros adiante tinha um sentido único. Tinha sentido na própria pele que esquentava a poltrona e a poltrona, estando quente, resquentava por sua vez a pele, então, não tinha frio. Embora o ar condicionado tenha falhado quando o calor chegara. Que coisa estranha essa vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parava e fumava. E continuava como deve continuar quem viaja em companhia de estranhos. Mas coletivamente. Era bom de se pensar no coletivo. Se fosse um crisântemo, pensava, quais seriam essas flores tagarelas e aquelas dorminhocas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas há as cadeiras vazias e o corredor, mesmo um corredor de cadeiras dá calafrios em certas manhãs nubladas: chegara ao meio dia. Por aí, quando foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembrou-se de onde e de como chegar lá. Como não tinha o endereço do rico, apenas chegou naquele instante no lugar do início de tudo. Como acreditava ser vigiado pelo rico, acreditou que ele saberia, como soubera sempre quando esteve no Rio de Janeiro, que ele estaria lá, que ele teria feito tudo aquilo. Creditou-se também como uma flor andante e confiou no universo das coisas bonitas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se o rico não aparecesse, o pequeno voltaria e decidiria por si só o resto do seu destino. Que o ano já acabava por ali. Talvez, ironicamente, naquele instante, o rico estivesse sim, em Florianópolis, esperando que o pequeno atendesse o celular e descesse correndo das escadas de sua grande vila e viesse como sempre veio sorrindo e saltitantes lhe dar um abraço, para depois apertar bem sua mão, como se um aperto de mãos fosse um beijo enorme.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas nenhum nem o outro estiveram certos. Os cálculos, imprevistos da falta de comunicação. Era isso. O rico não aparecera e sol se punha. O pequeno não podia descer de um lugar tão alto. Não. A grande vila estava sem flores naquele dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ambos retornaram com suas próprias decisões. Ambos acreditaram que o destino era feito apenas de um erro e que este erro acometia-se de outros tantos que por aí a gente ia. Mas nenhum deles deixou o orgulho de lado nem a lástima. O futuro estava distante. O futuro estava longe de acontecer. Enquanto a casinha no nordeste ficava sem murada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem parecia, na próxima segunda-feira, que estava exausto. Não estava, é verdade que não, pois esteve onde quis estar e fizera o que fizera estar, voltara como voltava de um lugar ao lado. Teria sofrido mais se não fosse corpo tão leve de ser carregado tão facilmente por uma estação boa para passeios. Agora, ao menos, tinha claro, que o universo não existia assim a favor. Que estava louco e que sua loucura tinha finalizado ali, no céu de Brasília.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Viajar não era algo para tirar fotos. Mas para marcar-lhe o espírito de fundamentos ou fundações, instituições de fumaça em territórios diferentes. O seu lucky strike ficava diferente em determinadas região. Observou com a língua própria e o pulmão, sempre tão amontoado de sentimentos que vez ou outra espirrava: são pigarros, dizia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mesmo no Natal teve esperança. Preparou tudo tudo direitinho. Iria revelar ao seu melhor amigo a sua coragem corajosa de espera: mas não contou nada. Tinha vergonha, no íntimo, de ser tão pequeno. O Natal de 2008 era um natal bondoso, porque ao menos tivera tempo de limpar tudo e organizar uma mesa bonita. Tivera tempo de criar sonhos com seu amigo que, então, passara o natal com ele. Ao menos na amizade o pequeno se divertia. Tiraram fotos. Mas nunca de si mesmos naquele natal. Que coisa estranha, não é, não conseguir olhar para uma foto sua.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha essa coisa da foto: passada a limpo, com as palmas das duas mãos, elas não diziam absolutamente nada. Ou apenas papel fotográfico: mas daí é querer pedir demais da imaginação. Papéis fotográficos são melhores quando não estão preenchidos, isto significa que ainda estão por vir? As imagens, e as pessoas e as coisas, ou umas ou outras, e as paisagens? Estão por vir?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, disse o amigo, é melhor a gente dormir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E dormiram, e os gatos fizeram uma bagunça incrível. Ao acordarem estava tudo quebrado. Tudo quebrado, no que o pequeno passou pé a pé para não atrapalhar o incômodo. Mimou seus gatos até o final do dia e só no dia seguinte é que limpara a bagunça, que por aquele tempo, era até boa de ser ver. Havia vida naquele verão tardio.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O último capítulo, esperem, por favor, se passa na última semana daquele ano. O ano do nosso romance, quando o pequeno solitário, sem voltar à casa da mãe, ainda tinha um resto de si para narrar. E haviam fatos. É verdade, alguns fatos acontecem num único instante: como a morte, como a queda de um avião, como um desmoronamento imediato, como uma tempestade imprevista. Acreditem nisso, e tenham forças para concluir a história que é, afinal, apenas mais uma dentre tantas outras indignas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6601371619211427326?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6601371619211427326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea15.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6601371619211427326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6601371619211427326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea15.html' title='Orquídea15'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-2400429947968089379</id><published>2009-06-21T13:52:00.001-07:00</published><updated>2009-06-28T06:46:17.435-07:00</updated><title type='text'>Orquídea14</title><content type='html'>O rico se prevenira tão bem que se desfizera no ar como fumaça? Não, como ar que é invisível, que fumaça ainda se via pelas narinas do pequeno.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o rico era a única prova de que a orquideazinha tivera existido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Irônico, não? Sim, muita ironia. É pra pensar que uma história dessas só podia ser obra de ficção. Nenhum espírito de porco quereria reencarnar em tal destino.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pequeno procurou pelo rico como nunca havia feito: estávamos em novembro de 2008. Tudo já havia sido dito. Tudo havia acontecido. Tudo: e o pequeno, derrotado, bem derrotado, no seu íntimo ainda queria falar. Queria decidir em conjunto. Finalmente em conjunto, pequeno. À dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Há. E há muita ferida também. Muita coisa. Muito erro. Muito. E o rico não era encontrado em lugar algum. O rico como ele mesmo propusera, ele, o pequeno propusera, que o rico desaparecesse, que o rico esperasse, que o rico adormecesse e só depois, depois que o pequeno tivesse concluído a sua vida no sul, então, sim, poderiam até ficar juntos! Não foi mais ou menos assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sem celular, sem endereço, sem nada. Desespero. Agora era só fantasma. Meu pequeno, esquece a obsessão dos atos, vive como havia vivido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas é que eu ainda não tentei correr atrás, agora que sou humilde eu corro. Corro de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E não encontrava nada. Esperou que o seu amor ligasse, esperou por conta de lembranças de atitudes que seriam óbvias vinda de seu amor, e nada. Fotos nos jornais, nas revistas? Nada? Não, porque o pequeno não lia nem via noticiários. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não. Jogava vídeogame.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pela primeira vez em sua vida ridícula de classe média baixa, o pequeno considerara se aliar, ou seja, decidir juntos, com alguém, algo de sua vida. E dessa vez ele não cometera nenhum suicidio ou tentara. Desta vez ele não enfrentara nenhuma ideologia patológica da história humana e cultural. Desta vez ele não ficara nu num inverno pra ver no que dava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele também tinha segredos pra contar. Nada que se comparasse as coisas feias deste mundo. Mas eram segredos também. Iria segredar sonhos e gentilezas que só havia guardado até então ao seu rico, ao seu amor único, ao seu. Eterno. Quantos sonhos começara a ter? Todos úmidos de uma umidade capaz de florir de verdade e até pensava em flores, rosas, muitas cores, e quem sabe reverter tudo e começar de novo em outro lugar não seria tão ruim assim. Seria?! Se para deixar de ser fantasma, no fundo, no fim, por última instância: era o rico quem lhe faltava à fórmula mágica.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem email. Nem orkut. Nem nada. E às vezes acreditou mesmo que ele daria conta de dar algum recado. Em doze anos e nada? Em doze anos e nada mais? Só por que o pequeno não quis do jeito dele no dia certo que ele queria que fosse do jeito que ele queria?! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Respira. Ainda nos faltará um capítulo. Inteiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Coçou a cabeça e se dedicou a esperar e, na espera, a pensar. Na vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-2400429947968089379?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/2400429947968089379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea14-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2400429947968089379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2400429947968089379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea14-incompleto.html' title='Orquídea14'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6070430426935107341</id><published>2009-06-21T13:32:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T13:49:20.309-07:00</updated><title type='text'>Orquídea13</title><content type='html'>Foi o pequeno que se aproximou e jogou tudo pro lado. Até ali, foram alguns anos, metade da história. Depois dali o pequeno podia se dar conta de que não tinha feito nada errado em ter quisto só a sua vida. E foi o que seguiu até os seus julhos e invernos.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fazer tudo certo era ter o rico mais próximo. Pelo menos. E isso singificava mesmo não estar com o rico. Ele abraçou o rico. Ele beijou as mãos do rico. Ele tremia, mas mesmo assim disse com todas as palavras que era importante que o rico soubesse o quanto ele o amava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu sei dissimular o que existe e se eu não sei eu vou aprender. Eu aprender a me prender. E eu vou esquecer tudo. Escuta... tudo pode ser ficção se eu realmente tiver amado outro, não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não. Porque você não amará mais ninguém. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E quando a gente vai poder ficar juntos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O rico não respondera. Aquilo era entre 2003 e 2004... Aquilo era uma etapa inevitável. E uma decisão cruel. Enquanto o rico não lhe respondia, o pequeno foi lá e guardou todas as coisas sem prestar atenção em nada. Arrumou tudo e disse que tudo estava bagunçado e que não podia deixar o rico naquele situação desconfortável. Acendeu um cigarro, que o rico odiava, ainda, e disse que todo mundo tinha seus mistérios. E o rico nunca mais pôde ser sincero.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O traço superficial de qualquer relação. O traço característico do nosso herói era: não vamos pensar nisso, estamos juntos, e o verão é nosso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pequeno levava à sério não precisar falar nada de sua vida ao rico também. Eram só eles. E por aí é que iam e se estendiam e se fizeram até o final do nosso enredo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porque foi dito no início de tudo, depois de julho de 2008, eles nunca mais se viram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A última coisa que ouvira do rico: você está louco. O pequeno sabia que todos estavam e que mesmo assim muita gente naquele mundo ainda vivia como pessoas simples viviam: trabalhavam e viviam. Por que diabos ele tinha que ser autor de certas histórias ou por que diabos o rico tinha que ser esse personagem? Por que diabos um dia por conta de um engano tivera amado um feio? Por que diabo deveria ter assassinado o próprio diabo da sua cabecinha doente? Por que diabos? Por que pessoas existem. E umas e outras vão se enredando e vão tornando as notícias verídicas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por que diabos ele que só fora louco não fazia como os pastores de igreja, nem enganava as multidões, nem comprava voto, nem traficava órgãos, nem nada disso?! E existiam pessoas assim neste mundo? Ah, poliana, poliana, por que diabos o diabo não existia de verdade? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era melhor não pensar nisso tudo. Era melhor pensar apenas em si e não no que as pessoas fizeram do mundo, porque as pessoas que fizeram do mundo, o mundo em que estamos, já morreram. E não é de bem falar mal dos mortos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Doente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que você sabe?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu não sei de nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Quem você ama?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nunca amei ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- E o que você é?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu sou orquídea.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6070430426935107341?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6070430426935107341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6070430426935107341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6070430426935107341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea13.html' title='Orquídea13'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6137042265965900965</id><published>2009-06-21T13:11:00.001-07:00</published><updated>2009-06-21T13:31:47.950-07:00</updated><title type='text'>Orquídea12</title><content type='html'>Não importava o nome ou os adjetivos de sua biologia recorrente. O pequeno, pelas palavras de um amante, percebeu finalmente que todos fazem parte da vida. Agora era que tudo se materializava. Que nada tinha a ver com seu amor próprio ou amor por alguém, ou as fantasias que se criavam em torno do amor.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nada tinha a ver com a alegria juvenil de noites ou dias entre os braços de um rico que lhe prometia uma vida futura e estável. Que não havia final. Não havia. Ele se colocou dentro dos olhos daquele cara com o café na mão, viu finalmente o lugar em que estava inserido, viu o pequeno na janela fumando seu cigarro, viu que havia vida nas veias do coadjuvante, por que sempre tem um coadjuvante que não tinha nada a ver com a história e dá a resposta de tudo?! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí retornou pro seu corpo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Olha, eu não sei o que te responder então. Mas eu quero ajudar você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Durante aquele dia, eles conversaram e o amante deixou de ser amante e se tornou amigo. E ficou feliz que por fim, o pequeno, não lhe revelando nada, tudo ouvira, tudo discernira e dissera mesmo que não era por mal, mas era por que gostava daquela companhia sincera e tão caprichosa que estiver ali e ficara feliz que durante algum tempo tinha sido o único que não o tivesse atormentado muito pra ter sexo com ele. O amante não precisou de muito tempo pra se convencer de que o pequeno era mesmo um amigo muito bom, aliás, porque o próprio pequeno não se importunava em ouvir dos três casos que lhe oprimiam o peito. Com qual deles ficaria? Parece que no final do romance este coadjuvante resolveu gastar seu dinheiro em uma viagem sozinho, pra curtir o verão em outro país. Estava feliz da última vez que se falaram, e foi bom que o pequeno tenha sido muito sincero e que o pequeno tenha percebido isso: os humanos se falam de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem dera pudesse ousar sonhar com algo parecido. O pequeno, em suas misérias astronáuticas de suas crises lunares, só então entendera, não muito tardiamente, mas entendera que em 2008 o mundo era cheio de seres humanos e viventes e não plantas de se encarnar o espírito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando sentia carência, em algumas noites, se permtiu senti-la.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando acontecia de sentir falta de alguém, se lembrava gentilmente era do rico. Pela primeira vez ao longo daqueles anos inteiros ele tomou a iniciativa de ir atrás do grande homem de sua vida. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não se preocupou com as verdades todas que enfrentaria. Não se preocupou com nada. Não queria mais saber das outras coisas, aquelas que o rico já nem fazia questão de esconder do pequeno. Aquelas que o pequeno fingiu não saber durante muito muito muito tempo. O pequeno, para não ser cúmplice de nada, fingiu nunca ver, nunca olhar o que a realidade lhe colocava de fatos. provas. comprovações. atos. É claro, que muitas de suas decisões, vinham deste suspiro humano: o pequeno não queria fazer parte de uma parte do rico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O seu destino era ter amado um homem que tinha sido um monstro, mas nunca para ele. E as suas monstruosidades nunca explicitadas, sempre lhe seriam um remorso. Por que não acabar com aquilo? Ter o pequeno em sua casa bendita talvez fosse a garantia de parar com tudo o que fazia na sua vida. A vida do rico, é claro que não era feita só do pequeno. Nem havia sido construída apenas ao pequeno, para o pequeno. Mas o pequeno era sim uma orquídea dentre todas as indelicadezas e friezas de seu espírito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lembrou-se do dia em que chegara no hotel, já com a mochila nas mãos, cheio de alegria por ver o rico, dizendo que ninguém sabia, que estava ali, que era verão e odiava suar. O rico tinha deixado muitas coisas sobre a cama e sobre o sofá. O rico não pediu que não olhasse: o rico saiu de seu banho sorrindo. Como sempre, tão belo, tão sorriso, tão verdadeiro e carnal. Tão logo o pequeno tinha sua independência verdadeira, não? E o pequeno não olhou pra nada do que estava jogado a nãos ser pro sorriso do rico. E o pequeno embora soubesse de canto dos olhos que havia ali um monte de coisas que não eram pra ser vistas olhou foi nos olhos do rico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E por quê o rico deixava cair uma lágrima? E por quê o rico chorava com o sorriso estampado chorava? O pequeno não olhava pra nada, obrigatoriamente olhava rente ao rico, obrigatoriamente não olhava, não queria saber de nada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É por isso que não estamos juntos, porque eu... tenho a minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O rico ficou chorando. E o pequeno parado. Como no início da história dos dois.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6137042265965900965?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6137042265965900965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea12.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6137042265965900965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6137042265965900965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea12.html' title='Orquídea12'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-3640007355065977027</id><published>2009-06-21T12:35:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T13:10:59.906-07:00</updated><title type='text'>Orquídea11</title><content type='html'>O que o deixaria feliz era se, passado julho, tivesse continuado feliz.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os dias que carregam novos dias. O novo sempre a espreita. O novo de novo num século tão cansativo de ser retransfigurado. Quando acabaria? Quando acabaria com o pequeno? Quando retornaria a ser uma tradição única e possante? Todos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao menos, vez ou outra, o pequeno se atinha à essas coisas do espírito ideológico. Até ficava feliz por ser um tempo não pensar em si mesmo. É bom não ser egoísta todos os dias, pensava alto. Muda o mundo se pouco conseguia mudar do seu destino. Seria de fato algo glorioso, como a própria palavra que a gente esquece o teor de tanto usar: glorioso. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E já que agora havia concluído o Orquídea Fantasma, estava mais puro? Não. Nunca estivera puro. Entre os meses de criação ele criara o Almas Gêmeas, esta obra que se tornou um pedaço do seu espírito poliana e também, mais real nas suas estruturas, lhe dera um certo apoio e uma dica: ao final, alguém será capaz de compreender o final da história. Certamente, o Almas Gêmeas não tinha nada de gêmeo, tinha era perversidade subentendida na plataforma das culturas humanas: as culturas humanas predestinavam os destinos individuais. Quantas droguinhas foram capazes de aplaudir contigo esses enredos, meu pequeno? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ousou pensar em 2028, quando, aquele justo ano de 2008 estivesse vinte anos para trás. Passado assim, é tão passado que da gosto de vê-lo entreburlado pela memória. Ninguém precisa de provas de nada se a memória falhará! A, por certo e que delícia, se deliciava o pequeno. A sua memória falharia até mais vinte anos e ele ia até lá pra não provocar tumores em seu ombro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É que ao escrever, imediatamente, lembrava-se do rico. Vocês se lembram do rico no início de Julho deste romance? Vocês não se lembram do segredo do rico que não fora revelado. Certamente o segredo do rico não era apenas disfarçar-se de hetero. Este é o normal de todo o iniciante. À carreira do amor é necessário preparo: para tudo abrir. Senão, é como a história se tornar um jogo de diálogos mentirosos. Uma mentira levando à outra. Quem é que acaba com isso? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ser amado ou amar. Nenhuma das duas orações é posta em cheque, quando se de fato sente. Sentir. Verbo existente de que se existe pele. Pra isso foi criado o verbo. Não é nada dramático, quando se pensa assim. E pode ser até pueril: mas assim é e graças ao homem foi pensado e expressado por humanidade. E o medo? E as aflições? E as perturbações paranóicas da perda?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu te perder não é pior do que este tempo inteiro, disse o pequeno um dia, com os olhos pregados nos cílios de si mesmo, falava ao rico, num verão em Florianópolis. Sabe-se lá qual deles agora. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eram tão belos os seus encontros que a última vez que se viram. O tapa na cara e o copo quebrado. Aquela violência física pouco era pertubadora da felicidade das lembranças boas. A maldade então estava no pequeno o tempo inteiro? Só por conta de querer sua vida própria. Não era pra ser assim? Casa própria, independência própria, próprio riso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que o rico lhe fez em seguida, quando chegarmos ao próximo capítulo, foi menos doloroso que as decisões íntimas do nossozinho. E em todo caso, considerava, muita coisa já havia sido escrita. Estar louco ou ser são não era algo a se pensar. A se definir. A se clarear. Amar era tão bonito sozinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Flor. Curtiu. Desgoutou-se cada pétala - ou página. Esperou o outono, como vimos. Esperou que o inverno chegasse pra ter coragem. Mas o inverno já havia passado em 2008. Ele enfrentara o inverno. Julho alto. Julho tão cheio de intrigas que à ele nem fora mês. Era muita coisa pra se pensar num cérebro que cabia na palma da mão, por exemplo, de um grande homem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A casa esperando no nordeste. Um ódio crescente pelo rico, um ódio nunca existido pelo feio, já que o feio mesmo nunca fora amado. Certezas que tínhamos ao início do livro: todas já quase todas desvendadas ou comprovadas ou reprovadas. Retratadas algumas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Buscou consolo no colo de um de seus amantes. Mas consolo flor era dar ao amante algo que não seria por muito tempo. Ele chegou na casa dele e disse que não duraria muito ser gentil. O amante, feliz, feliz de ser tão simples, um humano simples. Era confortável ao pequeno os olhos do humano simples. Os olhos de quem lhe curtia sem precisar detalhar nada de história alguma, de história de nada, de pensar em nada. Fazer sexo, nem isso. Respeitar o corpo do pequeno, viver o pequeno, fazer café pro pequeno, deixar ele fumar na janela. Deixar que ele se calasse. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Daí o amante chega com um sorriso de volta e seu café quente. A porta e a cama. Coisas básicas e o garoto na janela fumando seu cigarro em silêncio. Daí o amante chega, simples, e interrompe tudo. Até então, o pequeno era gentil.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu queria te perguntar uma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um suspense, uma sombra nos cílios. O pequeno nem acreditava. Era pra ser tão carnal e casual, ou simplesmente tão casual que não haveria nada a responder, não é? Ele só precisava de um ombro amigo, capaz de engolir seu silêncio. E era irônico precisar compartilhar silêncio com alguém e já estava fazendo muito em dedicar seu silêncio àquele amante. A voz do rico reverberava mil vezes mais mil vezes: você está louco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda que o pequeno pudessee pensar que de fato quando se conheceram, foi um de seus primeiros encantos, não foi? Mas não. Porque o pequeno já havia enlouquecido pelo feio e já havia recuperado tudo, inclusive a amizade do feio, ou de sua família, ou inclusive ninguém nunca havia pensado que ele enlouquecera durante aqueles quatorze anos. Inclusive havia escrito livros e se tornado artista. E tinha tirado diploma e tinha se tornado um educador. Lembram-se disto? E não precisava de ningúem. No final, em 2008, tivera todas as respostas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você me ama?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro que perguntou sem jeito enquanto o pequeno arregalava os olhos de pavor. Qualquer resposta que desse interferiria absurdamente na vida daquele infeliz. Era importante dar-se conta da sua própria dissimulação uma hora. Aquele amante só era importante porque até então ele não te conhecia, não é, pequeno? Mas ele te aceitava, como devia aceitar todas as outras bibas que se deitavam com ele. A única diferença era que ele ainda não tinha galgado o coito que o pequeno prometia, ao longo de alguns meses, até que estivesse preparado. Mas todo amante é tão paciente? Pra quem não tem nada a perder... E pra quem continua a sua vida... E pra quem o o pequeno nunca alimentara nenhuma sorte...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu não sei o que te responder. Eu não queria perder tua companhia. Eu amo tanto a gente, eu amo o mundo não é assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você entendeu o que quis te dizer. Você já é crescidinho, meu amigo?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu sei. Me desculpa, eu sei, é claro que eu sei. Mas eu não vou te perguntar nada. Eu achei apenas que você estava contente de eu estar aqui e de eu precisar de você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É, só que eu também tenho a minha vida. E eu estou passando por algo que talvez você não se importe, mas eu quero definir a minha vida. Eu estou cansado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O pequeno viu que todo mundo estava cansado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-3640007355065977027?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/3640007355065977027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea11.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/3640007355065977027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/3640007355065977027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea11.html' title='Orquídea11'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-8326577236151703653</id><published>2009-06-16T16:15:00.001-07:00</published><updated>2009-06-21T12:35:51.576-07:00</updated><title type='text'>Orquídea10</title><content type='html'>Era daquele jeito que o pequeno queria. E se ele pudesse voltaria a morrer em 2007, mas voltaria com tanta força que nem um nem dois amores lhe impediriam. É verdade que no ano anterior ele havia conquistado a sua tão sonhada e ilimitada coragem de desafiar os mundos. E os submundos também. Mas não era verdade que sua alma movida por sabe-se lá que forças lhe levaram à respiração novamente? O pior do afogado é o ódio de quem lhe tirou justamente quando se acostumava com a água no peito. depois o agradecimento ostensivo. depois o ódio novamente: de si: deveria ter tido o controle da não sobrevivência.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Era daquele jeito: tendo novas esperanças. Era daquele jeito que permitiu, pela primeira vez, imaginar que todos eles haviam morrido. Tinha nenhuma carta, nem um verso em 2008 que pudesse comprovar amor: era desse jeito. Fora o orquídea, um delírio. Era daquele jeito que imaginou: qual realidade lhe cabia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Viver era fácil demais em seu minúsculo organismo. Viver era tão fácil: arranjar um emprego, por as pernas a andar, sair por aí. Fingir. E fazer planos e concretizá-los: como alguém não conseguia isso? Alguém que desconhecesse mesmo a loucura e aí viveria ou deveria viver mais feliz. Graças a deus todos ao seu redor eram felizes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se a realidade fosse um conjunto de ficção como o orquídea, como um conjunto de ficção interferia tão diretamente na vida alheia? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha dor nos dedos: talvez um tipo de câncer ao inverso: é o tipo de câncer que o impulsiona ao desbravamento de uma história que está por vir. Seguiu esta idéia com outro romance, paralelo ao Orquídea. Pois lembremos que durou oito meses do penúltimo capítulo ao último: até que o homem viesse e lhe desse material presencial. Nem tudo era ficção. Nem tudo: preste atenção.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Atençãozinha só. As histórias que se seguiriam serviriam de passagem ainda pelo seu corpo: mas quanto mais seu corpo fosse seu mesmo e nunca mais de outro, ele estaria sóbrio e poderia se embebedar de si - sem mais explicações. Já que o tempo inteiro o que o mundo-cobra é isso. Não ele que era ao menos naquele ano flor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda que não fosse de ser colhida ou carnificada nos dentes de outra pessoa, o pequeno, se fugia como conseguia. E conseguiu afinal. Afinal, consiguira sempre o que quis. Não é pra ser sempre assim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ser flor era um deleite entre os mistérios de 2008. Posto à mesa das lembranças, os fragmentos se encaixaram na sua menteninha e ele ia lá e embrulhava de novo, só para não ter que ver. Ver a realidade das coisas era por demais matéria para o seu umbigo fantasmacêntrico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-8326577236151703653?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/8326577236151703653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea10-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8326577236151703653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8326577236151703653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea10-incompleto.html' title='Orquídea10'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6428731537029171150</id><published>2009-06-11T08:17:00.001-07:00</published><updated>2009-06-11T08:42:08.376-07:00</updated><title type='text'>Orquídea09</title><content type='html'>Embora não acreditasse em reencarnações. Ele sabia que em vidas passadas teria sido padre, provavelmente homossexual, filha de marajá que morrera virgem, uma ruiva que se matara, um pequeno retirante que morrera na seca nos tempos da construção de Brasília, uma personagem histórica mal contada, um capitão de guerra assassinado: era início dos mil e duzentos. Soube de sua alma no umbral também: vagou e obsediou muita gente até chegar a esta plenitude toda. Hoje, aos 2008, poliana.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se há algo que o pequeno gostava nos coitados, era de vê-los suar. Ao menos não lacrimejavam como os infelizes fizeram, de sofrer por ele, sofreram? Ou maldisseram seu nome até o fim. Que fim bonito tinha o ano desta orquídea alucinógena. Sim, teria um final bonito, porque sou eu que escrevo e existo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto fosse um apreciador convicto das formas com que os diodos emissores de luz se manifestavam século vinte e um a fora, ainda se permitia em cantar afônicamente algum verso que lhe mostrasse vida biológica. Tudo o que fizera foi por lei contemporânea e democrática. Nenhum crime de lei. Nenhuma entrada no mundo dos vícios danosos. E se havia uma gilete em seu quarto de dormir, bem rente à quaisquer das janelas em que estivera: era apenas para se lembrar que o suicidio interminável começava no dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um montante de acidez correu por suas veias: orquídea ou crisântemo, tanto faz, agora que era matéria. Sem identidade, tanto faz, agora que descobrira o amor em 2008. Agora que finalmente dele não escapasse nunca. Agora que em 2008 não queria mais fugir. Enfrentar os homens, talvez, e dizê-los: nós todos perdemos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia o pequeno ainda ousou reclamar suas posses: mas pouca gente lhe garantiu ouvidos. Já tens o hálito velho com seus trinta anos banidos de si. Já tens a pele tão cuidada de maltratos, como rejuvenesceu sem bruxarias! Mas ninguém sabia dos dentes cariados que ficavam por detrás: haviam alguns e eram horríveis. Isso porque já naquele ano nenhum o beijara tanto capaz que fosse de ter-lhe a língua inteira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O feio tinha razão em lhe evitar. Tanto quanto o rico em lhe dizer coisas feias. Tanto quanto os príncipes em não saberem da existência dele. De nenhum conto de fadas surgiriam, meu pequeno, não se iluda tanto com as ilusões. Bem-diga sim, a realidade que o norteia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Descobrira na humanidade alguns remédios e amizade. Estes amigos bons guardados nas páginas do mistério: era preciso não lhes deixar entrar na história. Era precisa narrar que a família do feio lhe carregou solicitamente ao seu reencontro em julho. Fora a última vez que se viram, então. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fora o dia mais lindo, em que a Personne de verdade nascera na vida do nosso ilustríssimo. E, cara-a-cara com ele quase durante um dia inteiro pensou no quanto havia mentido de si e para si, por si só vivera. Nenhum afeto. Poderia manter um amor fraterno, 2008 estava no meio. Ouvira o rico rindo. Ouvira os infelizes soprando no inverno: era um dia quente e de sol, acreditem. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Havia acácias, e não orquídea. O homem ainda estava por vir: talvez ele te mostre algo bom. Mas não, pequeno, a chegada daquele homem que lhe servira apenas para concluir seu romance ideologista não lhe dissera nada mais do que sabia. Vamos até lá novamente: o pequeno havia fechado a porta, o homem saira satisfeito, o pequeno sabia que agora poderia concluir o Orquídea, lembrou-se do feio e pensou no rico, o telefone tocara e era o rico! O rico dissera coisas queridas...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No dia seguinte, como fora combinado consigo, começara o desfecho da obra, estava em êxtase, não se lembrou de quase nada. O resto do ano passara dormindo? Quase isso. De esgotamento. Trabalhava e dormia. Não tinha outra vítima. Pensava. Calculava. E o término do Orquídea extasiava novos planos. Seria um grande produtor do lar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tinha a Personne, tinha ao menos amigos, tinha ao menos o último sorriso do feio que lhe deixou uma paz profunda: não tê-lo amado nunca era uma esperança ainda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6428731537029171150?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6428731537029171150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea09-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6428731537029171150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6428731537029171150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea09-incompleto.html' title='Orquídea09'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-2777224584500416652</id><published>2009-06-11T07:31:00.000-07:00</published><updated>2009-06-11T08:01:18.287-07:00</updated><title type='text'>Orquídea08</title><content type='html'>E quando enlouquecia? O pequeno não procurava o colo da sagrada maternidade. Não. Havia a noite e de noite urgia em utilíssimos descontroles.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não não não podemos imaginar: que o pequeno se escondia todo esse tempo enfumaçado unicamente por seu delicioso mundo imaginário de amores. Recanto de suas demências era: a vitória da virada matutina. Apogeu de seu silêncio e ira: extravado em cima de altas caixas de som. Do grave se faz matéria, dizia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou gritavam por lá: - chegara a demência, chegara. E caçava entre os perdidos os seus garotos e garotas noturnos todos. Que provas dar de sanidades às bichas mascaradas? Um grito. Urrava! Exbatia, resvalava, translúcido em suor. Vez ou outra não parava nunca de dançar. E quantos acompanharam sua energia vitalícia, íntegra, quase satânica! Era sorrindo que cumprimentava os colegas da burocrática rotina noturna: sábados ou sextas? Muitas vezes em domingos se reunia sóbrio e depois bebia um pouco: sozinho ainda se divertia até a exaustão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Desde cedo o pequeno soube onde procurar abrigo. Foi quando percebera um mundo de sigilos passageiros: ruas pequenas e estreitas, passagens rápidas pelos cabelos alheios. Beijos, beijos, beijos. Preferia quando alguém lhe roubava os sentidos, metidos num banheirinho: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu cai-bo, repetia se rindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não o levem pra casa, a perversão do pequeno era se divertir des-coito, o coitado, ficava sozinho. Os coitados, podem ter sido seus grandes amores, ou pequenos que pudessem de aliviar desses horrores febris em busca de almas siamesas. Mas não, noturno, o pequeno era outro, sempre fora: demente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até servira-se de tábua de cocaína: a pele esticada e magra, o dorso pulsante, mas não cheirava, iludia-se no doce hálito vindo daquelas outras barbas. Eles podiam gozar no pequeno desde que este visse tudo: de fora. Sempre de fora. Ejacular o quê? Nunca em seus pudores pensava na dor alheia, coito interrompido, até porque era desse prazer que vivia. Interromper tudo, por decisão própria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mesmo quando fora estuprado, o pequeno, estuprado com, ou tantas vezes, a raiva dos possuidores que não admitiam aquilo! Aquilozinho brincando de cara satisfeita, deslizando indo embora por entre os sofás e paredes: por sombras o pequeno sabia se esconder.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Drogava os outros quando dizia não às drogas. E voltava à casa das pistas e deliciosas danças. No tempo do pequeno dançar de qualquer jeito era a moda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Punk no tecno ou passinho de bêbado. O cotovelo à mostra: onde estavam os libertinos? Eram de beijar mais de três, eram de beijar à quatro. Eram de um lesbianismo único. Eram. Onde estava a princesinha?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Te espera ali ao lado com balas na mão. Lembrava-se da época dos pirulitos: metidos em doses de whisky ou tequila sem desculpa alguma: nos lábios dos amigos mordidos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Flutuava ao som de djs sombrios. Chegara a trabalhar algemado por conta disso: enfrentando absurdos bandidos quando o vigia não estava: era bar de bibas grossas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você aguenta ou topa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Os dois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se alguém brilhava junto em gargalhar com ele uma noite inteira: uma noite inteira podia gargalhar e no outro dia, no outro dia, de novo pequeno. Era melhor deixar os coitados e os coitos e brincar de que podia tudo anoitecer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Podemos até dizer que apenas e somente os namorados de fato lhe penetraram o corpo: o resto era doidura mesmo. O resto nós sabemos dessa perversa alma que brincava de não-ser. Materializar o espírito é coisa de crente, repetia rindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E os amigos? Podiam sim lhe apertar o pescoço, chicotes ou tapas em sua face iniciada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Estás bem pequeno?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sempre estava. Para dizer que não se divertia sexualmente adorava masturbar os esquisitos. Talvez gozasse, talvez... Se lhe dessem motivos concretos pra isso: arrastado a casas distantes não se arriscava em ser omisso. Um beijo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Me leva de volta ao paraíso...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Dorme, porra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E acordava. De madrugada era quase de manhã e o pequeno se esgueirava da preguiça alheia. Um dia fora que lá de longe, próximo à praia, andou quilômetros com seu coturno de sola baixa. Tinha os olhos pintados e uma gangue que resolveu lhe perseguir. Mas o pequeno tinha medo e tinha também saudades de si: era melhor parar e deixar eles virem, afinal, já se divertira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-2777224584500416652?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/2777224584500416652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea08.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2777224584500416652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2777224584500416652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea08.html' title='Orquídea08'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-4836222534890084157</id><published>2009-06-07T07:49:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T08:37:50.304-07:00</updated><title type='text'>Orquídea07</title><content type='html'>São como essas coisas que existem na natureza, e a gente tem que conviver com elas sob e sobre a sutileza, muitas vezes de um simples espirro. As bactérias, os fungos, os vírus: são seres vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que assim seja, pensava o pequeno em seus finais de orquídea. Planejava nada além do que plantar e talvez, se tivesse em seu tempo, colher frutos. Não era assim com os ditados que os homens criaram para manter forte e robuto todo o corpo de cidades inteiras: a bem de quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, no século em que estamos, ou iniciamos, puro século, já os historiadores não sabem dizer: não estamos num século de pátrias. Pelo contrário, a sobrevivência econômica ainda é mais vital que a sobrevivência digna do corpo. Desde que todo o equipamento não vá em descrédito. Mas quem passa por essa vida sem dívida? O pequeno. Que vivia na natureza mundana nem como servo nem como destinado: eu escrevo, eu escrevo... repetia, mas não por isso é que tinha sido especial na vida. Escrever era um passatempo ou um momento de sorte. Escrever era e havia sido um meio de colocar provas de sua existência: sem amores, confuso, deserdado, rejeitado, alucinógeno (em se considerar a capacidade de drogas que foi capaz de engolir num único domingo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceu de um pai bissexual, não assumido, com mãe liberal e irmãos muito contentes em estarem sempre vivos: o mundo deles, era uma redoma indizível. Que por bem de magia alguma, muitas conversas sobre os outros mundos, é que se mantinham apanhados e acompanhados do século vinte e um. Sabia disso, com uma certeza de vários sóis: sou fruto deste século em que a ordem era acabar com os resquícios dispudores de uma família que não existe mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família, sou eu. E era bonito isso. Enquanto se admirava que os que o rodeavam ainda creavam numa família antiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É perverso o que você faz dos seus segredos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não podia estar aqui na sua casa se não quisesse te ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São oito meses até aqui. E eu sentia tanta falta, dizia o pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era assim que seduzia o homem? Considerando sua parte mais humana? Seu cuidado. Seu modo de servir vinho. Sua maneira de amaciar os ouvidos para entrar a raiva alheia: ninguém no mundo hoje em dia tem tempo para ter paciência com as irritações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não quero a mania alheia. Eu quero possuir a legião. E isso tem um custo. Bebe o vinho! Bebe e vamos pra cama. Bebe e deixa que se derrama o que falta de mim. Tudo, eu não te disse, começou quando nos encontramos, e você, meu querido homem, que um dia entrará como mulher neste, mundo não foi gerado por mim: tu foste trazido aqui para uma obra única.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanta megalomania em seu destino. E pretensões? De fato, por que não? Se pretende ser rico, ter carro, sair pela Europa ou fazer doutorado. Por que não se pretender assim? De certo modo acariciado por fantasias que criava pra si. Por que culpá-lo? Se não perdia o tempo fazendo planos com a mega sena, gerava textos complexos de seu prazer íntimo. Sua vida está feita, pequeno, e o rico que se foda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa aventura, o pequeno só foi perverso com o homem, porque não podia deixar de sê-lo. Quando se lembrou de que aquele homem, negro e robusto negro, forte e vigoroso, se desviava de si por um segredo, ou desejo apenas: comer o cú do pequeno. Oito meses de fascínio por isso? Mas não por isso. Poderia ter dado amor e outros frutos mais românticos. O pequeno bebia ao se lembrar dos cálculos que não fizeram. Quis até pensou até em abraçar aquele homem que logo destruiria. Avisaria-o de que tudo estava errado? No final das contas, nem sexo fariam. No final das contas, só teria o prazer de vê-lo: dlim, dlom, estou aqui. Com um sorriso bobo. Foi possuído?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se eu realmente não quisesse não esperaria oito meses para estar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos nos ver de novo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pequeno:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não nessa vida, pensou baixinho. Nessa vida ainda temo resolver o meu ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto ele tirava a calça do homem hetero, sua última vítima, coisa que toda biba quer provar, o pequeno se lembrava do feio. Sim, e se lembrava do rico. Sim, e se lembrava de si. E se lembrava de ter amores. Mas a mão macia e aconchegante, o sorriso de simples paciência vinha a quem? Ao homem, que coitado, via tudo e tudo interpretava, como não poderia ser o contrário: como se fosse tudo para ele. É meu o pequeno, sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não vai mais ficar com ninguém? Só comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem te trouxe foi o feio, quem te construiu foi o rico e quem te encantou foi pequenininho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você quer que eu dance pra você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pequeno se despiu mesmo. Dava pra ver, luz de sala. Nem velas, o corpo bem magro de uma cobra rasteira. E aquele piercing no mamilo, o que dizia? E aquela tatuagem bonita... É preciso tampar o passado. Ou as místicas de lado, era uma tatuagem divina. Seu pacto de humanidade. Dizia. O pequeno, por tanto, nunca estava pelado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se deitaram, sentia-se materializar num ritmo de escrita, mas vivia a festa feita: ao mesmo tempo os flashs todos do recente passado. O encontro com seu feio no dia de julho de 2008, e sua família reunida, no mesmo tempo o colapso de ter sido levado por destino de quê? Era tão difícil assumir ao mundo que não existia destino. Era planta, apenas, planta, sob os ventos e organismos. Mentira. Era o rico que construíra sua casa para colocar uma plaquinha de madeira com a ousadia de seus dois nomes: amor verdadeiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não ter simplesmente vivido? Por que tantos casamentos e casos? Por que tanto tempo intocável? Apenas para controlar as letras? Ou manipular os diabos que matara de cabeça pra baixo. Mais de um voltou e mais de um se feriu. Nas mãos do homem, qualquer homem, só resta o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nós somos uma espécie linda, falou baixinho no ouvido dele, depois de vê-lo gozar. Falou baixinho, você não acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que o homem se deu conta da besteira ou do feitiço, foi aí que recusou o beijo do pequeno, foi aí que pegou suas coisas assustado e balançava a cabeça como se dissesse que não, não não não era verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu, eu mesmo nunca teria saído da minha vida para estar aqui. O que você fez comigo de me seduzir e me deixar exposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode deixar, é um segredo nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de segredo em segredo iria contratuando humanidades. Era assim que aprendera a se proteger. Assim teria aprendido muito mais com o rico, que segredou o pequeno num bloco de riquezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fechar a porta e saber que concluiria o seu romance bio-fantasmagórico, foi o rico que viu por detrás de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é que as coisas do espírito não existem mesmo. Mas há coincidências do pensamento. O celular tocou. Nem era madrugada inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu tenho provas de que tudo vem a mim. E nunca mais pensou no destino daquela criatura homem, nem precisava mais pensar, o mundo que cuidasse dele e de seus segredos. Difícil mesmo era se concentrar com o aparelho tocando e tocando e não por falta de coragem, mas para se dar fôlego é que falaria assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não adianta mais. Eu enlouqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que ouvira o rico chorar? O rico finalmente desesperado. O rico finalmente preocupado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho coisas pra te falar ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde você estava, pequeno? Na cabeça de quantos infelizes? E todos mesmo infelizes que não salvavam tua cabeça nem por um fio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Depois da nossa última briga? Eu enlouqueci, meu rico, eu vou terminar o Orquídea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você escolheu a pobreza, você escolheu a solidão, você escolheu a tortura desses dias e de todos os outros. Você sempre escolheu, você escolheu a insônia, você escolheu me esquecer. E por quantos anos? Quantos anos fugiu? Você escolheu não querer a casa que construí pra gente, pequeno, você enlouqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-4836222534890084157?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/4836222534890084157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea07.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4836222534890084157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4836222534890084157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/06/orquidea07.html' title='Orquídea07'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5692158031869003525</id><published>2009-05-29T23:19:00.000-07:00</published><updated>2009-06-07T07:48:50.245-07:00</updated><title type='text'>Orquídea06</title><content type='html'>Um leitor me pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Afinal, quem o pequeno amou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este é o final de 2008. E no final de 2008 descobriremos tantas coisas que será com certa felicidade e um pouco de cumplicidade, tenho certeza que sim, poderemos brindar termos nos dedicado a esta obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, o pequeno vive, foi o que respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estatísticas não foram feitas do número de beijos ou não-coitos estabelecidos, nem do número de lágrimas e de urgências aos quais o pequeno dedicou muito em sua breve jornada de descobrimento. O pequeno tão pouco sabia quem amava até agora. Soube esperar, estabelecer contatos humanos, resolver questões vívicas e míticas de si, transmutar um gesto em gracioso aperto de mão e, quem sabe, até ter se tornado maduro. Tinha o corpo sempre magro e nunca era hostil. Dificilmente um de seus admiradores deixou de amá-lo por isso, mais foi, sem dúvida alguma, por seus defeitos sombrios: dizer não o tempo inteiro sem o que o próximo fosse respeitado em, pelo menos, sabê-lo. O corpo fala, basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi desta forma que, após, ter concluído seu tão admirável romance contemporâneo cheio de metáforas e estilos intercruzados de escrita que nunca mais quis saber do homem. O hetero banido que por amor aos doidos e doídos saiu de sua casa lá longe e teve uma noite de vinho e doces no braço do nosso herói, que de braço só tinha a mente desequilibrada para capturar tão logo pudesse a alma tardia de oito meses de espera e finalmente pô-la a prova no final do Orquídea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orquídea, portanto, se materializava. Fantasma vivo. Foi nestes oito meses que se passou a grande reviravolta, esta que dá início a história inteira, lá no primeiro capítulo de Julho deste romance. Ah, como é difícil guiar-se por história tão complexa: além das lembranças tantos nomes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem poesia nisso também. Ouvindo Siouxsie and the banshees, o pequeno sorria e lastimava ao mesmo tempo: gargalhava e tremia os dedos inquietos para não escrever uma linha que não fosse apenas ficção. Tem morte não-acontecida, crime de intimidades, tem beijos sigilosos e discretos: tem toques improváveis da memória: às vezes a gente pensa que tocou o outro, mas de fato, foi o outro maltratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem os enganos que o pequeno não se importou em corrigir e aqueles que se importou demais em engasgar. Tem os enganos que o pequeno mesmo criou pra si e deixou como estava até a nossa orquídea brotar do chão: foi um tempo de vida e neste tempo em que brotava, a estima do pequeno era simples, não ter ninguém nesta vida, a não ser os fatos que, pelo tempo em que vivemos, são inevitáveis. Afinal, como dizia, o pequeno continua vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Materializado, é certo, apenas em letras, mas que não é matéria tão fina de nem se destacar o que é textura em tinta ou papel de verdade. Aos olhos quem sabe, à alma. E tudo o que ele quis, sem precisar forçar a nada ou utilizar de meios subversivos para ter uma trepada, como muitos gostariam que fosse: puta mesmo, limitou-se a se entregar ao tempo em que o homem certamente, o homem despido: cuspido ao mundo alucinógeno de nosso pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero sexo. Quero vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se comportava mais não como aquela criatura que conhecera o feio ou quando conhecera o rico naquelas cenas lindas... Comportava em cálculos e com muito afeto e respeito que nem o homem ali entregue à sua obra pudesse prever: - você quer ver que eu sou tão maluco quanto você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só queria provas de que conquistava o coração ou a alma de um homem. Homem, hetero invicto, que pudesse, no final da noite utilizar uma calcinha e sair pervertido de si, de toda a humanidade. Está mudado o mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ria, o pequeno. Orquídea vive pouco mas é de biologias certas. Tu que és paradigma de mundo: deixava a capoeira por um sonho, aquela noite aconteceu assim: sem beijos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5692158031869003525?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5692158031869003525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea06-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5692158031869003525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5692158031869003525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea06-incompleto.html' title='Orquídea06'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-1680412100698243690</id><published>2009-05-29T22:10:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T22:38:43.659-07:00</updated><title type='text'>Orquídea0Y</title><content type='html'>Dizem que quem recebe um louco já era louco anteriormente e que se era são, coitado, nunca percebeu que santidade não há quando a semente é posta no beijo simples das bochechas e no toque maleável e discreto com que o pequeno desenhava carinho fraterno apenas por seduzir os coitados e deixar claro a si mesmo que não era o louco único da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Breve seria uma biografia de tragédia, mas graças a deus, deus criou o homem e suas formas de manipular a natureza, gerar renda e saúde psiquíca a quem pudesse tê-la de imediato. E, se se tornava um bom educador, traía ao mesmo tempo alguns amigos, provocando-lhes, depois do amigo leal possível de amor de vida tranquila, jogos de pensar vez ou outra: por que não ao pequeno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente dos outros, nisso e no mundo inserido, dos homens que amam os homens, poucos puderam lhe apontar na rua e dizer: foi este que comi. Era nisso que o pequeno se vangloriava e mais ainda de ser alvo do desejo daqueles que o procuraram por uma vida longínqua e sem traições. Mais te traio agora, dizia não o pequeno, te traio agora quando evito pensar em tais considerações. Não, não. Não. Era com o corpo e com sua falta de sexo que negava: e negaria, e negaria. E só aceitaria no seu leito, o lexotan tão bom de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não pensar em amores ou possibilidades, numa esquizofrinia que lhe ocorreu dos últimos anos para então, já que não ficara com ninguém e com quem ficara não copulou: restou-lhe pensar que um bichano, um gato, preto, malhado ou cinza, lhe faria boa companhia, teriam suas telepatias de bicho e teria ao menos um pouco de afeto com pêlo alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que até hoje a Personne reclame seu posto de direito e o DitoCujo dito ainda ouse vez ou outra dormir com o  pequeno. Porém, só por um tempo. Sua pele, até aos bichos é um tanto espinhosa ou sente espinho demais ao compartilhar a vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se considerarmos a psicopatologia o pequeno foi fruto de horrores que se tornou um fantasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora voltemos a sua vítima deliberada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez ouviu de um infeliz que provocava amor ou por amor se iludia apenas por conta da escrita. Aquilo não lhe saiu da memória e como bem precisasse de um amor para ter história a prolongar seu personagem afeto, resolveu se endireitar num olhar mais atento de um colega seu. Daquela atenção calculou o desejo. E, com o desejo adquirido, por meio de inúmeras táticas bem simples e singelas em que o dorso passa não mais despercebido é que se entregou num misto de cuidado fraterno e preocupação carente de amores: o olhar bem compenetrado nos olhos do outro que vibrava ao seu mais puro sorriso. Claro que o outro não era tão tolo e percebeu a malícia do intento, mas percebendo apenas nunca tiraria a prova concreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que o pequeno deliberava que era tão melhor seduzir por intento. Um prazer novo com que brincasse de verdade, não como sofrera antes e nem por pena e consideração de ser amado, o pequeno queria a história de seu romance escrito: orquídea fantasma tinha sua orquídea num paralelo verdadeiro. E disse ao mundo e a todos, aqueles que acreditassem nele, que estava mesmo amando. Finalmente, dizia, finalmente meus amigos e caros amigos, eu estou apaixonado por alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um cara hetero que não quer nada comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim ipsilon. Mas o mistério maior nem era esse. O mistério maior estava por vir. Era quando o pequeno precisava de forças pra enfrentar o mundo evocando o seu amor pelo feio, tão platônico e bonito, que vinha brilho em seus olhos. Era esse brilho que o tolo hetero acreditou ver que o pequeno tinha, só tempos depois é claro que o pequeno descobrira, que não foi por conta de cálculo e maquiavelisses que seduziu o homem, mas porque amou o mesmo e antigo amor sem nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estas alturas, como enfrentava com muita prática a pobreza atendida, evitava de se lembrar do rico, porque lembrar do rico, era lembrar que um dia poderia estar em outro lugar, no nordeste talvez, encontrado paz alguma em consideração aos que lutam tanto para ter uma roupa suja e um argumento sincero de ódio pela vida. Cada dia portanto era lhe difícil amar o rico que portanto enriquecera a custas dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno que amara o Rio e que amara seus mendigos, sentia um certo tremor nas pernas ao pensar no rico, ainda, como quando se conheceram. E como quando ainda pensava que a cada toque do celular fosse ele lhe evocando qualquer corrida e tropeço e nova e novamente lhe evocando: talvez seja eu teu amor verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um jamais de romances antigos, o pequeno respirava novamente duas carteiras de cigarro para não pensar nesta agonia ou verdade possível. Sim, graças ao pequeno por ter se criado com orgulho próprio. Mataria seu próprio ego mas jamais jamais jamais jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ipsolon. Era tão bom ter o carinho e a bravura do homem que lhe dedicava horas e horas em lhe assustar com cuidado sobre a vida violenta. E quanto mais o pequeno evocava o feio em suas preces, mais o feio aparecia, surgia ou transmitia seus pensamentos ao homem que um dia, depois de oito meses, se rendeu ao lar doce lar que o pequeno construiu pra si e finalmente lhe entregou o fim da narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana seguinte em que ficaram o OrquídeaFantasma fora terminado com um prazer absoluto que há muito nenhuma outra criação sua lhe transmitira: era gozo novo! Dizia a si mesmo, ter manipulado, coitado, a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém é desses oito meses que iremos tratar. Porque neste ínterim foi que o pequeno descobrira muito do que foi dito no presente capítulo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-1680412100698243690?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/1680412100698243690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea0y.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1680412100698243690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1680412100698243690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea0y.html' title='Orquídea0Y'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6497899596067447748</id><published>2009-05-29T21:39:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T22:10:13.804-07:00</updated><title type='text'>Orquídea05</title><content type='html'>Infortunio que ele deveria seguir por missão espiritual justamente negar o espírito e escrever fantasmas em linhas todas enigmáticas. Por fim, um belo poema, ou alguns bons versos. Era o que sentia da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infortúnio também que o inocente tenha deixado consigo apenas uma pedra vulcânica que ele fazia questão de deixar a vista e tocar vez ou outra na lembrança mais pura de não ser nem um gato nem um falcão: era ave de cortejo apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consideremos as religiões e nenhuma delas explicou ou se ajoelhou perante ao humano que sofreu de suas perturbações como mentais: nada em si era amor? Todas elas, no entanto, se curvariam em lê-lo aos poucos e em lê-lo aos poucos se interessariam pela perversidade urdida, pela pouca prática em esconder suas lâminas febris. Sim é que tinha um riso bem claro de satisfação imperial. Mas pouco lhe importava naquele tempo, há pouco tempo e ainda pouco importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mundano e, portanto, segredo aos olhos de deus. Talvez, pensava, a raça humana fosse um segredo de outro deus. Mas se percorro nesta ordem, deixamos de lado o amor: e esta sempre será uma bela história de amor que a morte não venceu tão facilmente e nem o tempo contemporâneo com todas as suas artimanhas tecnológicas conseguiu minar, nem as coisas do mundo e as libertações sexuais ou passeatas e nem drogas ultraquímicas conseguiram alterar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração humano estava intacto e, no mesmo tempo, convicto de si. Tão grande si. Tão pouco amor dos outros. Ou ingratidão do pequeno que não sentia ao seu redor ainda a lástima daqueles que nunca nunca conseguiam um beijo seu. À fraternidade e pela fraternidade, era seu discurso de proteção. O seu moralismo. O seu olhar que pudesse vagar em mistério algum: o feio e o rico são de histórias bem diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vender o corpo e não ceder à obsessão. Matar-se num organismo que deveria ser frágil, era muito dolorosa a morte sem respostas em vida. Foi daí que surgiu tamanha força e coragem para enfrentar os montes e os cristos e os monges também da Esperança. Morros e sacrifícios por uma educação válida, a educação dos sentidos fortes. Era o que pensava em termos teatrais. Enquanto a orquídea existisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devemos desconsiderar um amor paralelo, vocês darão risadas com tal evento, mas o nosso pequenininho era mesmo danado! E tinha gana de misturar tudo num pacote só, apenas para demonstrar a si mesmo, e talvez algumas pessoas ao redor que ainda podia sim, desmascara seu próprio amor fraterno numa invenção muito convincente. Talvez, sua maior crueldade. E por isso estivemos até aqui com este sigilo maldoso: já há muito tempo corria em seus pensamentos um certo amigo que lhe dizia coisas tão boas e tão humanas ou por serem humanas tão boas de se ouvir que lhe provocou determinadas doses de apelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apelaria a este amigo e pensou até em um novo casamento. Durou cinco anos esta história paralela. Durou exatamente o tempo de ter fincado sobre a solidão uma imatura, mas sempre nova ponta, ali, exposta para que, talvez que, pudessse penetrar por uma vida um pouco mais tranquila de tudo o que fosse. Bastaria que semeasse um pouco mais. Pena não ter sido equilibrado na história e ter jogado ao alto uma oportunidade tardia: o seu fraterno possível destino de amor tranquilo nunca esteve disposto, mas corajoso aceitou com lealdade a proposta seguinte: receber cartas de amor e por elas sofrer como quem de angústia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto foi verdadeiro e o nobre amigo de amor tranquilo cujo adjetivo eu não teria a dar ainda, não era um dos infelizes, nem era feliz com aquilo. Mais um dos jogos psicológicos ou patológicos, pensava, que a humanidade o deixou para tratar. E sua lealdade o transformou, de ler tantas cartas, num membro distante do destino do pequeno, o pequeno se tornou aos seus olhos a criatura menos macabra e mais conhecida, com dores, com amor sólido, era o que dizia nas cartas, com amor de quem cria amores bons. Ele não era bom, dizia ao pequeno, era apenas leal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pequeno mesmo se horrorizou daquilo, tempos depois, meses depois, e considerou, sem muita participação do coitado leitor de suas cartas, que esteve enganado. Nunca houve uma célula exposta capaz de transmutar o que não era amor em amor: fraterno, é sempre fraterno. A vida deste leal amigo, no entanto, estava intocada e seu destino seria do jeito que fosse conforme fosse, mas que não precisasse carregar o peso de ser amado por alguém tão desprezível. Certo é que o leal amigo de possibilidades de uma vida tão segura e honesta e verdadeira e humana (com seus defeitos todos) nunca pôde expressar, nunca foi lhe dado a palavra de volta, nunca o pequeno em sua presença lhe falava das cartas. Era mesmo um jogo de loucura, em que não houve nem vencedor, apenas ajudou e muito ao pequeno restaurar um pouco de sua sanidade, tornando, sempre isso, tornando a vida alheia um transtorno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz o leal amigo que as cartas ainda existem, bem escondidas e soterradas, apenas isso foi lhe perguntado um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este foi um momento verdadeiro e lamentável, por conclusão de fato não houve mais amizade tão próxima entre os dois, nem amor sólido como gostariam. Talvez apenas amor. Sem adjetivo. O que danava ao pequeno nenhuma resposta dos outros. E por isso era célula acabada e finalizada, era cédula de valer gratidão e respeito. E de verdade a vida que lhe custaria, custar ainda mais aprisionar o outro em jogos de enganações. Acaso, o acaso não voltaria a atormentá-lo de certos nomes... homens ricos... novos amores... acaso, o pequeno não esteve este tempo todo com medo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito mais fácil reduzir o demônio ao pó que erguer a face à rejeição e aquela lágrima que não cai, está parada ali no ar e segue apenas por conta do movimento acima que o pescoço ergueu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso para não dizer que o pequeno deixou qualquer traço de possibilidades. Ele era inteligente e discreto e segredou com o amigo leal que segredou com o pequeno esta jornada sem sucesso. No mínimo talvez pudessem ter sido amantes, mas não, ao pequeno era um destino ou nenhum outro. E como nenhum outro veio das mãos do receptor, engoliu ao seco nunca lhe dizer outros nomes, por respeito ainda há amizade insana estabelecida. Eles se amavam de jeitos que ninguém nunca entendeu. É claro. E quando se encontravam e se encontram ainda, é de uma alegria extensa e de uma leve tristeza de cumplicidade ínfima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6497899596067447748?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6497899596067447748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea05.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6497899596067447748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6497899596067447748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea05.html' title='Orquídea05'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5361442681499903566</id><published>2009-05-23T20:31:00.001-07:00</published><updated>2009-05-23T20:45:58.179-07:00</updated><title type='text'>Orquidea04</title><content type='html'>Foi como se evocasse o que os espíritas consideravam energia vital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Estamos quase no fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, estamos no ano de 2008 e temos um ano inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o rico, e os miseráveis, e os infelizes, e os amigos, e os inocentes. E tu! Onde tu estavas no início do milênio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ego pequeno: que livre amor bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo por conta de ser manipulado para a escrita, dizia o diabo. Mesmo depois de assassinado ainda fala? Falava, falava sim, o mundo não deixou de existir  por conta disso, meu querido egocêntrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fantasma dizia, fantasma baixinho, mas que história seria de si? Neste momento de luz imensa, assumido simplesmente um amor rarefeito sentia mesmo brilhar as veias: novas histórias e nehuma dúvida. Acaso fosse manipulado por legião de horrores, continuaria vivo, por que não? Éramos no ano de 2008 tão fortes e brilhantes e cheios de paixão pela vida. A matéria brilhava, os segredos surgiam da mais propaganda beleza: até os vídeogames se tornaram objetos de seu consumo íntimo. Organização, emprego, casa, móveis, tudo! Só lhe faltaria um gato. Ou dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa, o apartamento, a independência. As crianças, a trilha das formigas, e seu fantasma na cabeça: surgia uma história brilhante, mas tudo começa por conta do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor era apenas um dado estatístico: o importante era o personagem. Ou a personagem idílica. Sedutora e criminosa de si, quem lia Orquídea e sabia que era pura autoinspiração se horrorizava: abusar nunca era demais aos olhos do leitor, vorazmente entregava-se ao leitor, leitor que fosse si. Mas leitor igual. Sempre e repetidamente humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas conexões fizeram os homens na sua mente para que ele pudesse chegar a concluir a idéia em papel ou virtualidades, mas concluída em histórias fictícias ou verdadeiras. E daí? Quais paradigmas surgiriam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que ele na verdade dizia para si mesmo, Orquídea?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valia. Em vez de ver novela. Valia. Em vez de beijar na boca. Valia. Em vez de cozinhar. Valia. Em vez de falar sobre as coisas da vida. Valia. Valia, por fim era o que lhe valia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez, por isso, reconsideremos o pequeno como herói e continuemos daqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5361442681499903566?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5361442681499903566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea04.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5361442681499903566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5361442681499903566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea04.html' title='Orquidea04'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-7216432335694313452</id><published>2009-05-23T20:14:00.000-07:00</published><updated>2009-05-23T20:31:22.555-07:00</updated><title type='text'>Orquidea03</title><content type='html'>Por isso é que algo o levou a miséria dos pobres? Não, foi um fator vital. Enquanto vitalícia era aquela energia magra: cigarrenta, provocantemente abusada em tudo o quanto podia fazer de desalimentar-se o corpo. As boletas, o álcool, o nada. As gargalhadas. A poesia suja. Ou não escrever para que no vão pudessem crer que não lhe valesse mais a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como conseguiu um emprego de educador, resolveu que assim seria. Quem sabe a paixão pelo mundo infantil lhe trouxesse certa comiseração de si mesmo ou paixão que lhe viesse a brilhar os olhos por matéria. Mas ao contrário disso, a provocação da realidade era outra: nada temia e nada se surpreendia com seu amor humano. Era fato que o amor era humano. Era simples que fosse. Sem maldade, sem defeitos. Era amor. Mas que nele não plantasse nem um verso, fora este tipo de amor que lhe arrebatou o de si mesmo e os outros também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passionalidade alguma num fantasma tão atraente de certezas. Era mais pura dúvida de uma mente inquieta, embora equilibrada por suas muletas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos considerar a sua inteligência, metodologia existiam para ser aplicadas, no que ele realizava muito adequadamente. Ao menos sabia justificar seus erros. E acertar em alguns saltos qualitativos nas técnicas teatrais que oferecia em troca de ser educador. Como cumpria o protocolo. Mas no fundo, nas pausas e nos tropeços, ao passar de cidade e ilha, ao chegar em casa, entre uma ficção e outra, ou tormenta que fosse, teve os olhos voltados para um vácuo imenso. Certo é que criara uma história em sua mente: não era sonho, era uma história bem bonita, colocava o nome do feio numa plaqueta de madeira e ouro num monte frio que nevava, ali, esperava nevar mais e morria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico não lhe dera mais sinal, prova de que o amor carnal ou materializado também finalizava. Que homem procura tanto por outro homem assim? Neste caso, específico, sentia-se fidedigno, ao menos um desentrelaçara de seu nó fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade lhe calculava nova ilusões: no seu primeiro casamento, aos 19 anos, o nosso pequeno herói já sentira a dor da pele tocada por uma noite inteira e já sabia de antemão que por pele nunca aguentaria mesmo uma passagem terrena tão intensa que lhe quisesse noite e noites inteiras. A não ser o platônico amor: nenhum outro lhe consumiria. O platônico amor lhe garantia o seu próprio deleite, a sua própria ilusão, a ilusão só sua de ser seu apenas e de não se compartilhar por entre dedos. Já não bastava que era necessário escrever idéias? E transmitir isso? Que loucura louca... bicha. Louca que lhe sucumbia sem que tivesse a mínima luxúria, embora  a provocasse ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde conheceu o termo spin. E spin o remetia ao termo espírito que por fim lhe entregou a obra. Orquídea Fantasma era um termo já criado, porém insatisfeito. Era preciso destrinchá-lo, era preciso ir até o fim com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a placa na neve suava vagarosamente, porque suava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, como nos contos de fábulas, o pequeno saiu de si e disse ao mundo: eu amei e amo. E o nome dele é feio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-7216432335694313452?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/7216432335694313452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea03.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7216432335694313452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7216432335694313452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea03.html' title='Orquidea03'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5617538756176049734</id><published>2009-05-23T19:46:00.000-07:00</published><updated>2009-05-23T20:14:32.513-07:00</updated><title type='text'>Orquidea02</title><content type='html'>Vamos voltar à razão. É verdade, não se tem direção a alma cansada e mesmo de corpo intacto e intocável, fantasma não era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então quem era? Se arranjasse um meio de não-ser, era na escrita. O nosso pequenino soube bem como produzir obras em estradas de páginas e páginas até o esgotamento. Nem um paradigma que lhe dissesse mesmo a verdade do que era o amor, senão o amor-próprio encontrado na escrita: um personagem de si, sombrio e obscuro logo seria uma boa jornada. Aventura que se daria ao deleite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o projeto só existiria por conta de um pequeno detalhe: obviamente ele precisava de mais uma vítima. Que satisfizesse seus mistérios escritos, nada carnais, mas assim, que viesse feito luva como já fora dado tantas vezes por feitiço divino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre era o destino. Ou o destino dos infelizes que o cruzavam? Logo partia da Zimba com um inverno ao seu lado, depois de tentado seu último suicídio físico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, que o equilibravam, os astros por certo nunca. Nem a legião ou obsessores que fossem. Era vida. História mesmo. Nada lhe era louco, porque realizava todas as tarefas normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos novamente à razão, e o resgatemos do passado. Que impossível passado é esse que ele manipulava sem alegria alguma. O seu suicidio fracassado lhe deu provas garantidas que nem um corpo sem comer por cinco dias sobreviveria aos atos mentais sem reação alguma, ou seja: vivo. Bem vivo, trazia o corpo à tona o nome de seu feio e de tantos outros moribundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era auge do inverno. Sabia bem que seu corpo não poderia lutar contra todos aqueles ventos e janelas abertas e boletas que engolia antes e depois de comer e dormir, esperando a morte, e a morte passageira, apenas de passagem lhe dava que sinais de morais ou existência? Acaso assim provocaria o organismo alguma castástrofe tão profunda que lhe evocaria ao espírito por conta de seus paradigmas inevitáveis evocar o Amor!? Sim, cinco dias sem comer não foram suficientes para que morressse tão querido e em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o tal do inocente, onde estava? Em sua cabeça é que não. Apenas a mãe dizia ao pobre rapaz: o menino está doente, é melhor não vê-lo. Mas doente que fica em pé? Por que o via pela janela? Por que o via zumbindo ou quase escrevendo e de pé morria? Pensava o pobre inocente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era lamentável ao pequeno que alguém lhe amasse. Mas era improvável que ser humano não amasse outro. Definitivamente era apenas mais uma prova de que seu espírito estava mesmo ainda encarnado e provocava desejos bastantes dignos de aflição. Não em si mesmo, mas no outro que embora tivesse acesso aos poucos minutos juntos ao pequeno, pouco soube de que o nome de seu coração era um segredo profundo: nada era lhe tão frágil o quanto parecia ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As suas viagens voltaram mais constantes à ilha, ponto que fazia para criar. Boa-noite cinderela, portanto deveria ser concluída ali. mas numa imensa pressa de se findar. Onde morreria, por fim? Ou como? Bem lembrava-se dos mendigos que nada matavam no Rio de Janeiro, bactérias e vírus e sujeira, nada os matavam. O corpo humano era mais que isso. E, na mente do nosso probre coitado, era insuportável saber que seu corpo era mais forte que sua alma. Tão alma, pequeno de corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaria o momento de parar de chorar de ônibus em ônibus sem que ninguém visse? Chegaria o grande momento de se deparar com a pura inércia criativa que lhe rompesse logo o espírito escrevesse tudo atropelado e pelos avessos sem sentido ou nexo como era a sua coitada alma sem amor? Ou era de amor de mais que vivia ensolarando olhos que não lhe pertenciam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ele chorava, engasgando nas suas viagens quando o tremor do veículo rompia, e era assim imperceptível porque sua cabeça acompanhava o ritmo da estrada. Quem lhe via? A natureza ali distraída de si. E pisava o pé em cada terra para fingir que não existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devidamente não maculou o coração do inocente com nenhuma palavra ou termo, nem um sinal. Apenas o viu chorar também, quando definiu que não voltaria mais à Zimba e que nunca se vissem jamais por entre os olhos, afinal o inocente era apenas mais uma pessoa boa que por algum motivo se atraiu por sua demente sina: amar a si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe, finalmente entendeu que houvesse criatividade naquele filho, e nunca mais ousou nem sequer relutar contra um amor tão voraz, capaz de mantê-lo vivo. Não era ódio quando ele chegou sorrindo ao final de suas páginas, cento e oitenta páginas de pura ficção terminava um ciclo de sua vida. Começou a contar-se não por anos de aniversário, mas por estes cálculos históricos. Talvez, só talvez, entre uma idéia e outra, não necessariamente entre uma página e outra, é que pudesse romper com seu destino, e morrer por fim da tormenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar ao feio era-lhe indigno, mas foi a única coisa que lhe restou. Porque não amava a si mesmo, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de todos os grandes paradigmas ele cometera os pecados e nada lhe acontecia. Tinha noção apenas de que era humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, sem querer entreter o leitor de imagens chatas, apenas digo que perdera a noção do que produzia: se era bom ou não, nem merecia autocrítica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5617538756176049734?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5617538756176049734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea02.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5617538756176049734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5617538756176049734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea02.html' title='Orquidea02'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6840596774445310572</id><published>2009-05-12T19:00:00.001-07:00</published><updated>2009-05-22T18:34:59.350-07:00</updated><title type='text'>Orquídea01</title><content type='html'>No de 2008, o mundo, feito mágica, já era outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não reveremos agora o que fantasmorizou nosso personagem. O caráter da dor deve ser passado a limpo de passos em passos. Ou páginas virtuais. Não há verdade nos fatos decorridos da solidão: tudo, ilusão do acaso. Mentiras que o passado constrói sob forma de alegoria, o que de certa forma é bom, se dá ao homem momentos íntimos de entreter o leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco demente diríamos, ou o suficiente para recuperar as forças seguindo no ano cujo pequeno se faz flor. Bravo pequeno que quando mais próximo chega ao ano de seu dia ou ao dia de seu ano mais perdido estava em finalizar seus planos tão íntimos: apenas um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que de um sonho incompleto se torna a vida um grande enlace de fatos inesperáveis. Coisa que aos olhos do pequeno parecia ainda de ter esperança: controlar 0 futuro, depois de desafiar a muitos, e muitos tolos sobreviveriam para lhe garantir a história final? Ou ele mesmo seria um narrador desvasto: que vai, eu diria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada conforme seu planjenado, isso era certo. Nem o não-acontecido nem o acontecido: o pequeno estava conforme o plano do destino? Que muita ousadia tinha para desafiar o destino? Em 2008 nada mais lhe era verdade, os fatos: nen um deles. Ou todos eram tão verdadeiros que ele mesmo não pôde encarar assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube apenas silenciar e esperar. Na sua espera acreditou ter criado uma obra única chamada Orquídea, vinda de si mesmo e para si: fantasma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6840596774445310572?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6840596774445310572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea01-incompleto.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6840596774445310572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6840596774445310572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/orquidea01-incompleto.html' title='Orquídea01'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-2047726515022300053</id><published>2009-05-12T17:12:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T18:13:44.409-07:00</updated><title type='text'>Outono quinze</title><content type='html'>Quinze quantos números da sorte fossem: o inocente bateu à porta e entrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desajeitado, coitado, pediu para falar com o escritor. E com mil cigarros já fumados foi recebido com certo apreço. Finalmente o escritor sorriu? Parecia até que esperava que um dia ele chegaria desprevenido para lhe dizer coisas em silêncio. Jogava vídeo-game.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas hoje é seu aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês não fazem festas aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não na minha família. Eu pedi um gato de presente, mas minha mãe acha complicado. Meu irmão também. Depois que tivemos uma preta que morreu aqui. Não aqui onde moramos agora, já moramos na rua farrapos. Quer dizer, eu não. Eu nem tinha pra onde ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é engraçado, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer jogar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vi que você gostou de uma das pedras. Daquelas vulcânicas e ontem eu passei o dia inteiro e trouxe esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o inocente pudesse saber o que fizera o dia inteiro sem comer o pequeno, se o inocente pudesse advinhar a guerra antiga que se retornava naquele espírito ruim, se a bruxaria nem do demônio bastava. Ou era vingança de deus por ter matado seu filho expulso também? Dois filhos mortos, jamais. Era a tua hora pequeno e um menino procurava predras para brilhar seus olhos sórdidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que sabemos que o nosso vulnerável amigo não era insensível as doçuras e as risadas tênues que lhe vinham, nem aos choros ou aos soluços tortos de quem lhe concedia confissões sagradas do indíviduo. Restava-lhe continuar fingindo? Sim. O feio não lhe sairia a boca, o rico que lhe fugia, como tanto quis, agora o queria, novamente. E este menino com a pedra nas mãos? Ele existe? Não era melhor deixá-lo entrar um pouco ou quem sabe foi a sua persistência toda que rogou praga por havê-lo aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu de novo, viu o inocente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esta pedra me fará bem no inverno que tanto tenho medo e tanto tanto desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha o formato de um sabão perfeito e negro e brilhava, era mesmo, o inocente soube encontrar do mar algo que lhe fosse caro por todos os dias. Guardado hoje em lugar de trabalho para não esquecer que um dia fora amado sem precisar decifrar amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou o controle do game e fê-lo sentar-se ao lado. Conversava como se esquecesse de seus planos e de seus amores árduos. Se poderia, ao menos, deixaria alguém feliz por troca de pedras vulcânicas e sentimento humano. Até se parecia com sua poltrona puf de sentar-se como gordo, sensação nunca sentida do magricela, mas bem alimentada pela saúde imensa do inocente de olhos claros, claro... Não era um anjo da avenida estrela, era o recado: ainda que passe por cima dos mundos haverá alguém. Haverá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jogaram muito tempo. E as mãos pequenas e leitosas finas e delicadas de segurar sem parar o seu presente deixavam o rosto do rapaz desconcertado: ele não soltará a pedra que dei? Jamais?! E voltava à tv sorrindo e sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou passar dessa fase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A irreprocidade do nosso herói foi a prova que precisava de si de que nem tudo poderia ser frio e de que embora houvesse uma hora de partir permitiria ser cortejado até o inverno. no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não cheguemos tão apressadamente ao futuro capítulo. Se estende dor ao inocente. Que talvez eu narre ou deixe ao lado. É melhor que o sofrimento contaminado não seja. Pena não ser desta forma de reais fatos acontecidos em corações terrestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que a Personne miava incontente de ciúmes. Falar de outros como se traísse em póstumo os fatos que virão em 2008. No dia em que o DitoCujo perdeu a virgindade da sacada e caiu, como ela caía, escrever não é delicado. Dizia em seu roncado clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não é assim Personne que os homens fazem ao protelar seus diálogos mais belos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miãun... Aquele dia 20 foi um presente e quando os olhos se cruzaram pouco, o pequeno já soube advinhar o futuro sangrado que causaria. Pena, não ser de outra forma o seu coração tão térreo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se sem noção de tempo que um de seus infelizes causara certa felicidade assim, num ano de pneunomia, quando passava da rua dos farrapos à ilha a ponto de se formar, e tinha esse amor vesgo no seu esquecimento. Foi como tantos outros deixados pra trás, vinda as miseras racionalidades próprias com que manipulava os sentimentos ou um dos presentes cabíveis que lhe ofereceram os deuses por experimento. Fato é: foi experiência de saber-se iluminado, pequeno naqueles 2005 dourados de quase morrer e mesmo assim, sem casa ou destino, se formar com mérito 10. Há sempre um anjo experimentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era pra ele que ao final de um capítulo, eu lhes dizia, o único que dos infelizes admiráveis. Ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos aos amores felizes: não se pode dizer que feliz é o amor irrecíproco, mas dessa mesma lei é que surge às mais cenas delicadas de expressão, nem faz rir, mas de sorriso faz um bobo qualquer. A ilusão deixada: finalmente aberto o nosso herói nem pensou que pudesse causar ou se era culpado de ser amado ou não. Sou gente, pensava, e ele crescerá e descobrirá por si próprio o caminho das mentiras e daquelas que nos ensinaram a creditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrada do inverno: e nós veremos esses dois personagens se diluindo no amor que um queria e na morte de outro que não tinha a quem amar. Só o feio, só o feio lhe retumbava mais que o demônio, muito mais. Matado os mitos, sobram mesmo homens. ou os mesmos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-2047726515022300053?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/2047726515022300053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outono-quinze.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2047726515022300053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2047726515022300053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outono-quinze.html' title='Outono quinze'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-3294699854541729761</id><published>2009-05-12T16:49:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T17:12:19.855-07:00</updated><title type='text'>Outono quartorze</title><content type='html'>Algumas idas e vindas e o nosso heroizinho se recuperava ou se equilibrava ou se estendia um pouco mais: há rédeas demais em seu espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpreendentemente o inocento começou a encontrá-lo, numa volta, num outro momento, numa esquina da Zimba, numa praia. Num lugar. Ele estava lá. Ele esteve lá e o observou sem mácula. O que ele queria, pouco importava ao pequeno que tu sabia prevenir, menos o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que fugisse como de outrora de qualquer contato humano, mas não precisava mais se ver negar e despojar mortos corações a quem viesse. Homens-corvos que viriam lhe tragar o sémen, há tantos assim. E eu sou o quê? Julgava-se lesma. Só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo é que o inocente não investia, sorria quando podia ser notado. Até que caminharam na praia, atividade que o pequeno passara a ter nos raros dias de sol dos últimos dias daquela estação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece até que advinhara que descia sem pressa, olhos pra dentro bem dentro, com certeza angustiado de ser livre demais. Tinha seu plano em mente, mas a história não se prolongava em tempo de definir. E o inverno, por que demoravas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele correu, sem os amigos ficava mais belo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sempre vem caminhar, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando faz um pouco de sol. Ou quando o céu está claro, talvez. É bonito o sol de outono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Daria um título para um livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Achei que você era surfista, não me lembro muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquele dia na ilha eu me perdi. Mas tudo bem, eu tinha ficado tão feliz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminharam bastante em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu leio sabia, eu leio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também. Mas nunca irei ao mar. O mar me causa medo. Olha lá, não tem estrada pra ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pararam e sentaram num monte de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem gente que fala de ti...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já me disse isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu não me importo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não agora, depois... Depois você deverá se importar. Não se sinta mal se começares...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não tô nem aí, eu não me importo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que o pequeno viu coragem naquelas palavras. Era a jovem coragem musculosa das ondas e dos ventos nunca tardios daquela cidade. Boa para poemas. Nunca para romances. Ou ambas as coisas. Vendo o mar, se perdia de fato e aquele mar horizontal foi-se verticalizando de tal forma que ele tonteou, mas fingiu. O inocente sorria tentando falar qualquer coisa agradável, mas talvez tivesse muito muito medo de cometer bobagens. O pequeno sentia isso por uma vibração de voz, mas estava concentrado naquele mar-tela-de-computador e do dia fatídico há pouco tempo que descobrira seu antigo amor na ciência neurológica. Foi quando se deu conta de que estava mal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inocente correu e por alguns momentos desaparecera por algum lugar. Em alguns minutos o pequeno chorou bastante a lástima de ser pego tão desprevenido. O rico certamente desaparecido. Os infelizes contentes, sentia. E o primeiro amor retombante feito o mar sem estrada. Retornante de um caldo semi sangue semi dor sem sêmem algum de si. Forte, chuvoso e demorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É assim o amor, falou baixinho com os pés de areia e o vento que soprava bem ralo por cinco centímetros de chão. Traz calma com esses pedacinhos espetosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente vazia rompe o silêncio. É hora do inverno. Não pode ser que chegara ali por tanto e tão pouco. Verdade ou não: o pequeno tremeu frases que pareciam o nome do amado. antigo o feio amado e feio. Os cálculo todos lhe vieram e tudo o que ousou esquecer de memória e de sentimentos estava tudo a sua frente: o mar, de fato é uma desgraça aos homens sãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se. Era hora de parar com tudo e alegrou-se: era mesmo a hora tão esperada. O inverno será daqui três dias apenas. E morre em paz. Se dei voltas pra descobrir este novo inferno em mim. Sentiu o nome que te evocava, mar a mar, estavam próximos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou, mas sem chorar. Nem lágrima teria a sorte de vê-lo autohumilhado e descontente. Alegre também! Era a hora era a hora! Submeter-se ao antigo amor, que feia é a inocência pura e simples ou as crenças que não conseguiu tirar de si, de repente voltam como cataclismo de onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvia de espírito o feio chamando o seu corpo todo sadio de ser frígido e a voz do inocente ao longe e correndo para alcançá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorria sempre? Por quê? E a camiseta fora do corpo, o vento chegava a cintura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É noroeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dentro da camiseta mil pedras para que se divertisse. Você estava tão triste no seu silêncio. Suava. Suava em dia úmido como aquele suava. Mas tão impregnado de certo amor que o pequeno não se percebia dele e nem ele da dor do pequeno. Parados em que o mundo dizia: não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-3294699854541729761?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/3294699854541729761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outono-quartorze.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/3294699854541729761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/3294699854541729761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outono-quartorze.html' title='Outono quartorze'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-8414468580392664028</id><published>2009-05-08T01:01:00.001-07:00</published><updated>2009-05-12T16:49:33.159-07:00</updated><title type='text'>Outono treze</title><content type='html'>Se mal sabe em que jogo entra quando o pequeno era fruto, agora, de mil discórdias e novos imprevistos. O inocente conversava alegre sobre a possibilidade de um dia morar na Ilha e falava muito bem sobre coisas do mar e dos ventos de Imbituba, cidade Zimba, à 100km aproximados da capital da Santa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O não-coração do pequeno batia calmamente e permita-se adentro de uma viagem não sua, embora não lhe fosse dar continuidade jamais. Coisa feita com tantos passantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia dos detalhes era garantida, pois perguntando-os o pequeno mantinha o diálogo e o dialoguante. Ao pequeno no entanto sempre preferiu os paradigmas encontrados nas entrefalas e cortes de sorriso. Muitos que lhe colocaram no ouvido, nas bravezas da vida: também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas passava-se algo desapercebido, talvez, o braço encostado, o rebraço, a postura do garoto de 17 anos esticada por tempo demais de um dorso bastante caro, pelos aspectos biológicos sim, mas do exercício natural de um menino praiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses momentos é que o outro não sabe do jogo subentendido estabelecido pelo autor: o falante se encontra interessante ao ouvido, o ouvido se mostra interessado à fala, mas nada disso diz respeito às paixões. Por humana humanidade, claro, todos e quem não se sentiria bem ao lado daqueles que nos ouvem com orelhas atenciosas e sem julgamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esta é a ilha que nunca pisei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas olhava mesmo era para o nosso pequeno, uma curiosidade tardia, talvez, um sonho de perder a primeira vista da ponte naquele dia, de outono nublado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno não se moveu em alma e espirrou talvez uma certa piedade. A sua arrogância já sabia e o prevenia de que se fora sortudo, o inocente nunca mais cruzaria ônibus consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As aventursa na ilha eram um despacho do tempo solitário. Era um desacordo ludibrioso em que a demência lhe toma certo corpo e por onde poderíamos achá-lo feliz. Se essa palavra o coubesse. Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inocente carregou sua mala leve sem recusas, com admiração perdeu-se na ilha, ficou sabendo mais tarde em seus novos momentos. Ele não conhecia nada e o minúsculo não ofereceu nada de si. Nem uma dica, nem uma rota, nem uma estrada. Que vá à praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E onde você vai ficar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sorri ainda? Pensou não respondendo mais uma vez, pediu a mala com as mãos. Que o outro tocou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-8414468580392664028?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/8414468580392664028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outono-treze-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8414468580392664028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8414468580392664028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outono-treze-incompleto.html' title='Outono treze'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-7831003706956474468</id><published>2009-05-07T22:51:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T00:58:03.646-07:00</updated><title type='text'>Outubro doze</title><content type='html'>O inocente abriu os sensores de um quase robótico homem das contemporâneas idéias. E daí, é que outros invadem. E daí, é que outros ressurgem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa passagem à ilha, onde as mágicas acontecem tão aleatórias e desprevinidas, o que se calcularia então. Recebido com frieza na poltrona ao lado. O inocente sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente o pequeno, embora apreciasse a paisagem dos últimos resquícios de outono não se apercebera da gentileza de dois lábios tão espontâneos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já te vi por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não ouviu a frase singela, ou preferiu não ter ouvido. Fato é que não respondera à nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não respondera nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, fora levado a olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De quando me conheces?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez não sei da tua janela, você não mora ali... assim... assado... e passa horas no quarto assistindo o céu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é que se pode ser notado daquela forma por um estranho. Se é que ainda há estranhos que notam outros estranhos nessa vida, o pequeno abriu-se ao diálogo sincero, ou permissivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode ser que seja eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E tinha os olhos sempre tristes ou era alguma idéia fabulosa. O pessoa daqui me disse, ali tem um escritor, sabia? E ele é maluco, e... diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, eu sou diferente, mas não de todos nós. Eu creio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inocente sorriu mais uma vez e aí sim estendeu os lábios à alegria espontânea de conversar com quem tanto viu de passagem e histórias ouvidas de um povo que fala, não porque seja de interior, mas porque o estranho pequeno causava a fala necessária aos mistérios que os jovens sempre especulam entre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regorjitou por si que aqueles olhos de admiração, será que negligenciria?Quem por que aparece para desviar meus intuitos sem ser alguém de fato? Mas abrir-se ao novo fraterno que nada terá ao meu útil futuro: valerá a pena? Nem sempre vale, mas a viagem é cansativa por si só, embora dure pouco, e a paisagem conheço mais que este rosto inocente que ao menos se dispôs a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu entendo pouco das pessoas daqui. De fato, não me interessam. Nem o inverno que virá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frieza do pequeno alimentav o calor daquele rosto inseguro e cheio de perguntas feitas e quistas imediatas pelo contato direto com alguém tão disperso de si? Quanta aparência sem interpretação faria o pequeno? Nenhuma. Nenhuma. Nenhuma. Nem quis saber por que vez ou outra era visto. Certamente da janela da sala ou de seu quarto onde passara horas vendo os céus penumbrosos que chegavam ao longe, certamente ao ter suas idéias ou deixar que a fumaça se espandisse do cigarro à cidade, enfim, quantos não o notariam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu moro aqui também! Mas será a minha primeira ida sozinho a Florianópolis, sabia? É pra lá que vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demonstrou ansiedade e receios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu conheço por lá, mas para onde você vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra casa de um amigo. Minha mãe deixou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é legal, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os assuntos foram puxados, como puxam certas curiosidades que o pequeno mal respondia, apenas por que era desnecessária até a companhia naquele momento em que pretendia calcular tudo pela vitória e pelos fins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí gaguejou um pouco. E teve coragem de ainda falar sobre o pessoal que dizia sobre o diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então é isso que sou: o diferente? Achava ser pequeno e imperceptível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não não, não quis te ofender... é que é diferente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não ligo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sou a melhor companhia eu acho. Mas bem, daria um bom conto se me contasse um conto teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos o pequeno usurpava da boca dos outros histórias que se lembraria ao fragmentar outras tantas para criar as suas fictícias. É um bom passatempo aos que se escondem de si expondo os outros a revelia de detalhes mixados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já que estás aqui. Me fala dessa aventura que será, a Ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nisso ninguém poderia supor, que à dedicação do pequeno sempre haveria um outro motivo. Interno, da criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inocente tocou em seus braços, sem querer, mas pediu desculpas mesmo assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-7831003706956474468?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/7831003706956474468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outubro-doze.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7831003706956474468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7831003706956474468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outubro-doze.html' title='Outubro doze'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-7659364915105486035</id><published>2009-05-03T02:13:00.000-07:00</published><updated>2009-05-07T23:26:04.701-07:00</updated><title type='text'>Outono onze</title><content type='html'>O fim do outono aproximava o pequeno do pior de si. Mas estava ele, tanto quanto os outros escondidos: sob o disfarce de não-serem amados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O inverno tinha garras que o pequeno ameaçava suportar. Caso continue vivo, dizia o rico, tu serás meu um dia: inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era bem assim que se pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro, feio, nem sequer lembrava que algum dia pudesse sonhar novamente de reencontros. Mas de certo aparecera pela já citada neurociência em um artigo encontrado pelo pequeno sobre a nova ciência! Coincidência: olhos em perturbação, talvez, fora isso que acontecera ao feio? Os mesmos interesses... O que lhe repercurtiu então fora um susto. Como ele chegara lá? O que ele, o feio, está fazendo aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareceu-lhe não se assustar com a coincidência. O inverno se aproximava e os indícios estiveram por ali. Recorriam-se na alma impenetrável de passionalidades e vitoriosa. Bom assim, que não repercurte em mim passado nem amores. Certamente prova de que venci. Tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que adentra aos olhos, como enigma envenenado vai aos poucos percorrendo as veias, tentando achá-las, talvez um buraco de entrada e aí parar na bomba permanente e inquieta dos corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não do pequeno que tinha os planos do suicídio perfeito de si. Que o corpo, este biológico tão pouco aguentaria o inverno e tão pouco deus, talvez, alguma coisa mística, ainda lhe permitiria viver por conta de um simples livro narrado de dez em dez linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém como já havíamos apresentado, a aparência: ou surgimento do inocente acontecera. Numa ida à ilha, talver por discreta despedida. Eles se cruzaram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-7659364915105486035?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/7659364915105486035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outono-onze-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7659364915105486035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7659364915105486035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/05/outono-onze-incompleto.html' title='Outono onze'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-7055137916306885640</id><published>2009-04-27T01:54:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T02:23:31.483-07:00</updated><title type='text'>Outono dez</title><content type='html'>A tortura com o quadro durara exatamente uma semana. E exatamente uma semana a moça que fazia as comidas não sabia de nada. Onde a faca estaria? Nunca soubera, nem saberá, a não ser, é claro, que um dia chegue até aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o enfrentamento. O escândalo nos céus. Um espírito de horror. Todos se horrizaram do banquete que o pequeno fez da pobre alma do diabo. Repito alma, repito demo, repito. Dito. Dito-cujo. Cujo. Cujo nome nunca dito. E todo o prazer do mundo é seu, meu querido que matou o imundo esquartejando assim a última sombra da cultura que lhe restava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os parentes demoraram muito para, enfim, perguntar que diabos ele tinha feito daquela freira maldita? E na maior tranquilidade em 2008 o pequeno sorria dizendo: eu destrui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não a vida. Eles brindravam naquele dia. Eles brindavam naquele dia de inverno de 2008, um ano depois de sua loucura, em que o pequeno mais belo não ousaria ser aos quase 30. Ou 31? Ah, me desculpem, outono ainda. Era 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois vejam, se depois disso tudo, o pequeno teria medo mais de QUÊ? ou de QUEM? Do monte cristo certamente é que não. Nem de seu rico nem de seu feio que re-aparecerão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vida, por centenas delas, foi o que ganhara de deus, assim calculava, brincando nos campos de si mesmo. Cortejando a liberdade e as aparências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o amor é mais forte que tudo. Mas seria? E embora odiasse a idéia de escrever por toda a vida, e embora não soubesse como esperaria a vida. Ele não tinha mais angústias a tratar. Mas o mundo tinha. Deixemos o mundo. Começamos no amor neste parágrafo em que eu devo introduzir um peronagem muito, muito especial. No que chamarei: o inocente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matado o demônio. Ou acabado com ele para aquela encarnação. O pequeno voltara as suas atividades diárias, mas numa calma tão leve e sincera que ninguém imaginaria que ele ainda atentaria contra sua própria vida. A mãe de certo lhe conhecia os truques da alma. E ficara atenta aos seus próximos passos quando percebera que a tal faca voltar ao seu lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outono de desespero. Que ainda não chegara o ano em que sorririam. E se trato os anos com descuidado é porque de fato, o tempo não existia, naquele mar da Ziiiimbaaaa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O restantes das tantas páginas ele terminara em duas semanas. Tudo tão rápido e claro em suas idéias. O novo romance está pronto! A mãe lia e se distraia com aquilo de ler o próprio filho. O irmão não tinha paciência para essa coisas. Mais gostava de pornografia, e até ganhava dinheiro com isso, fotos de mulheres nuas, fotos de mulheres que os homens de países distantes e oprimidos não podiam ver publicamente. Em que uma buceta era vista, que horror! Quanta tragédia, dizia a música daqueles dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabada a estação no dia em que completava 30 anos de viver e sobreviver de si e desgastar-se a si até a última batalha, não? Não última que ainda haveria vida pra se tratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como? Agora eu que testo. Eu que mando e se eu tenho a caneta, eu a domino. Se minha mão se perder, eu perco a caneta e perco a vida, pensava o pequeno distraidamente. Decidira ver o que acontecia. Sentiu tédio, sentiu alegria. E sentiu que a idéia que lhe vinha, do romance seguinte, fosse genial!  Mas o inverno trazia ódio em sua alma, ódio do próprio tempo, dessa vez como tempestade e trovões que eu digo. O tempo desses que a gente pergunta como está o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a decisão de se deixar levar, seria conforme o inverno pedisse. Na metade do livro, ou mais que a metade da metade, veria, por que acreditava que era missão chegar ao fim de um conto ou qualquer narrativa fictícia. Assim, é que seu corpo burlava engenhosamente os acontecimentos incríveis a que se arriscava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As idéias se entrecruzam, o amor virá, mais brevemente possível. Talvez lhe arranque os olhos, talvez lhe dê novo impulso. Talvez lhe dê um como? Resposta ao qual já não importava. Importava continuar desafiando quem fosse, dessa vez fosse o corpo físico. Que momento, em que página de seu Boa Noite Cinderala faria aquilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Boa Noite Cinderela fora escrito justa e apenasmente para lhe provar que esteve certo. O que lhe viera brincando brincando foram as virtualidades, mesmo. Estas reais virtualidades do mundo da rede. Lembrou-se que havia uma disciplina humana, e a cultura que já estava novamente bem aceita em sua mente não lhe importunaria de pesquisá-la, era uma nova ciência surgida pelos fins do século vinte atravessando aquele vinte e um como o herói atravessava, despercebido e seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neurociência brilhava em seus olhos. Mais uma vez, estando vivo, a quem não brilharia com tantos poderes adquiridos? A mim, talvez não, que caía no enredo para lhes contar a história do que é capaz o amor. Procurou por textos na internet e terminava jogos de vídeogames. O amor calava-se ao pequeno, como se espreitando uma porta, uma brecha que lhe entrasse de novo o peito ou adentrasse de alguma forma arrebatadora como lá nos velhos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos falando do amor passional. Entendam. Porque amor de gente, o pequeno tinha e sabia distribuir, com sua presença, por exemplo, muito estranha naquela vizinhança de cidade pequena, acontecera até de ser admirado e de ser amado por uma família tão bem-vinda e querida mesmo, que via nele um pobre perdido, as crianças principalmente, um tio, uma tia, que parou ali para distraí-los. Dessa humanidade, da humanidade de sua família e de seus amigos, a toda esta, o pequeno era grato, bastava que respeitassem a sua falta de paixão carnal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-7055137916306885640?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/7055137916306885640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-dez.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7055137916306885640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7055137916306885640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-dez.html' title='Outono dez'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6157922486447139379</id><published>2009-04-27T01:32:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T01:54:38.727-07:00</updated><title type='text'>Outono nove</title><content type='html'>Acordara.&lt;br /&gt;A partir de então, dormira todas as noites esperando por sua visita. Dois meses se passaram. E ele chegou:&lt;br /&gt;"Estás de férias no mesmo apartamento, já não estavas aqui, já não estavas lá, por onde andavas? Dois anos se passarão, dois lognos meses se concluíram, mas do seu tempo eu não participo. Que terrível sofrimento. Ele ouvia se aproximando dos corredores, subindo as escadas vagarosamente, chegando ao seu encontro. Dlim-dlon. Tudo parecia tão real. É preciso dar as caras à realidade nos sonhos para que eles pareçam de fato verdade. Dlim-dlon. O medo lhe subiu. A visita esperada, a visita tão esperada. Lhe subia. Esquentou seu rostinho, esquentou, não foi! Esquento. E ele não teve coragem de abrir a porta. Foi até ela e não abriu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A recusa, veio em seguida, se naquele tempo tinha seus 17 não fora aos dezoito que por aí encontrara o amor? E não tivera tantas vezes que revoltar Brasília em sua alma e até lá pedir perdão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos, e sorriam dessa vez, não era nada de político. O nosso pequeno não atendera a porta de medo. E medo ele dissse pra si mesmo: nunca, nunca mais eu sentirei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sentiu. Coisa que narraremos num próximo capítulo. O importante agora era não perder o foco da madrugada. A insônia começou a surgir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ilha, perseguiu o demônio o quanto pude, mas as bruxas, elas só o seduziam. E com elas lhe impregnava de feitiços e os feitiços, meus caros, meu pequeno, ninguém pode salvá-los daquilo que és!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2007: novamente. Paramos quando nosso menino rezava implorando por respostas que não viesse dele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Era como se fosse real, acordava na mesma cama. O remédio não funcionara? Ao invés do quadro então deparou-se com aqueles olhos tão conhecidos, no próprio sonho lembrara-se do último sonho com o demônio quando ele lhe passava os olhos bem vermelhos e pele tão plástica que chegava a brilhar no meio de uma multidão que não o via, o diabo quis dizer o quê? Que estava satisfeito? Não fora depois deste sonho que sumira ao Rio, pequeno? Mas fora de medo. De quê? De uma nova vida. De uma vida indestinável? Foda-se. Voltou ao próprio sonho com força deplorável. Tu me olhas e eu te quero. Eu não tenho consolo eu rezei pra estar aqui e quem me dá respostas: és tu, demônio!? Ria. Ri. Onde é que esteve no meu tormento? Mas pequeno, cuidado com a língua do espírito, deixa ao menos eu te tocar um pouco, a pele que tu tanto escondes de mim. Criaste um corpo de gente e minha ficava pra trás, era o que seus olhos diziam. E o pequeno deixou ele se aproximar mais e perguntou sinceramente com os braços estendidos, perguntou chorando. Era o único que lhe daria a garantia de uma resposta externa, que fosse: Como? Como esperarei pelos restos dos dias se viverei tanto assim? Das mãos do demônio triste flutuou certo objeto que o pequeno deixou vir. Não soube discernir, parecia mais um remédio. E disse sim. Mas ao tocá-lo logo viu, que a ironia era mais forte que o tempo e que o poderes satânicos que haviam lhe protegido por certo amor. Olhou para frente rapiamente segundos que teve para ver até o Dito fugia, lhe fugia! Te fugia, era? Fugia? Mas não de costas, ao menos honrou sumir pelo mesmo quadro ainda que com tristes olhos de lamentação. No sonho ainda o pequeno horrorizado com a primeira caneta que ousara escrever um dia e ter dito: sou isso. Na mão esquerda, aquela... do coração."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi exatamente assim que acordara. A mão estendida ainda e larga de fúria. Alguém tem idéia do que um sonho deste é capaz de fazer com uma criatura viva assim? A grande faca de cozinha ainda estava ao seu lado, numa mesa onde ficava seu pequeno computador, o quadro do demônio que ele tanto idolatrava, logo logo na sua frente e aquela freira. Coitada, me desculpa a amargura das palavras, meu amigo, mas sim, você enlouqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a calma adquirida sem muito esforço, com o tempo de espera que tinha. Olhou para o relógio com a faca já nas mãos, não passara uma hora que tinha se induzido ao sono com aquele gostinho azul. Não. Nem havia espelhos no seu quarto. Era de tarde. E nem o capeta tinha a coragem de chegar tão próximo? Fizeste bem, pensara, nos teus olhos tristes. Mas a ti, eu ofereço o meu rancor. Colocara novamente o diabo de frente e olhara em seus olhos e metera-lhe a faca e abaixara de cabeça novamente e deixara assim, por um dia inteiro a alma dependurada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora até a sala e decidira à mãe que naquele dia não trabalhava. Que estranho sorriso era aquele, meu filho? Não era estranho, mãe, antes de dominar a escrita, eu enfrento o diabo. Também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6157922486447139379?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6157922486447139379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-nove.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6157922486447139379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6157922486447139379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-nove.html' title='Outono nove'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-4312920802950182060</id><published>2009-04-27T01:13:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T01:32:04.989-07:00</updated><title type='text'>Outono oito</title><content type='html'>Não tenhamos pressa, que este outono é rigoroso e os avisos já foram dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De alguma forma você morre pela boca, e sobrevive ainda. Pequenos poderiam ser estes dias em que não nos matam a dor, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos à eles, aos dias. Após o filme o pequeno se levantara e correra ao quarto. Tomou de inúmeras e variáveis fórmulas químicas quando psicológica podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperar é não seguir em frente, amigo, ouvia. Ouvia. Ouvia. E escutou que não havia esperança, apesar da espera. Havia um quadro em sua frente, muitos o temiam e eu na minha frágil memória me lembro pouco de ter narrado, porém darei a continuidade aos fatos da seguinte forma:&lt;br /&gt;Que ele se levantou do chão.&lt;br /&gt;Que não se desesperou.&lt;br /&gt;Que olhou para a imagem da freira mórbida.&lt;br /&gt;Que virou o quadro e lá estava:&lt;br /&gt;o diabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como um psicopata faria com sua vítima, o nosso amiguinho conservou as mãos seguras e deliciou-se com o mistério pronto. Virou o quadro de cabeça para baixo e viu assim o demônio e sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deu continuidade ao riso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era surpreendente a forma como se surpreendia e aos coitados familiares que viram seu vulto pegar uma enorme faca, mas não puderam acreditar no intento. Imediatamente o garoto voltava à sala. Antes de prestar à loucura, talvez lhe ocorresse que fosse de bem conversar mais uma vez com a mãe e talvez tentar obter respostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora me dei conta, mãe, que não tem saída. Esperar é esperar e tu precisas me dizer como.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe, sentada, lhe retrucou a resposta do antigo "como como?" e o antigo "como como?" se tornaria triplo se não fosse perpicaz do pequeno parar com aquilo. Ninguém humana raça lhe daria respostas. Que no fundo ele já sabia. Olhou para as próprias mãos e voltou ao quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava a faca, lá estava o diabo de cabeça pra baixo. Lá estava o último ícone que lhe perseguiu tanto quanto deus em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se do último sonho que tivera com ele, e que no Rio não o obcediara. O Cristo era tão forte assim, capeta? Sorriu. Não, ele não  te trará respostas, pequeno, acabe com isso e acabe já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu tomar mais remédio e não trabalhar de novo, era uma quarta ou terça-feira, era um dia desses que atentara contra seus próprios critérios. Virou de novo à freira: e rezou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rezou com fé. Ou se ele havia alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último sonho, depois de vários, desde aquele dia da voz ouvida na sala dos 17 anos no metal daquela tarde, fora também em Brasília. Era certo que lá também virara as costas ao demo, num sonho muito interessante e eis que narrarei o que me foi dado:&lt;br /&gt;"Chegara ao inferno, ou o que isso fosse, sozinho. Um de seus membros séquitos se surpreendeu. O portão estava aberto. Sempre estará pra você. Que saudades! Eu também, e se abraçaram longamente. Pediu que esperasse, ele quer falar contigo. Eu também quero. Ele sente saudades, eu também sinto. Espere aqui nesta sala. Naquela sala havia vários seres deformados no que ele acariciara maliciosamente, ele, o pequeno, não o que esperava. Voltara o mensageiro amigo dizendo que dessa vez o grande iria lhe visitar, como sempre prometido, iria até o seu apartamento, o da tia que lhe acolhia. Mas a tia sentiria medo?! E tu, sentirias? Não, claro que não. Então atenda. É uma pena que não por esta noite, é uma pena...&lt;br /&gt;Na saída havia uma piscina cheia também de moedas. Muitas moedas e ele viu muitas moedas. No chão, no pátio, a árvore semi ressecada. Era qual estação? Muitas moedas brilhavam. Se agachou para pegá-las e lembrou-se de que nunca ousaria roubar uma peça do eterno coitado. Não, não fora bem isso, nunca faria isso com seu querido diabo, e já que lhe concedia uma visita, tão especial assim, de ter que subir à terra, que não fosse para acusá-lo de ladrão. Não?"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-4312920802950182060?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/4312920802950182060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-oito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4312920802950182060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4312920802950182060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-oito.html' title='Outono oito'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-3560595669520078873</id><published>2009-04-27T00:54:00.001-07:00</published><updated>2009-04-27T01:13:09.008-07:00</updated><title type='text'>Outono sete</title><content type='html'>A mãe lhe chamara pra conversar. Foi uma conversa muito íntima, mas ela tocara no ponto existencial mais uma vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se ele vai esperar... como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal se drenara da nova idéia e já lhe vinha o como e os porquês. As causas e consequências. E claro, as decpções de seu novo reinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém ele era sincero em responder que ainda não sabia como. Que ainda lhe faltava terminar todas aquelas páginas. E que terminaria muito mais rapidamente do que se pretendia. Ousaram dar um ano inteiro para o que concluiu em meses, quatro meses. Talvez os parentes até sentissem medo e calafrio: o que faria da sua vida depois dessa obsessão, se mal fala conosco e agora que descobrira que não precisa nem do amor que sente, e que não se lembra nem dos nomes do rico nem do feio, nem de ninguém que pudesse ter lhe dado a mão, é que desconfiamos de sua loucura imensa e qualquer coisa que ele vir a fazer pode ser qualquer coisa de destruição. A mãe duvidara que ele seria capaz de se matar. O irmão também. Conversaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, ele não escrevera. Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficara com aquilo na cabeça, é como o chefe de estado que novamente precisa pensar em vez de curtir o poder adquirido. Calcular e maquinar o futuro. Se tantas vezes o futuro lhe era irônico?! Por quê? Talvez burlar o futuro fosse seu novo brinquedo. Por que não? Também tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer maneira, leitores, fechem os olhos para o que está por vir. Não é atoa que neste capítulo de estação nós revelamos partes do invisível. Nós, eu e o pequeno que se permitiu assim: e nem o seu querido Dito nem a sua querida Persone entraram no quarto com medo disto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em respeito a quem os gatos brincam?&lt;br /&gt;- A ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois gatos malhados, o puro branco o puro negro em uma só pele. Os seus bigodes ambíguos, olhares de gente, as patas tão acaraciadas. Tão bem tratados gatos. Nem eles acompanhariam ou conceberiam o que se intocava. Porque há segredos em 2008, há segredos em 2007 e há segredos perpétuos aos quais o próprio pequeno desconhecia de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos, dos: pára-os. Ele disse. Ouviu suas próprias traições com muito cuidado. Ouviu seus pensamentos mais doentios. Deu vazão a eles, mas dessa vez não na escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estava no futuro seu novo brinquedo. Mas ele ainda descobriria. O que lhe fez parar no entanto, fora um filme, coisa da cultura ocidental. A megalomania por desafios mentais, automentais, desaparecera quando, num momento de distração aceitara a vê-lo, porque era famoso? Por que saboreava muitas vezes da mãe e do irmão que lhe atendiam tanto de braços abertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes se perguntava, como eles o suportavam e se perguntaria até o fim, sabendo que aquilo se chamava amor. E sentindo amor por eles, lamentava que a sua sorte talvez fosse aquela: amor fraterno apenas amor universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conflito, no entanto, não lhe invadia. Amor fraterno apenas era o que ele de fato sentia. Está feito, eu consegui, dizia pra si mesmo enquanto assistia ao filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do filme é demais conhecida. E que não revelarei por falta de parâmetros. Às vezes a cultura se volta contra si mesmo, pequeno, quando dela não queremos mais nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-3560595669520078873?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/3560595669520078873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-sete.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/3560595669520078873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/3560595669520078873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-sete.html' title='Outono sete'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6660910274009943600</id><published>2009-04-27T00:33:00.001-07:00</published><updated>2009-04-27T00:53:51.785-07:00</updated><title type='text'>Outono seis</title><content type='html'>Mas com que números e inúmeros ele completaria os termos daquela missão maldita!? Não lhe era permitido nem saber o que se restaria de um ser tão medíocre e ordinário que avançara pela vida apenas por sua capacidade biológica de adaptação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odiava o sussurro vindo do inverno que anunciava a precpitação. Odiava as palavras da mãe que não lhe causava tranquilidade, embora ela permanecesse fiel ao seu sentimento materno e uma vez escolhido o filho de volta: não lhe negasse a mão. Mas o corpo inteiro também que não conseguia entrar em seu quarto, porque a loucura ali impregnada lhe causava sufoco. Sufoco que o pequeno causava com sua alma obesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idéias, idéias sem fim! E nenhum amor naquela alma vadia? Nem dinheiro. Nem miséria, mesma! Nada que pusesse fim ao seu tormento. A intensidade de seus horários que tanto respeitava era tão viril e máscula: que o próprio pequeno se assustava de si. De onde que vem isso? Se perguntava, mas não parava, não parava um segundo. E durante toda aquele período não saberemos, talvez sim um dia, o quanto foi produtivo ou não em termos de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco lhe importava, conquanto mantivesse o mínimo contato com qualquer homem ou desagrado. O seu rico lhe deixara à sua vontade. E aquele feio? Nem se lembrara que existia um dia. Os outros ele vira junto com o ranzinza partir no ônibus que cruzaria o sul até sua volta à Santo, São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os verdadeiros amigos lhe dedicavam consideração, mas honraram a sua decisão doentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na metade do caminho, ainda faltavam mais de mil páginas a serem confiscadas ou alteradas ou continuadas ou perpetuadas ou deletadas ou rasgadas ou... Como era triste ser OU e seu instinto o guiava a ser E. Por que não sabia. Sabia fazer o que lhe agradava, mas naquele dia de sol de outono, quase raro naquele ano, quando se deu conta de que vivia: mama, eu vivo ainda!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você teve tudo o que você queria, não foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Até agora sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E por que esta felicidade toda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava irradiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque eu burlei o amor, mãe. Porque eu realmente não me lembro de ter amado. Eu consegui. E por isso eu posso tudo agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe não entendeu, que o poder tudo era o de fazer o que quer que fosse com qualquer sentimento. Jogar pra lá e pra cá. Memórias não lhe atingiam, nada disso, ele reconfigurava ao sabor de testes e provas que se autofazia. E ria ria. Gargalhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu encontrei o meu segredo, mãe, o segredo que todos gostariam. O segredo que a minha Julieta quis, você leu mamãe, a minha Julieta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe fez que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela não morre, ela não vive até o final. As luzes se acabam quando se faz o fim. A peça acaba com ela e o punhal. O Romeu morto, mama, o Romeu morto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sua gargalhada era tão grande e intensa e imensamente viva que o irmão correu para vê-lo, talvez seu probre pobre irmãozinho estivesse curado! Até a mãe sentiu sorrir essa esperança. E o pequeno continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês sabem o que acontecem depois que as luzes se acabam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O irmão quis corrigi-lo. Não era melhor dizer que se apagam: Não! Não! Prestem atenção, ele dizia, com as mãos no alto, agora eu sei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi até a sua janela da sala e sorriu pro mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu odeio o mar, vocês sabem disso, eu odeio o inverno e ele está chegando. Eu odeio tudo isso. Mas eu espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando ele parecia ter voltado a si, ele se voltou ao quarto com uma nobreza incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou esperar pelo final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois, no entanto, ele se ajoelhara a rezar. Não vi a quem. Ouvi apenas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6660910274009943600?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6660910274009943600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-seis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6660910274009943600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6660910274009943600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-seis.html' title='Outono seis'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-7245429730481830590</id><published>2009-04-27T00:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T00:33:15.849-07:00</updated><title type='text'>Outono cinco</title><content type='html'>A vida era persistente em 2008.&lt;br /&gt;E o nosso pequeno achava que não conseguiria sobreviver ao último tiro que dera. Quando a vida lhe mostrou o caminho e lhe encaminhou aos escombros luminosos daquele dia de julho nem outono era mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ter sido uma sorte poder passar o inverno com sóis nunca vistos até então. Talvez o futuro, sim o futuro lhe preparasse qualquer outra oportunidade. É que ele sabia, que dividido em três: nos três amores que lhe cabiam, só um deles sobreviveria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes disso, porém era necessário narrar a sua trajetória ainda no rigoroso outono do ano anterior. Naquele tempo, como sabemos, ele se dedicou por quatro meses ininterruptos a sua maldita arte e ao desafio maior de sua pequena existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loucura ou não ele rejeitou a cristo na infância, se lembrava ao tocar a cicatriz na testa que tantas vezes ele se fez de carícias. Não é difícil imaginar tal cena, nem é difícil de imaginar que alugém assim possa te sido obra de ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suas idéias, do máximo que consigo enxergá-las, porque sei apenas dos fatos, o nosso amigo não tinha partido. O bem e o mal, é o que quero dizer, não fazia parte de seu caráter, pouco lhe importava, porque antes nunca fora cristão. E por que logo cometera o seu maior desrespeito a cristo, infante, mas nada tão inocente, é que lhe fora prometida a vida eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cigarro atrás do outro, um silêncio atrás do outro, um sigilo atrás do outro, nada disso o levara a loucura. Nenhuma dor física lhe faria parar o sossego maior que talvez lhe fosse: morrer enfim, e como que banido de si, pois que de si não desgrudava!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente enlouquecia, o que ninguém lhe via, o que nunca mostrara a não ser à dedicada mãe e irmão mais novo que lhe conheceram as dores da autotortura insana. A obsessão pela arte que ele negava e negava e negava em quantos sorrisos pudesse dar a sociedade ou ao vizinho, não era dada suficientemente para acabar com seu destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse um desagrado como tantos outros revelar seu propósito. Ele só queria paz.&lt;br /&gt;Mas isso causaria lágrimas aos leitores assíduos e os deixaria confusos quanto a permissão de julgarem o seu instinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum de seus admiradores, nem um de seus infelizes, nem os loucos ou suas cartas ou a memória de quaisquer amores e carícias, nada disso lhe inflava o ego: porque nenhum deles naqueles meses de 2007 foram lembrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o dia de sua glória maior sair daquele quarto cheio de escritos, muitas vezes contos irrevisados, romances deixados pra trás, novelas que só cabiam numa frase sem continuidade: iam pro lixo. Cartas não entregues, rabiscadas, censuradas, modificadas conforme a estética ou deixadas guardadas conforme o riso (porque muitas, creiam, eram ridículas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E rir de si mesmo era algo magnífico que só o pequeno podia consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no passado um dia houvesse sido julgado a criatura perversa e maquiavélica dos doces tempos dos vinte anos, ele teria dito: sim.&lt;br /&gt;Se no passado também, quase recente, alguém lhe dissesse, quão bondoso era, quão fraterno se estendia, ele teria dito: sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tremia as mãos que Persone intocava. Mas não sacudia-lhe insônia nem arrebatamentos que os remédios, tão humanos e perfeitos, lhe tratavam. E ainda assim, pilhas e pilhas de lexotans e outros que se diriam venenos, ele abusara. Sobrevivia a cada noite entre pesadelos e exatamente às nove horas da manhã, como pretendera seu corpo estava lá ao seu próprio trabalho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-7245429730481830590?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/7245429730481830590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/vida-era-persistente-em-2008.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7245429730481830590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7245429730481830590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/vida-era-persistente-em-2008.html' title='Outono cinco'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-1414125637108868524</id><published>2009-04-18T03:02:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T03:18:51.737-07:00</updated><title type='text'>Exceção de outono</title><content type='html'>Por que o minúsculo arrastava no seu destino tantas vítimas e todas depois que conhecera o feio? era algo de se pensar ou questionar, que o seu platonismo e firme caráter, amaldiçou os olhares de quem lhe viu bela espécime de orquídea. Dessas finas, no sentido, mais fino e diminuto que do amplo e vasto conjunto de suas milhares tipologias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeria falar dos condenados nesses anos todos? Que pena é o amor que cria amor nos olhos de quem talvez ame: porque o olhar do amado já teve seus olhos castrados. Ah, dessas pobre vítimas, como acontecera com o louco. Outros tantos enrendados por uma tal fraternidade ou por estes tais casos calculados pelo nosso diminutivo: que custaria crer, e mesmo o pequeno já cria, que não mais agora que se degredava de fato, depois de todas as aventuras, pudesse alguém, naquele finalzinho de mundo: que é sempre onde o mar começa, ainda alguém pousar em seu corpo com tal ilusão pretendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mais belo parece aquele desprovido de interesse e por carregar ao longo dos tempos tantos sigilos de guardar dois nomes na goela, é que se torna mais atraente: porque goela pulsa ao engolir espirros das fortes estações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou falar desses infelizes que a infelicidade bateu por terem se travado ou tentarem a ousadia ou pretensão vaidosa de que aquela flor era deles. Não era, era fantasma mesmo que nem souberam como burlava as leis da pequenez. Tão pequeno que se esvoaçava ali, por entre, os seus dedos: o que lhes causava loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O platônico de um torna-se o platônico de outro e, talvez, sucessivamente, pois não sei dos platõnicos de todos, cria uma rede de amores frustrados que vão vivendo por sob os olhos embriagados do século vinte e um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pequeno sempre fingindo não ter nada com aquilo, ou na certeza própria de quem realmente não tem nada a ver com o amor causado, apenas lamenta, mas não consola demais para não alimentar mais esperanças vãs. Ao menos nisso algumas vezes o pequeno foi decente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia se riu: sou possuído pelo passado e pelo nordeste, duas coisas muito, muito distantes de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora imaginem um mim grande. Embora não ultrapasse os um metro e sessenta e poucos do nosso jovem elaborador de textos. Riam-se ou odeiem a história sórdida e verdeira de um íntimo todo: mas não esqueçam jamais que isso termina no seguinte ano àquele, em que trabalhara pra si mesmo, seis horas por dia, todos os dias, menos domingo, repassando texto, criando novos textos, dedicando-se aos seus romances (os literários mesmos), esquecendo ainda criando fórmulas de esquecer de que vivia num mundo onde por onde estivesse, alto maro fosse, haveria de alguém notá-lo, pequeno e ainda lhe causar distúrbios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um fim pra isso tudo. Um fim de 2008. Lá, quando o Dito-cujo, gato peste, lhe foi entregue pelas águas da Zimba. Ou areia, onde não havia comida ao coitado bicho que mais parecia um rato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que os gatos são imprtantes e seus nomes também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, apenas um delicado amigo lhe criara uma passionalidade bela, que é quando iremos ao próximo texto: num ano que foi muito frio, na conclusão de sua faculdade, depois de sete anos tardia. Um rapaz que até hoje, por ele, o pequeno reza. 2004.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-1414125637108868524?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/1414125637108868524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/excecao-de-outono.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1414125637108868524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1414125637108868524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/excecao-de-outono.html' title='Exceção de outono'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-8230845862887601831</id><published>2009-04-18T02:30:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T03:01:14.509-07:00</updated><title type='text'>Outono quatro</title><content type='html'>De quantas mil facetas se fazem a releitura de amor em corpos tão diferentes?&lt;br /&gt;Nos seus contextos, nas suas histórias reais ou não, é que o amor bate seus fundamentos quase similares, nos sacríficios, nos orgulhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e no século vinte um onde as flores cada vez mais se tornam escassas por entre os prédios e por entre os jardins?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento de outono é pequeno em muitos lugares, naquele ano era enorme e grande: como se trouxesse junto boa parte de inverno. 2007 ou o local: a conjuntura dos dois, diriam os leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veremos. E nos surpreenderemos que ali já o futuro se incita. Voltemos ao futuro: 2008, onde, de fato, sabemos que há um final da história, final este que o pequeno, ainda tímido, teme em expor. Já está definido, sabemos que temos, porque o lemos no ano de 2009. E isto é muito verdadeiro: o amor pérpetuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que se desfaça ou ainda se refaça em várias outras particularidades, nem sempre sóbrias. Tons que de amarelo chegam ao violeta de uma esperança bem fraterna ou de uma paixão continuamente encravada nos espíritos das personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virá, quando do último do último capítulo, eis então, este de aqui em que o pequeno, desconcertado com o luxo do rico, se cala. Persone mia e o Dito-cujo (que ainda não foi enfrentado, creiam que o inferno ainda não se relatou): o Dito-cujo virou um gato. Nossos dois coadjuvantes malhados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, aquele rapaz, lembram-se do Rio de Janeiro que mora em São Paulo, a quem numa espécie de romantismo enganador o pequeno prometeu: em todas as cidades pelas quais passaremos... Ele chegou até a casa do pequeno, onde o pequeno era outro, afundado nas suas missões. Missões essas que tinham a ver com a escrita. Conheceu a mãe do pequeno e com ela travou cordial e muito saudável amizade. Dava tempo até de o pequeno dormir em sua paz de espinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficara feliz, é claro, a promessa se cumpria sem planejamento algum. A surpresa  da visita lá numa casinha ao sul do sul, onde as tempestades são vistas! Esteve nosso jovem ranzinza. Pelos fatos, não analisarei os motivos psicológicos a que veio ou emotivos ao que sempre nos propomos em crer: a paixão nos leva aos enredos, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é de espírito também falamos. E os espíritos rondaram pôr última guerra ou guerra definitiva, sem que nem o pequeno soubesse ou se preparasse a travar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejamos que ao rico, tudo estava como o pequeno havia lhe dito, lá na beirada da lagoa de freitas: eu tenho um namorado e eu voltarei para a casa materna. Defidamente o seu namoro criado por destino fora acompanhado, como se esperava e definidamente o rico também se surpreendeu de que pudesse ser muito mais séria a relação: como ele volta ao sul, o namorado ainda visita? É namoro mesmo. É abandono de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a casa, eis que continuará a ser construída. Como o fez. E o pequeno se ria, que quem pregava agora as peripécias era a própria vida. Quanto é aprazível que a vida te embale em mares certos, ainda que mares bastante intensos. Alguém conhece o valor desse agradecimento? Nos diga... ou crês ser fruto de apenas mais uma de suas fantasias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que entre trabalho e trabalho que num próximo capítulo descreverei e voltarei ao Dito: o pequeno, pela primeira vez, deu espaço a imaginar ou curiosisar-se por um outono nordestino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisa que até hoje lhe é difícil imaginar ou supor, porque imaginar de temperaturas e ventos: quem nos ensina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta de 48horas o pequeno e o ranzinza tiveram tempo sim de se amar um pouco: mas era tarde e lamentável que fosse, o nosso herói tão decidido, porque À partida de ônibus do ranzinza foi já tê-lo pensado: banido. Inútil ao seu destino, talvez mais tarde, talvez, muito talvez, quem sabe um amigo. Coisa que não ocorrerá, pois verão isto também em 2008 quando eles se encontrarão em outra cidade: na ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, não te atropelas nem te fragmentas, pequeno, que tenho dó de ti mesmo e a ti mesmo condeno de enredar histórias tão sórdidas aos infelizes, pequenos deleites que tu sabias não concretizar pra sempre, pequenos avisos que só dera previamente com os dedos minúsculos. E crês que viriam? Uma negação às vezes é doar o último cigarro do maço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz que o sábio sabe a hora do inverno, mas que o bobo sabe e não consegue prevê-lo. O inverno mal começara e já se tremia inteiro de angústia. Mas em trabalho ininterrupto, a fora a idéia de um outono pros lados quentes: havia a segunda palavra do ranzinza. Numa virada de noite, foram 48horas, lembrem-se, como se do nada, mais uma vez do nada ele apelara ao pequeno. Nesses momentos, o engraçado, é que o ranzinza ficava mais leve e suave: por isso digo, há obra doutro mundo em qualquer lugar fugidio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu sabes, tu sabes que deves voltar a falar com aquela família, tu sabes disso, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se da cama. Dessa vez não havia calma, um pequeno lapso talvez de agonia. Por que o ranzinza insistia nisso e não queria pensar nos misticismos, pois o pequeno era absolutamente contra análises de outra esfera. Pressentir a si mesmo já não era o bastante a ser um vidente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não sei, porque, como eu te disse (tentou mais uma vez mentir) eu os conheci, há muitos anos, é como se você me contasse uma vez eu fiz pintura, e dez anos depois alguém lhe dissesse, volta lá porque o seu professor e seus colegas ainda estão lá, porque eles se lembram de ti, e você respondesse: mas quando eu fiz eu não via essa importância, eu apenas fiz, nem me lembro direito disso, depois segui com o que quis. Não foi algo importante, pra que insistir nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não só nisso. Aquela energia que te falei... lembra, no Rio, ela te persegue aqui também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então me fala disso que me interessa mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Falo, que tu sabes qual é e que eu temo em dizer. É isso. Por que fazer pergunta que tu já sabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu não sei! Me enfurnei aqui e você vem me dizer essas bobagens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum, se tu vês como bobagens, tu és mesmo um ignorante sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltava aos poucos a ser o ranzinza de sempre e isso, de certa forma, aliviava o momento, mas não a mente já tão desacostumada de sanidade do nosso pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a tua mãe, ela não é toda espiritualista? (com tom irônico, poxa, acabaram de ser amigos, o ranzinzão tem mesmo jeito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As mães são todas espiritualistas, meu querido... meu querido, não falemos mais nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tirou sua calça e ali um sexo oral em que a lua batera bem com o vento calmo daquela noite fazendo a cortina traçar luz e ora sombra quase no mesmo movimento da boca em seu pênis já enrijecido. E o ranzinza parou de falar, como previsto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-8230845862887601831?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/8230845862887601831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-quatro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8230845862887601831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8230845862887601831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-quatro.html' title='Outono quatro'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-541704459809109044</id><published>2009-04-11T20:55:00.000-07:00</published><updated>2009-04-11T21:25:04.278-07:00</updated><title type='text'>Outono três</title><content type='html'>Não protele o melhor dos outonos aos leitores. Mas vamos ao futuro, que dói aquele dia.&lt;br /&gt;Vamos ao futuro que em 2009 escreves, mas imóvel ainda a alma presa ao 2008 de todas as vitórias!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ainda. Não é? Foi num outono que o rico lhe abraçou dizendo: o terreno está comprado. Foi também no outono seguinte que iniciaram as obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mão na massa e eu, graças a ti na minha vida, tenho pago mais caro os meus pedreiros. Para que tenham uma vida decente, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No nordeste é a mão-de-obra barata que constrói o brasil dos ricos. mas de cabeça chata haviam vários sulistas. engraçado isso. fazer vitória ao pé dos pobres que ficaram um pouco mais ricos com aquela construção. Pensou o pequeno, que, por não ser dado a falar de política, ficou calado. Não foi implicar com o rico, porque estava feliz de bobo ou o contrário, e o abraçava em meio-outono e isso por si só era viver um grande amor. mas deu poucos sorrisos. era como se o futuro lhe evocasse com a notícia de uma bela casa que ano a ano, a cada outono, se preparava para recebê-lo. Talvez sozinho, temeu o pequeno, porque o rico nunca estava, e mesmo lá pouco restaria... era assim que o rico o queria, menor ainda? E a febre lhe acudia novamente. Mas não implicou com o rico naquele dia de sua felicidade, pois aprendera a respeitar a felicidade alheia engasgando os seus próprios cisos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, foi num outono também que tirara de uma vez todos esses dentes inúteis. Porque depois disso passara a escrever melhor, não percebera, pequeno? Ou já estava em fase de total demenciação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo, meu rico, mas nunca me mostre fotos da tua construção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele notava que naquela estação do ano, os cheiros e os perfumes costumavam se impregnar mais nas paredes e nos tecidos. Nos móveis também. E quando o rico saiu, de fato, ele permaneceu materializado do mesmo perfume do dia em que se atreveram compartilharem entre si com tanto carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho proteção dos tronos, por isso tu nunca me tocas, ou me encontrarás sempre arredio ao que propositas... mas quando eu acabar com todos os seus nomes e suas legiões todas, eu não precisarei mais delas, porque por mim mesmo serei protegido. Consegues tu vislumbrar qual a fonte será do meu poder próprio e própria vida? Eu sou um substantivo e tu, o que serás ou continuarás sendo? Posso matar tantos monstros e nunca um ser humano, mas ele se aloja dos pés a cabeça com provas de amor, tu, meu ser predileto e quisto, que tanto horror me provoca e me leva ao teu caminho. Não te elevarei jamais, porque creio na paz dos espíritos, deixa-me rico, cumprir antes minhas vontades. A lista nunca se completou em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevera isso num papel, e não é que decorara, e por mais patético fosse, aprendera a falar como que de improviso: o que deixou o rico num dia bem claro de uma das passagens a Brasília, pálido de horror. Era possível que alguém desse um texto assim como se fosse humano e natural?&lt;br /&gt;Sim, era possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você quer dizer com tudo isso. Às vezes eu não te entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma das vezes que chorara e que o pequeno, por conta de ser bom, o abraçou para alimentar mais ainda o amor. Porque é quando frágil que o outro se aproveita para dizer sempre: estou aqui. Espera que o outro se fira, para que tu te vires, pequeno, e consoles. Mais amor regas no teu reino de fantasias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concreto, jamais. Pensava e pensaria até o fim daquele ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2008, outono, o pequeno não sabia. Soube depois, naquele dia em que quebrava taças, soube naquele dia da boca do rico: que a casa toda já estava construída, desde meados do semestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que se tu vive de estações de quatro meses, pacientemente calculando a próxima vitória sobre si mesmo, pequeno, há quem viva anos pacientemente construído o seu castelo de ter nosso na entrada, escrito com estilo indigitável de uma mão talvez cansada de assumir grandes pesos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A mão do rico: disse. Foi nesse exato momento que o ódio se acumulou em ti? Filho de conflitos e ingratidões desde que mataste teu pai que era igual amante de tuas sombrias cenas, capeta de si, não vês o esforço, mínimo, mas adquirido do orgulhoso rico a colocar em tábua de madeira, quantas madeiras ele precisou pra isso? O nome "nosso" na entrada da casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso é nada, persistia o ínfimo infeliz, em pensamento, sempre. E reafirmava o infímo e infeliz com sua palavra trancada nos dentes, que dava sim pra ouvir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou um substantivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele te amaria, pequeno, o rico sim, como amou todas as tuas esquivas. Mas era também não um esquivo um ridículo e patético provimento de si? Mudou por tua casa. Não mudou, apenas escreveu ou conseguiu escrever como um artesão. E isso não prova nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pior de tudo, quando ele saiu de seu apartamento todo viadinho, o apartamento viadinho, virou-se pro pequeno em tom de grande e suprema ameaça:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe o que é o pior de tudo. É que eu sei que a cada ano que passa, detestas mais o inverno. E por lá, ainda pensarás em por teu pé. E nunca mais voltar. Nem nunca mais precisar fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse uma vez que a primeira sala de oitenta metros quadrados dava para uma porta quase um portal que lembrava o que ele imaginara das loucuras que o pequeno desenhara quando infante. E que de passagem pela obra ficava a dez pés distante da porta ou portal: ele entrará por aqui. Repetiu não sei quantas vezes, porque não sei mesmo quantas vezes voltara lá, mas deve ter sido muitas vezes, para se lembrar de contar isso aos pequenos ouvidos-lóbulos-glóbulos do nosso heroizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dessas coisas ouvidas que não saem mais da cabeça. Como os perfumes do outono. Na cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-541704459809109044?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/541704459809109044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-tres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/541704459809109044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/541704459809109044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-tres.html' title='Outono três'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-2627279934709465077</id><published>2009-04-11T20:30:00.000-07:00</published><updated>2009-04-11T20:55:37.247-07:00</updated><title type='text'>Outono dois</title><content type='html'>E você narrará todas as aventuras daquele ínfimo?&lt;br /&gt;Não, é que dos fatos logo se vê que o futuro encerrará: como encerrou os infernos do menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E do pau grande que voltei ao outono. O menino se riu. Não pegou nem nada. Olhou chapado de maconha ao pau do amigo. grande galã das meninas e sorriu. a loira está na sala, e servirá mais a ela. eu ainda sou virgem e só posso quando eu e a japonesa, por fim, nos acasalarmos. nada antes disso. antes quero ser um gay experimentado por uma fêmea. antes, coma as fêmeas e a gente quem sabe se vê novamente desse jeito, meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sincera a sua postura. claro que não disse aquilo tudo, aquilo tudo pensou. não lutou contra a sua vontade, embora houvesse se ofuscado por quase um pouco de desejo, mas daí é o surgimento do seu caráter fresco - por um lado, e por outro: bem azedo. Antes cumprir seus outras íntimas decisões que se atrair por um pau. O gesto foi singular, fechou a calça do amigo. e disse mesmo, foi a única coisa ouvida daquele pensamento todo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amigo sorriu sem graça, mas dias depois agradeceu. Poxa, podíamos ter cometido uma bobagem, eu gosto mesmo é de meninas. tudo bem, morreu naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do fato seguinte, com seus destroços de Brasília em sonho é que lhe tornou obsessão inconsciente: surgia-lhe na madrugada, a voz ouvida, vem, entra, vem, entra e ele entrando e seguindo a voz até o local de onde a voz saía. talvez fosse lá o grande portal, a grande entrada que, não sei se já contara: o pequeno aprendera desde cedo, como melhor desenho, com seu melhor bizarro amigo de segundo ano do primário. em Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manteve seu primeiro segredo. E o primeiro segredo era o que lhe dava forças. Porque uma hora ele voltava a ouvir a voz ou ver o maldito, que lhe atraía como atraía sempre a quem tem a alma aberta assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que naquele outono final, depois do Rio de Janeiro, malas e a mãe sorrindo. O quarto enorme pra sim, é finalizou depois de quinze anos quase a sua relação com o diabo e o sufocou, o enforcou e o agrediu. Você nunca mais estará comigo. Parecia forte mas não era. Sentiu saudades depois, e o demônio não voltou. Estava feito, e por isso digo: que o outono abre as portas e fortalece os ossos de quem tem coragem. Aproveita o outono quando o inferno é mais ameno aos coitados, pequeno. Aproveita inclusive, porque de porta aberta mira-se mais fácil adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que a revolta toda com aquele cujo tudo lhe dera, da criatividade às místicas formas. até lhe dera a dor que lhe correu aos dedos por iniciação. a dera lhe dera a agonia, a angústia duro lhe dera por prova, que não era essa toda a sua lista? provar todos os sentimentos humanos. como se humano não fossse, orgulhoso de si, príncipe de seu paraíso, sem o céu natal nem as ilhas, o que faria tu? se não fosse o braço de cristo no Rio de Janeiro a lhe evocar mais as dívidas que os firmamentos. e tu ainda conseguiste trair o demônio convidando a sua festinha demente: num quarto, no sul do país, onde o vento gritava e afastava os pássaros mais bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tiveste tempo, pequeno, é o que ninguém sabia, criaste o tempo: de enfrentar a todos no seu enorme silêncio. enquanto mato o capeta deixa que os meus amigos se divirtam e saibam que morrerei outro dia, mas nunca no inverno. nunca no outono. nunca verão. nem primavera. eu morro quando até o céu se ajoelhar e me convencer de que não perdi: mas ganhar não era nem preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que era então? É que toda relação tem seu fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outono de 2005: um salto. um desfalque, uma estadia à paciência.&lt;br /&gt;Outono de 2003: o fim da relação com seu segundo marido: sorriso abominável. Podes ficar no meu apartamento, podes trazer quem quiseres, já não preciso de ti. E por isso, enquanto todos o achavam tão bonzinho ele só sabia, que o destino havia cumprido sua parte e ele retribiu libertando a ave ingênua e obsessiva. ninguém moraria com um ex e aguentaria o que tu aguentaste, pequeno. mas ele não aguentou nada. o ex, de fato, nem lhe existia, nem ao cotidiano nem às brigas que ainda tentara provocar. nem ao sexo que ainda tentara levar o nosso pequeno como último espasmo do relacionamento já definido: não existe mais. agora meu objetivo é me formar com dez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outono de 1997: não estudara para o vestibular, apenas se concentrara de que teria vida. e se concentrara em escrever demais. deixara a balada de lado para o intento. é sempre um período de recolhimento sabido. algo se passa na mente do pequeno. e como sempre, vinha a vitória no inverno: foi quando fora aprovado em artes dramáticas, produtos da cultura que lhe serviriam, para ao menos, passar os dias mais divertidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se pudesse, passaria um outono aqui e outro na europa central, no mesmo ano dois outonos seria lindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-2627279934709465077?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/2627279934709465077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-dois.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2627279934709465077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2627279934709465077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-dois.html' title='Outono dois'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-7084818483509040801</id><published>2009-04-09T00:26:00.000-07:00</published><updated>2011-01-07T13:01:48.850-08:00</updated><title type='text'>Outono</title><content type='html'>Já era outono de 2007. Ano que durara dez anos.&lt;br /&gt;Aqui, o recorte é outro: que de outono em outono corre em reverso a alma que se enlouqueceu na clausura da cidade em que se ouvia o mar e se via o mar e as nuvens e se descobriu os ventos sudoeste e noroeste, que eram os piores: de uivarem muito pelas janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava livre, pequeno? Tem certeza disto? Nunca livre de si, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com essas palavras que chegara com uma mochila e uma mala. Palavras que ouvira de si, mas das que saíram de sua boca ao sorriso da mãe foram estas outras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando assim, até sorriu bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está mesmo preparado pra isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E qual dos meus leitores estaria, a ouvir de ver com os próprios olhos o que o outono lhe traria. Como todos os outros que lhe reforçavam o espírito. Todos os outros outonos de sua vida. Os homens não são nada comparados às estações, foi assim que pensou o pequeno quando se deu conta de que estava apaixonado, quando se deu conta de que não havia vagas no inferno para corpo tão etéreo. Feito o seu: magro e dançante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era dali dessas mentalidade doentias que surgiam obras, não eram. Chorava. Sem querer, chorava em todos os anos no iníco da estação preferida. Sabe que foi em Brasília  onde tudo começou? Não poderia saber... Mas era um ano fantástico em sua vida. Tudo fugiu às suas asas egoístas deixando a família, mãe e irmãos, na época, aos 15 anos parecia um prodígio. Mas não era. Antes um pouco de completar 16 já estava lá, iria morar com o pai se não fosse mais egoísta que o filho e o colocasse de malas prontas na casa da tia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infeliz tia tia tia que mal soubera: abrigara o espírito do infortúnio. Ou da fortuna do pequeno que se instalara bem, o resultado era o mesmo: sob o céu da cidade moderna poder vagar... sonho de pequeno, já que odiara a ilha desde o primeiro pé esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em menos de um mês ele já era conhecido por todo o colégio e em dois meses ninguém o segurava, andava de mãos balançantes pela rua. Era dono de um incrível sorriso. Mas a sua demência mesmo só apareceria mais tarde. Sim estava aqui. E por que viera desde cedo encontrar a verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com suas pernas coturnadas e sua independência declarada a quem fosse. Que importava o pai? Importava sim, manter as roupas limpas. Nem fumava ainda. Não, ele não viera por verdade alguma. Verdade não é ser feliz. E o pequeno foi naqueles quinze meses seguidos. quinze meses seguidos era muito a quem num mundo vive de tanta problemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é tempo de ser visto. ele era: na sua cidade natal encontrara mais que amigos, tudo podia e tudo fazia sem olhos de mãe, sem olhos de pai, senhor apenas: de uns olhos castanhos tais que comprometia, ao certo, as sexualidades alheias. mas tinha a vó, que amava acima e abaixo, e que dela aprendera muito, sobretudo esticar as costas e erguer um sorriso de grande força quando alguém lhe falasse coisas inoportunas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a escola de segundo grau abriu mão dos uniformes, ele fora o primeiro ou o segundo, não me lembro, a entrar com sua camiseta rasgada as mangas e a goela. só precisava de silêncio para se vestir a bem quissesse ser. e a japonesa, sua primeira namorada, antes era a amiga perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iriam as festas? Era novos demais, mas antes de entrar na sala que tal uma porradinha. que era sprite com cachaça, porradinha famosa essa, bastava darem um gole, bastava. matar aula na escola, podia, e portanto no meio das disciplinas chatas eles saíam, era escola moderna demais, mas só os bons sobreviviam. que importa ao pequeno ser bom, se a cada ano de escola repetisse e repetido continuasse vivendo dos mesmos e talvez, melhores divertimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltava pra casa sempre no horário certo. e vez ou outra tirava uma boa nota. vez ou outra faziam festas de fim de tarde no cemitério. lá ninguém os importunava: turma de três, de quatro, de cinco, logo eram seis, e muitas vezes andavam em oito, quando estavam todos juntos, eram sim: um grupo de delícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o pai viajava pegava a chave do apartamento e foi ali que provara do primeiro cigarro e do primeiro porre e foi ali que o primeiro menino lhe mostrou o primeiro pau: enorme. já não era mais outono. voltemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passado te cansa pequeno, a cidade de floriano não lhe bastava, nem lhe existiu. morreria por aquele céu, aos quinze anos de um abril lindo, onde as folhas caem secas até que os garis varram tudo junto, tudo junto e os pés tenham se cansado dos barulhos bons de pisá-las todas. melhor que o vento sul, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve todos os seus amigos usarão coturnos. em breve você usará o que os amigos quiserem. e breve você terá provado tudo. porque agora era essa a lei do pequeno: provar tudo o que merecesse e aos vinte anos, pensava o coitado: a lista estava completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existia a gótica, a loira de cabelos longos, a japonesa, U2, Siouxsie and the Banhees. Existia o gatão, o maluquinho que trouxera o primeiro baseado e o RPG , o espanhol lindo, o chinês que lhe dava origamis de presente, até a pouco tinha um guardado, ave esquisita. Existiam os número: 105 e 404, existia um ônibus que dava uma volta inteira do início de uma asa ao final da mesma: às vezes caminhava quadras e quadras só pra existir na beleza que era a sua existência. existia, mas não saía com eles o playboy que adorava colar do pequeno, e se dava mal, e achava engraçado que os dois pudessem ser amigos nisso: em se fuderem. mas calma, o pequeno era virgem. os professores é que não gostava daquela dupla quando se divertiam. eram dois gêmeos em saula de aula: um aniversariava um dia antes do outro, e não saíam da sala, como permitido. por isso uns chatos aos bem certinhos. ali começou: the cure, the smiths, e de brasileiro só a banda do Renato que inspirava belas palavras da japonesa. existia a família da japonesa que de semana em semana foi se tornando mais sua família que a própria tia. e a prima que tocava flauta e era chata com isso. é que o pequeno odiava agudos, só não tinha consciência disso. se fosse sax, mas ninguém dá aulas de sax às crianças na Escola de Música, tia? A tia sim, cantava num grave delicioso, que ele gostava de ouvir. era sua inteligência vocal. secretária cheia de pânicos da vida. existia seu melhor amigo: um loiro esquisito e nerd. Que mais tarde, anos mais tarde, reencontrara casado com um cara na Ilha. Mas já não eram os mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nerd, talvez, tivesse lhe dado o primeiro beijo. confessou nesse reencontro. era outono também. mas gostava tanto de information society que por um triz eles se ergueram, chegara o novo álbum e o pai. nada acontecera. e de quebra faltou dizer: uma gordinha que pintava os cabelos e se tornara amante de um dos primos. e lhe ensinara, de todas as coisas tolas que ela ensinava - pois esta gostava de mentir e roubar mesmo - a chorar na frente das pessoas, apenas levantando o queixo e respirando pelo nariz, como se a lágrima voltasse a dentro. E funcionava!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, sua primeira chapaceira, foi quando com esta turma começara a frequentar certos estúdios que a galera do rock, punk e havy metal alugava. eram amigos dos amigos. porque o pequeno só curtia de ouvido as coisas produzidas. naquele tempo já demonstrava interesse por escrita. como todo iniciante à poesia. mas era tão feliz, que por quê? escrever lhe tirava o tempo das alegrias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual chapaceira melhor que a música? durante muitos anos fora assim. quase um careta, mais um amante. era uma banda havy metal sim, naquela tarde de não ir pra aula. sentaram-se onde a banda permitiu. estavam orgulhosos de ter platéia as quatro da tarde. horário bom até prum cochilo. a guitarra lhe entrou profundamente aos ouvidos e lembrou que dormira: aí era alto outono, alguns dias antes de fechar a porta ao inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim o seu primeiro encontro com o capeta: dormira, numa nota quente e aguda, acomponhava a música de riso e dormira: a cidade toda estava destruída e uma voz lhe chamava evocando à força seu espírito para um destroços: buraco de onde saía aquela voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Entra, pequeno, entra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a nota voltara a se repetir e o pequeno levara um susto. quantos minutos se passaram? Apenas vinte segundos, disse a japonesa. Você está bem? Tive um sonho, respondeu. Com quem? Com ele e ele quis que eu entrasse adentro, e se riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma força grande, um sentimento de absoluta energia brilharam nas veias quase aparecidas do nosso rapazinho. Que. Imediatamente quis sair dali: lá fora, vamos pra fora. Já sabemos que o som é bom. Já sabemos. Por um tempo fantasiou que começava ali o seu verdadeiro destino. Era sim, o início de um encontro, a sedução do demo. A voz não lhe saía aos ouvidos. E remorsou um pouco não ter podido entrar, já que a nota se repetira para que voltasse a terra e talvez contasse o que via. mas escondeu pra si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele quem? Reperguntava a japonesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei, uma voz, assim, bonita. e só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do ano já polgava e tudo. e adoravam quando o pequeno se lançava, porque era tão fácil de carregá-lo nos braços. talvez por isso amassem tanto o nosso petit. que no outono seguinte logo se preparava para novamente partir...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-7084818483509040801?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/7084818483509040801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7084818483509040801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7084818483509040801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/outono-incompleto.html' title='Outono'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-8889506652924620447</id><published>2009-04-09T00:04:00.001-07:00</published><updated>2009-04-09T00:18:33.744-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro XV</title><content type='html'>Antes do outono, eis nosso último subtítulo.&lt;br /&gt;A aventura no Rio declina aos desejos do pequeno, convencido por si mesmo de sua volta. Mas que em nenhum momento ousou deixar vir a tona qualquer coisa relacionada ao feio, aliás, esquecera-se mesmo do ocorrido naquele quarto com aquele diálogo louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era louco o diálogo, portanto passível de novo esquecimento, aliás, tinha sido forte: nada repercutira que pudesse lhe causar qualquer impacto ou pacto consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só a vontade doentia de voltar, de onde vinha, no fundo de tudo, de onde eclodia. De onde, meu deus, de onde começa a erupção senão lá de dentro por tempos sendo preparada, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ninguém o entendesse. A decisão tomada estava certa. Recebeu até proposta de aumento, recebeu proposta de que seriam até mais gentis. Recebeu amigos que fizera no início e que voltara apenas pra dizer-lhe: fica, e prometo, a gente se vê mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não. Nada disso o concluia. Certo é que havia um montante de papéis a serem transpostos ao computador que estava num maleiro cheio na casa materna, guardada durante dez anos das coisas que escrevera à mão. Certo é que tinha mesmo a ânsia de terminar o "Antes que eu me esqueça" em outra cidade. Como fizera com "Arame Farpado", iniciado na capital federal e finalizado entre os braços da criação divina. Era essa a certeza do pequeno que do futuro só tinha medo de morrer sem se concluir por inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo grandes artistas do Rio não podiam crer que tal argumento fosse verdadeiro num corpo humano assim. E era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso voltou: de ônibus, sim. Deixando aos poucos a aventura bem guardada, sem remorsos, sem dor, com felicidade de ter sido corajoso naquela cidade, de não ter sofrido nada. Houve sim o fato de roubarem sua passagem uma semana antes da partida. Ele pediu ajuda ao polícia da esquina, praça dos Arcos, subiram os Arcos juntos, com o polícia posto em armas, o pequeno sem medo só queria a passagem, mas encontrou apenas a mochila deixada pra trás. Lembrou-se de ter segurado a mão de um dos assaltantes e dito: deixa a passagem comigo, só isso. Mas não adiantou, o que enervou mais o moço. Mas por lá, a coisa é rápida, e o coitado do pequeno, coitado, o moço viu, não adiantava brigar com ele: era hora de fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, deu queixa, mas do que adiantaria? Pouca coisa, mas adiantou. Adiantou com a queixa com testemunhas sacar dinheiro no banco para partir. Adiantou que pensou: talvez seja um sinal do Cristo que nessa jornada de volta eu não deveria ir. melhor estaria protegido por bandidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na partida. Só. Era de manhã. Todos trabalhavam. Só. A estrada de volta, sem piedade. Deixava as reminiscências adquirirem formas de inconsciências: estava agora ao futuro no outono, seu outono no colo da mãe e do frio. A estrada que muda climaticamente enquanto se aproxima ao destino final. Coisa do Brasil. Trópico de horrores góticos e naturezas incobertas. Trópico de sobrenaturalidades displicentes...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-8889506652924620447?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/8889506652924620447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8889506652924620447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8889506652924620447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xv.html' title='Rio de Janeiro XV'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6112530960299234592</id><published>2009-04-07T23:59:00.000-07:00</published><updated>2009-04-09T00:03:56.793-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro XIV</title><content type='html'>A chegada a São Paulo fazia-o pensar que logo o carnaval do Rio é que perdia. Mas carnaval sem máscaras não tinha graça: a máscara que se utilizava agora era mais divertida. Talvez a tirasse se caso o ranzinza passasse pela prova que ele mesmo calculara: mas que nunca diria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em São Paulo, no entanto, que o horror voltou ao espírito do pobre coitado ínfimo, que brincou de possuir seu destino e mal sabia: que ambos, tanto ele quanto o novo amante seriam obra da mais bizarra alegoria do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paulo, que discípulo melhor tu podias ser para levar o nosso pequeno direto à verdade toda esquecida. Paulo, que busca ser santo, próximo sempre a Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela pequena e claustrofóbica quitinete: livros de intelectual no chão, formando verdadeiras colunas. Livros e músicas antigas, a maior parte do não-gosto do pequeno, mas que ouvira, uma a uma na alegria espontânea com que vira seu ranzinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora seu carnaval mais claustrofóbico sim: pois até o cigarro fumava, dentro do banheiro minúsculo, para não incomodar o sono do outro. que virava a noite e dormia de dia. coisa de desregular a relação que mais se pareceu com o Feitiço de Áquila naqueles dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto um dormia e não podia se abrir a janela, que a claridade machucava o ranzinza - para não reutilizar o hábitdo da irritação, o pequeno se comprimia a fumar e debater consigo mesmo da experiência vivida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu disse se cumpriu, já estamos na segunda cidade de nossa vida. Mas daqui não passa. Será? Tomara. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversaram e riram, e se maltrataram um pouco: porque só a presença do pequeno maltratava a verdade que o outro tinha de que a humanidade era má, sarcástica e feita de humilhações. Dos maltratados do ranzinza ao pequeno: já sabemos de sua capacidade irônica. Portanto, descartável de reproduzi-las. Em São Paulo, fora as gentilezas adquiridas, muito continuava igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi bonito sim ao pequeno, perceber a mudança do clima em seu corpo, sua pele acostumada aos suores, não suava mais: no entanto, a fim de não se perder nas viradas noturnas do amante, tinha seus remédios que tomava escondido sempre e ia, capotando ia... dormindo... até que o amante não percebesse e nem pudesse sacudi-lo tamanha a força real dos efeitos pretendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se era sofrimento ao pequeno, nada sofre quando vive coisas diferentes, sobretudo amores. Ele ainda percrustava o coração cinzento: havia uma pontinha de um possível... coisa que era melhor não pensar. Escrevia mais no banheiro do novo romance pretendido. Mais nada. Estava ali a ser servido. Mas gostava. Gostou de passear a noite pelas ruas densas, cheias de mendigos muito menos amigáveis que do Rio de Janeiro, e houve uma caminhada linda que passava por belos pedaços da liberdade até chegar ao Edifício Moema, onde tanta gente morrera: foi-lhe um fascínio. Presente do ranzinza que conhecia a sua alma mórbida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aí está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois voltaram e pela praça da Sé, acho que era, pararam um pouco, de pé, para não sentarem junto aos muitos que ali estavam. Todos advertidos de serem perigosos. De qualquer forma, era uma praça linda, por baixo da escadaria da igreja santa, quase gótica, assim o pequeno viu ao fim da tarde e do crepúsculo mal iluminado por nuvens nebulosas. Mas as cidade coloria-se da iluminação pública e amarelada. O bairro da liberdade estava próximo. É difícil, sempre fora ao pequeno, detalhar-se em geografias. Fica a foto no íntimo misturado às suas inúmeras fantasias e aos mitos que futuramente criava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, foi um cavalheiro anfitrião, este ciso de homem: ainda se preocupava com a segurança do pequeno, acreditem. Mesmo tendo, por ali, sofrido ataque violento de uma gangue de ladrões, ataque este que, por seus efeitos, o levara ao Rio. O que não é por acaso, é por seguimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou mais fascinado pelos becos vazios. São trajetos muito bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eram os mais perigosos, dizia o anfitrião. Eram. Mas não naquele dia, naquela noite de passeio. Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomaram sorvete. Tomaram vinho. Comeram chocolate. Fizeram sexo. Não amor. Porque amor não era pretendido ao ranzinza: o amor era o seu ponto de proibição, fazia parte de sua conduta de ética, como vimos na passagem do toque simples em seu braço que foi o maior causador de conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se tu fosses como os outros, sua bicinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até chegaram ao coito e o ranzinza esquecera de destrancar a porta e ao final a porta esteve aberta. Talvez até algum vizinho os tenha visto. Porque se ouviu um pequeno ranger que fechava, por delicadeza talvez, a madeira semi-aberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dali, houve a curiosidade do amante conhecer a mãe do pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo que tu diz dela, eu me apaixonaria mais por ela, do que por você, porque ela deve ser muito especial de se conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pretexto de ser. Ela, a amada mãe do pequeno, mais um encontro em outra cidade, desta vez ao sul. De onde vinham nossos personagens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saberemos mais tarde. Que o que importa é finalizar o capítulo: eis, que este subtítulo terminava assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o feio foi amado, no início da história, houve, lembremos, o período sacrificial de esquecimento e o ápice quando finalmente tudo fora esquecido, até seu nome, até sua passagem pelo destino, descriado mesmo na boca e em tudo que o pequeno pudesse se lembrar: não lembrava mais. Ficou como já dissemos tal qual reminiscência. Em vida passada, coisa de esquisito. Conquista do nosso herói narrativo. Porém, no iníco do amor, ele procurara por notícias do feio, ninguém, afora a sua família o conhecia, o que os amantes jovens normalmente fazem, que é de procurar por amigos dos amigos, o pequeno fez sim tentou, mas nem amigos dos amigos nem em lugares inusitados que frenquentara nem nos caretas e nada: o feio nunca esteve, ninguém na ilha o conhecera ou nunca, de verdade nunca ouvira alguém citar seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma agonia ao pequeno, numa ilha em que todos se conhecem, que aquele ser fosse tão obscuro numa juventude tão contundente. Era, porque vivia só, e vivia por si mesmo, na sua própria feiura e covardia, talvez, de enfrentar o mundo sem poder mantê-lo controlável. Coisas dos tímidos. E o pequeno, conhecia muita gente: muita gente de vários ambientes e localidades, de estilos e de desestímulos, o  pequeno conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, por que voltar aí, se já era esquecido. Pois da boca do amante, de uma hora a outra, o ranzinza resolveu contar sobre uma família que ele considerou muito especial e que certamente o pequeno conheceria - sabe-se lá de onde tirou isso, já que era tão popular! Ironizou. E desta família havia um rapaz em específico que mais lhe chamava a atenção, pela inteligência, depois de anos procurando por alguém que falasse seu nome, depois de anos esquecendo o mesmo nome, surgiu na goela do amante, naquele quarto minúscula quitinete e claustro: o nome do feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente o pequeno fingiu que não o conheceu. Que nem sabia de que família se tratava, que, ah! tinha feito um curso de francês com alguém dali que se situava há tanto tempo atrás que nem se lembrava ao certo. E era mesmo o nome do feio. Nunca ouvira o nome do feio na boca de ninguém, e justo ali, naquele momento com aquele homem, naquela cidade antro de gotiscismos brasileiros: foi até o banheiro e tentou sentir a repercursão no seu íntimo. Por fim, com muito orgulho disse a si mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não repercurtiu nada. Está mesmo esquecido este nome do meu conhecimento anímico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltou ao ranzinza como se a conversa fosse mais um desses diálogos provocados ao nada sem efeito de nada algum. Voltou-se aos dois. Tinha mais um dia para curtirem-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a repercursão racional não, nem o coração bateu mais forte, também não. O nome fora evocado, coisa que o pobre pequeno mal suporia. Como vírus que se pega e só se descobre em chek-up.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome ouvido entrara e ali fora semeando devagar e forte por dentro dos canais sinapticos da pobre criatura, dentro até encontrar a caixa pandoresca onde houvesse um dia se trancado. Dentro, demorou horas ou dias, mas foi sem que a consicência tão grande de si do pequeno o notasse, pelas veias ou qualquer canal de transparência que o pequeno detectasse. Partiu numa viagem arriscada o tal nome ecoado. É que tendo sido ingenuamente esquecido, passou de certo despercebido até chegar a inconsciência: largo campo em que tudo é jorrado, e lá, em sonhos talvez, procurou trazer à tona o nome grande, a história toda, o reverberar liberto do monstro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na viagem de volta, poucas horas de fato, sem querer lhe vinha a memória os fatos esquecidos. O pequeno duvidava mesmo que talvez houvesse existido. Estava mais orgulhos de não ter causado nada nem em seus ossos repercursão nenhuma nos seus movimentos físicos e criativos. Foi ao parar num dos postos, em rodovia aberta que teve uma vontade vertiginosa de não precisar mais da vida: e lançar-se à estrada talvez fosse a maneira de continuar biologicamente sua jornada, sem precisar mais nada, cultura nenhum ou nome de igrejas, praças, amantes e amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sinceramente, deu dois passos em direção à estrada. Fumou um cigarro. Deu mais dois passos. Mas os pés no chão eram mais claros que a sujeira prevista. Alívio aos que ficariam sem ver o pequeno. Evocação da terra mesma? Do que adianta a estrada longa, asas, pequeno, tu não terás nesta vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao reentrar no ônibus, sua decisão já estava tomada: ao menos ao sul eu volto. Concluo meu novo romance por lá. É o destino. Algo me chama, não sei o que é. Mas algo me evoca ao sul, novamente, mas dessa vez, bem ao sul, onde a mãe e o irmão se escondera, longe da ilha, ao sul, onde baleias passeiam no inverno. Temeroso inverno que passaria. Mas ao sul, tinha que voltar ao sul e completar misssões insabidas. Esse fora o motivo principal de sua volta do Rio. Embora lá, avisava apenas, que era necessário voltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que ninguém entendera. Claro que ele não fazia-se por entender. Ninguém de fato entenderia. É preciso fatos para as pessoas terem certeza que a decisão era mesmo certa. Mas dos fatos íntimos, ninguém acredita que eles podem estimular uma vida inteira, uma história inteira, uma decisão tão séria. E decidida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntaram se havia ganhado uma herança. Perguntaram se estava doente. Perguntaram se precisava cuidar da mãe doente. Perguntaram se tinha recebido uma proposta inusitada financeira. Acreditaram até que houvesse um amante, só podia ser por amor que se mudava. Que decidia assim, quando tudo estava estável em Santa Tereza! Quando até era chamado para mais dois empregos na área que lhe dava cada vez mais dinheiro. E ele não arredou o pé em dizer a meia-verdade: vou porque tenho escritos a concluir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o ranzinza, coitado, já havia servido aos seus propósitos, mas mais: aos propósitos do bizarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não nos veremo mais aqui, nem no Rio, agora é cumprir o previsto. Só me encontrarias no sul, mas não na ilha, onde minha mãe mora e que tu tens tanta vontade de conhecer. O que torna mais desafiador concluir nossa história de amor. Eram quatro cidades, lembra? E dará um conto bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza que tinha os horários certos dos ônibus e do metrô fez o possível para protelar aquela ida, e conseguiu, era pra sair as 13 horas de um dia, mas só foi embora, virado da madrugada, no dia seguinte às 08 da manhã com o ranzinza de olhos vermelhos: cansaço e choro controlado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6112530960299234592?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6112530960299234592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xiv-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6112530960299234592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6112530960299234592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xiv-incompleto.html' title='Rio de Janeiro XIV'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6676683154815484039</id><published>2009-04-07T23:27:00.000-07:00</published><updated>2009-04-08T00:15:56.391-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro XIII</title><content type='html'>Enquanto nas duas semanas intensas: os nossos personagens se complicavam e criavam um modo diferente de estabelecer relação, as dunas do sul sopravam no alto verão e na cidade natal do pequeno, como era de ser naquela temporada: as ruas e os palácios vazios. Tivera saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda semana o pequeno diminuíra as visitas. Agora era necessário tempo. E a mensagem do rico lhe veio em celular que não imaginava que fosse trocado por um pé rapado doente. Estava feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do rico livre. Era continuar a história até que o ranzinza finalmente voltasse à São Paulo. Naquela semana, não sabe-se o que houve, mas a amiga ficara chocada com algo: talvez o amasse, o razinza, talvez se sentisse traída por ter, no fundo, aproximado dois seres tão diferentes, o imprevisível a chocara, e o ranzinza começara a dar provas de que a relação entre os dois não estava bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava ficando insuportável na companhia de uma amiga que não cuidava dele, como um estranho cuidara. E, parece que foi, ao falar mal do pequeno que o ranzinza se ofendeu e revoltou. Tinha também um caráter firme. Na sexta-feira última, já melhorado do braço, já com o rosto menos inchado, decidiu, por insistência do nosso anjinho ficar em Santa Tereza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí sim correu lascívia. Daí sim, o herói cedeu de corpo nu, bem nu, tudo o quanto fora travado naquelas semanas quentes, e por isso mesmo de coito, que o ranzinza reprimira por força da cidade (e do pequeno). Ali, no quarto com seu amante agora, não era amigo, nem alguém que o cuidava rompeu todo o seu rancor e amargura em sexo: oral, anal, sexo, oral, sexo, poucos beijos, quase nenhum. Tinha medo dos afetos, como acontecera naquele sábado não permitiria mais: era invadir demais a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sabia o que você queria de mim naquele dia. Ficou me tocando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não é bom tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas tem que ser assim, ó! É sexo, porra, é desejo! Tu és frígido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixou que o ranzinza fizesse o que quisesse de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E esta tatuagem, o que significa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É coisa de gente bizarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou eu. Se quiser pode até, na hora do gozo, fazer um pedido. Acontece, quando acontece, acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu sabias que tem algo que te rodeia, tem algo que te domina, tem algo no seu quarto, tem algo que não tinha lá na casa da amiga. Aqui tem o teu mundo: e ele é sombrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora você virou vidente? É espírita? Entende de coisas e energias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É sério, porra! Eu sou sim, e daí, não significa que eu seja mais burro. Mas não vou falar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo deixou o pequeno intrigado, mas não era o primeiro a ver dessas "coisas" nos universos que o pequeno criava, ou circundava, ou evocava para ter a alma mais limpa. Sobretudo se era hora de o corpo gozar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E das poucas cartadas românticas de seus diálogos disbaratados houve esse: de que nos encontraremos, sabia, em todas as cidades que nós vivermos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que fala isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque não fico mais no Rio. Não te contei. Mas não fico. Vou até abril apenas. Mas daqui dá pra te encontrar em Sampa, já será a segunda cidade. E nos faltará o sul, onde nos veremos. Eu sei que sim. E será uma bela história de amor, não acha? Encontros em cidades vividas. Coisas de amantes modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza desconfiado e mesmo carrancudo: ficou todo bobo. Todo mundo quer uma história assim. E: aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos nem um nem outro poderia dizer que não. Embora no íntimo de cada um, a verdade fosse bem diferente nos encontros que voltariam a ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na despedida, o ranzinza fez prometer que iria mesmo esperar pelo pequeno: o lugar é pobre, é bem no centro dos orientais, é uma quitinete, também é quente demais, mas vou tentar ser o melhor anfitrião, prometo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E até que chegasse o carnaval, de janeiro a fevereiro eles se falaram por telefone, por amor e carinho que aprenderam a criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais provas dás ao rico, pequeno, e isso não impede de ter esperanças no monstro grosseiro que se transforma aos poucos em algo gentil e grato por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhou para ter bastante dinheiro e começou a espalhar devagar a vontade (antes da notícia) de que não ficaria no Rio por mais que um ano. O que deixou alguns patrões preocupados e amigos também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em São Paulo, o pobre do ranzinza, sem muita grana, conseguira comprar pelo menos algumas coisas de 1,99 para dar mais conforto ao nosso visitante. Será mesmo que ele iria? E até uma almofada confortável. Ingenuidade e bobice de alguém que foi tão ríspido no início da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que não era amor, amigo, pensava o pequeno dentro do ônibus que chegaria a cidade enorme. Sozinho assim, o pequeno temia, tremia um pouco: pouco conhecia a São Paulo dos cotidianos. Tinha mais medo dali que do Rio, em que dominava com a palma das duas mãos, porque era grande o Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez sumir numa quitinete e não voltar mais fosse um gosto de pensar e se imaginava em outra vida, como era de seu costume burlar a antiga enfrentando uma nova: imprevista! Pensava menos no ranzinza e mais em si, na aventura cabida: que era o gozo do nosso anjo arriscar-se à si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, uma noite antes de pegar seu carnaval com o seu doente curado, houve a discussão pelo telefone: o rico incoformado, nunca o vira assim, e viria novamente, mal sabia, pois bem, nunca o vira tão irritado. Você tinha razão, você nem me enganou e nem isso posso te jogar na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára de vez, meu rico, meu deus do céu, quando vai acabar a nossa história!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso não vai dar certo, você sabe disso, antes um rico como eu, do que um caipira pobre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai dar certo, sabe por que? por que você sabe que eu não planejei só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu mandava te raptar no meio da estrada, num posto de gasolina, mandava um monte te pegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E depois? Colocaria fogo no meu passado, faria a crueldade se estender aos desesperados sem notícias de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como se tu mesmo se importasse algum dia com alguém que lhe fosse caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me importei. Me importo. As pessoas se preocupam, já não basta? Mas não fugir e desaparecer pra sempre. Se nem você teve essa coragem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você quer viver comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estamos em 2006 e eu ainda não sofri o que pressinto. Sofrer sem ti é me fortalecer também e forte vou poder ao menos te fazer feliz, que meu espírito é todo enlouquecido por idéias e fantasias e por histórias que nem completei, sabia? Sabia, se te interessa saber, que meu último romance faz dias que não escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que fica pensando nesse rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não como penso em ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E por que me falar essas coisas. Tá vendo, você me ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno nunca mentiria nisso. Mas continuou firme nas suas decisões. Chorou e gritou com o rico que parasse de vez: deixasse, então ele, a cidade encantanda e os prazeres encantandos da nobreza em que vivia para ter uma paz criada por eles. Seria outra paz. não a paz que é conceituada por aí ou por essas tolas religiões. Seria a paz deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas do rico não ouviu recíproca. Só um silêncio e um soluço. Desligou o fone, por fim. O que lhe aconteceria era coisa dele: somos adultos, ergueu a cabeça o pequeno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6676683154815484039?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6676683154815484039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xiii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6676683154815484039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6676683154815484039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xiii.html' title='Rio de Janeiro XIII'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-2860411371577744708</id><published>2009-04-07T22:54:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T23:21:11.772-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro XII</title><content type='html'>A amiga ficou um pouco irritada com o fato de o seu amigo pequeno dormir na sala com seu amigo lindo, como dizia ela, mas que mal cuidou. Mas como ela tinha certeza que seu amigo nunca iria se atrair pelo pequeno, viu que não seria tão mal assim. Até porque o pequeno preparou para ela também um sanduíche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela dormiu bem mais cedo que eles. Eles fumaram muitos cigarros no corredor do prédio que dava para um vão enorme e vertiginoso, quando se olhava pra baixo, muitos suicidas ficaram com medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem de noite a cidade esfria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acontece em outras cidades, mas não aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é mesmo muito viajado né? Tu és dessas bichas, eu já saquei, filhinhas de mamãe e tudo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pareço assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então devo ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O moço não viu que o pequeno já havia tomado seu relaxante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode ser o cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas só vai dormir quando eu quiser!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem como você ser mais educado às vezes? Poderia ser um cavalheiro, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Não tem como você ser mais educado às vezes? Poderia ser um cavalheiro, sabia?" como você é patético!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a rir da cara do pequeno. Mas também tinha um misto de alegria. Acho que nunca ninguém um dia o cuidara ou estivera interessado apenas nisso: e o que era bom fica confuso. A bondade confunde a gente. Fraterno ou não fraterno, a lei do desejo era dispensável nos artigos constitucionais do pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí vemos que de noite, lá pela madrugada, o ranzinza como se esperaria se aproximou do corpo minúsculo e o tocou. O pequeno percebeu tudo, mas fingia que dormia e dormiu até o fim. Na manhã seguinte foi só a amiga sair para o ranzinza vir com pedras nos olhos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu é mesmo muito cara-de-pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai ficar aqui, vai fingir que não aconteceu nada? Não vai nem me xingar?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aconteceu alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu não percebeu nada mesmo? Larga de ser falso, fingido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não teria motivos, porque se você tivesse feito alguma coisa, eu provavelmente teria visto ou tomado alguma postura, não acha? Eu falo a verdade, não vi nada. Me diz, o que aconteceu? Você passou mal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar de desprezo que o ranzinza tanto quis dar não conseguiu, por outro lado fixava firme para ter certeza nas palavras do mentiroso. Mas por fim, acreditou em tudo o que o pequeno lhe disse e até se envergonhou de ter tentado algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aconteceu o quê? Pode falar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada. Eu acho que te encostei de noite. Também tu fica com essa bunda virada pra gente, parece que quer dar o cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A nossa amiga falava tão bem de ti, era outra imagem que ela me deu... mas, eu acho que me lembro de ter sentido isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora era pra confundir de verdade. Depois que se acredita na última verdade, vem a outra verdade, que era aquela verdade do início. É assim que fazem os espertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só que... eu acreditei que fosse um sonho seu. Por isso é que ao acordar te tratei normal, não era fingimento meu. Eu não quis te constranger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essas palavras o pequeno conquistou finalmente o coração do coitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles de fato foram ao médico, finalmente o menino convenceu o rapaz a sair de casa mesmo no sol pior! Era necessário. E toda a áurea leve e conflituosa e leve e conflituosa embalavam o ranzinza na história de uma passionalidade atípica: para ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza continuava igual, tentando humilhar o outro, imitando-o para chateá-lo, querendo disputar intelectualidades e saberes: és artista? De quando? Ah, me faz rir, seu otário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durou uma semana assim, só um dia o pequeno faltou: é que realmente o trabalho apertara.&lt;br /&gt;O ranzinza ficou naquele dia todo deprimido. E fumou sozinho no corredor. Depois disse que sentiu falta. Porque agora já tinha picos de ser mais carinhoso e grato. Alguns picos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saírem daquela quitinete o pequeno convidou-o, que já estava melhor, a ir passar uma tarde de sábado lá onde morava em Santa Tereza, casa de boneca. Mas o ranzinza iria sozinho. O pequeno esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não conte comigo, não sou como tu. Eu tô dizendo que não sei se vou. Acho que não vou. Não vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi. Sábado de tarde. Em Santa Tereza o clima era mais ameno, devido às árvores ainda. O afastamento do asfalto. E de tanto tráfego. Até de gente. Que gente suada também aumenta a quantidade de calor no espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, é que o pequeno se fez cobra. Já estava satisfeito, calculava que o rico de alguma forma teria visto, sabido, que eles passearam quase todos os dias pelo centro do rio de janeiro, área da cruz vermelha e até a lapa, até a fundição progresso continuaram, até que o ranzinza se irritasse. E irritado voltasse reclamando pra casa: - não sei por que vim até aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também não. Mas está te fazendo bem, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele sábado, estava o pequeno em seu covil. Era ali o ato primeiro: deduzido certo de que o ranzinza estava admirado de si, mais talvez pela capacidade de ser inquebrantável do que necessariamente sedutor, foi que colocou um cd do Depeche Mode anos 80 e importato para ouvirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza nunca mais tentara nada sexual com o pequeno, embora muitas vezes se irritasse de se controlar disso. Naquele dia, talvez pensasse, será o menino a dar provas de suas taras. Mas o menino, depois de ouvir todo o cd, que lhe era de coleção deu de presente ao ranzinza. Que ficou ainda mais admirado, e admirado do gesto surtou num ódio contido: que cara de pau! Como alguém humilhado e dedicado a mim como este ser imundo e ridículo ainda me dá um presente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É porque sois amado, humano, e não sabes ainda dessas delicadezas que de verdade acontecem aos que tem bom coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso pequeno, no entanto, apenas tocou em seu braço e ali, no braço já mais firmado fez um carinho. Logo se via e se comprovava mesmo: aquele rapaz doente e doentio nunca havia sido desperto por nada que assemelhasse às dignidades próprias do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um afeto despretensioso o deixara tão confuso e perceptivelmente confuso que disse se levantando rápido que precisava ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas se estás aqui sem compromisso, a não ser o de se curar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu quer que eu fique!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Quero que seja a sua vontade, se quiser ir, vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza insistiu em ir, talvez pensando que ainda pudesse jogar. Mas não se joga com gente daquela laia: se queres pular, pula. É sempre a sua vontade, pensava o pequeno, que sem mesmo ansiedade ou desejo, já se tinha por satisfeito. Conquistara a alma. Do que servirá o beijo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até pegar o bonde que era mais barato, mas que demorava mais nos finais de semana, o ranzinza esperou e o pequeno ao lado, impassível, certo de estar sendo compreensível. Nessas alturas o que lhe era crueldade, já nem o ranzinza discernia ou nem percebia de tão bom que ele tinha sido até ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante deixá-los confusos para que eu aja - do verbo agir - mais tempo, sorria o pequeno naquela partida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-2860411371577744708?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/2860411371577744708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2860411371577744708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2860411371577744708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xii.html' title='Rio de Janeiro XII'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-2983627550244871745</id><published>2009-04-07T22:30:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T22:53:43.355-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro XI</title><content type='html'>E voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela cidade o suor talvez lhe deixasse menos cansado do que em outras vividas. A roupa do ranzinza estava seca, ele até tentou tirá-la do varal, mas não conseguia impossibilitado pelo braço. Para ele, era humilhante estar de favor de uma bicha tão minúscula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, estava mais feliz. Passara a tarde inteira no calor reclamando só: e se o menino não viesse mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio. E sempre viria. Ele tinha a palavra, e gostava disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ainda quero saber o que se esconde aí. Você não deve ser tão bonzinho. No mínimo dá o rabo bem gostoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engoliu a seco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu quase não faço sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora sim, você me faz rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou falando a verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Madre Tereza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem sabe eu te conte das minhas aventuras, já fiz coisas... não faço mais. É melhor estar aqui, não? Ajudando alguém do que por aí trepando ou procurando por um namorado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza balançava a cabeça. Mudou de tom:&lt;br /&gt;- Olha, eu tenho aqui um monte de música, eu vou fazer você escutar. Adoro músicas dos anos 80.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que veio a tortura sonora ao pequeno, que ouvia, fingia, tentava ficar bem. Não queria ouvir nada. Iria logo fazer alguma comida para o coitado e sair. Mas era fim de tarde e a amiga só voltava perto da meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se ficar muito tarde, não tem problema, a gente fala com ela, é nossa amiga, poxa, e tu dormes na sala comigo. Aliás, eu não te falei: você tem que estar aqui muito cedo amanhã, porque eu vou cedo para o médico!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu a ordem. O pequeno silenciou. Começava a entender, mas ao mesmo tempo não pensava nisso. O ranzinza nunca faria seu tipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não gosto de bichinhas como tu, mas sabe que até que é bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, finalmente um elogio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não foi um elogio. É verdade, o teu jeito não tem nada a ver com o teu rosto, tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu gosto de Depeche Mode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos isso. Quando alguém dizia ao pequeno que gostava de Depeche Mode as coisas melhoravam. Era compartilhar muitos segredos ou intimidade de letras e sons que ele conheceu como um país. Quando se trancava no seu quarto azul, no início de tudo, antes mesmo de ter amado a primeira vez. Depeche depois virara ícone de toda a sua indignação cristã e todas as outras passionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu só acho que você devia se comportar mais vezes como quem tem 28 anos e não como um garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se eu me comportasse como um cara de 28 anos, provavelmente não estaria aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra, tu só fala isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o destino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí não soube nem um nem o outro se a frase era irônica ou verdadeira mesmo. Agoniado com a postura sempre esquiva do pequeno, ora muito moleque ora muito freirazinha, o ranzinza o colocou a força em seu colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vê como cabe direitinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se divertia assim. A primeira vez o pequeno se levantou do colo. Mas o ranzinza puxou de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que que tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É o suor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Suor faz parte de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nunca vai reclamar de mim? De nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não estou aqui pra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ele conseguia? Até hoje não saberemos. Mas há almas dessas que em períodos da vida ficam mesmo fortes demais, inquebráveis demais, certeiras e corretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senta aí, porra! E puxou mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só uma música a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era mais depeche. Nem se lembrava qual era. Sentia a respiração ofegante do ranzinza, sem camisa, evidentemente, talvez crente que o nosso herói burlaria suas leis próprias. Mas não burlou. Ficou um pouco tenso, é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante era sair com ele no dia seguinte, e esperar que se o rico pudesse ver, como sempre via, esperar para que fosse ainda mais carinhoso, e mais singelo, e mais educado, que tivesse a capacidade de fazer brilhar os olhos no meio da multidão: daria certeza a quem fosse de que amava o ranzinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou ter que ir antes dela chegar, e amanhã venho bem cedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá vendo? Eu sabia que uma hora você iria desistir de verdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora você está chantageando. Isso demonstra muita fraqueza sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza ficou com ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos fumar um cigarro lá fora do apê. É melhor pra ela não reclamar. E foram. Sentados no corredor fumavam. O prédio tinha um enorme vão central. De fato, o prédio era um famoso antigo da cidade maravilhosa, que durante muito tempo achavam que iria entortar até tudo sucumbir. Mas nada disso aconteceu até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fumando o pequeno tinha tempo de se recolher. O ranzinza não parou daí a falar de sexo, a querer saber sobre como ele fazia, a indagar e cheirava a sexo. Talvez tivesse passado a tarde tentando se masturbar com a mão esquerda. É que ele era destro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu achas que atrais os outros com esse teu jeitinho, né? Tu não és nada. És bem uma merda, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calava. Era parte da prova: a prova que toda maldade quer é que a bondade se fragilize e aja como ela, a maldade, agiria: taí, eu sabia que não eras tão bom. É assim, e por ser assim, a gente, e sobretudo o pequeno, tinha força de controle aprendido com muito êxito durante seus 28 anos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra falar a verdade, eu prefiro o Depeche Mode dos anos 90.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza ficou mais ranzo. Que que tinha a ver falar nisso naquela hora?&lt;br /&gt;Nada de romance, pensava o garotinho: nada disso eu vou deixar florescer... quanto mais forte for a sua crueza, mais tu aumentas as minhas habilidades, mais desenvolvo os meus poderes, novos, de lhe dar com a humanidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-2983627550244871745?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/2983627550244871745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2983627550244871745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2983627550244871745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/04/rio-de-janeiro-xi.html' title='Rio de Janeiro XI'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6348078780153215254</id><published>2009-03-29T18:20:00.001-07:00</published><updated>2009-04-07T21:30:05.157-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro X</title><content type='html'>Se há algo que o pequeno mais admira em si: é se tornar fraterno aos inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum inimigo era tão potente que pudesse lhe render? Aos braços, talvez.&lt;br /&gt;Acontece que a amiga chegara tarde. O vinho foi bebido só. E o pequeno, tanto se divertia quanto lamentava alguém poder ser tão cruel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar, a amiga agradeceu muitíssimo e pediu para que o nosso personagem voltasse no dia seguinte. Bem cedo, para não deixar o coitado com fome ou desespero. Era a hora de os dois terem seu momento fraterno. O pequeno tinha bom-senso. A garrafa já estava vazia. Andou pelo centro do Rio naquela noite bem lentamente. Passou por becos, cruz vermelha, tudo lento e reconfortante: tinha cumprido sua primeira parte da missão. E saíra, ao que tudo indicava, muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, bem disposto: voltara. Quem atendeu foi o ranzinza. Chamarei por vários nomes, de fato. Porque muitas vezes, depois da paixão, tentou até se tornar um cavalheiro. Coisa risível. O que ele era, na verdade: o que se tornou: o mensageiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo saberemos o por quê. Agora o rosto de quem acabara de acordar. A amiga ainda não saíra para o trabalho mas deixou inúmeras tarefas. Limpar a casa inclusive. No que o pequeno consentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fazer comida eu só sei miojo ou enlatado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu? Eu disse que essa bicha não iria me ajudar em nada!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz parte do treinamento voluntário e fincou os pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só não fumem mais aqui. Tô saindo, cuida dele direitinho. Fuma aqui, na porta do apê, tá? Meu queridinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza pediu por comida. O pequeno, vendo que não havia nada em lugar nenhum, desceu novamente do prédio e comprou alguma coisa pra se fazer rápido. Talvez pães, se a memória não me falha. O ranzinza, cumprindo o seu papel, fez cara de nojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E além do mais, você precisa sair. Talvez hoje você ainda não queira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não ando no sol e não trouxe protetor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não saíram. O dia como sempre lindo. A cidade sempre em festa: eram os ossos da bondade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo para cutucar o ranzinza foi desferindo seus golpes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não deve ser tão bonzinho assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você não deveria ser tão grosseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o tal grosseiro estava era assustado. Na noite anterior, mal o pequeno saíra e ele comentara com a amiga se rindo e se gabando: dúvida que ele seja tão bom assim como você me falou no telefone e como você o defende agora! Quer saber? Amanhã, ele não volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno preparou a comida, no que o grosseiro comeu. O pequeno até colocou suas roupas para lavar e depois de lavadas foi pendurando pra secar. Mas tinha que ser exatamente do jeito que o ranziza queria: a roupa deve ficar assim! no varal! Tá vendo, você não sabe fazer nada! Você não sabe de nada, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza, à medida das horas, ficava mais perturbardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A amiga volta para o almoço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez não. Ela trabalha o dia inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você saiu muito tarde ontem daqui. Não teve medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu és muito burro mesmo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como e de onde surgia paciência, meu pequeno. Vinha daquela santidade, lembram-se, ao retornar do sul. Além do quê, o humano à sua frente só não sabe que não precisa ser assim. Ninguém deve ter ensinado isso pra ele. Coitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sou formado em antropologia, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou em artes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dava pra ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o sexo? Como tu faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez as contradições: embora fosse ranzinza era um gay caçador, não saía aos lugares gays, caçava entre os andantes paulistas. Coisa quase de enrustido. Era o seu jeito, fazer o quê. As bichas o deprimiam, faziam-no muito menor do que seu ego já concebia. Teve uma vida difícil, o ranzinza, aprendera a ser macho a base de pancada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitado. Pensava o pequeno com verdadeiro amor fraterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu me acha bonito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, deve ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como: "deve ser"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de imitar o jeito do pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve ser, porque você está todo marcado e não dá pra perceber ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, com o tempo, mais o seu rosto de Jonny Deep surgia e os cabelos negros e a pele branca, não poderiam mesmo pegar sol carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faz nem um dia que nos conhecemos e eu estou irritado contigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo te irrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sinceramente achava que tu não fosse aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu dei minha palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E sempre cumpre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que sim. Quem não cumpre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza gargalhou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu é muito ingênuo e chega a ser ridículo. O que tu fez a vida inteira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofri, pensou. Mas não disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu és burro, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não posso e nunca devo responder com ironia. Eu sei bem como ser irônico, sei, sim eu sei, sei como ser cruel também, mas decidir não sê-lo. Não é com a minha ironia ou com sarcasmo que se prova inteligência, isso é dos fracos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ranzinza calou. Admirou bem a peça que, pela primeira vez, dava provas de si. Talvez ali, naquele momento, foi que se apaixonara. Talvez ali, com aquela frase, foi que o pequeno percebera que não estava tão só. Havia um monstro de verdade em sua frente. Riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você está rindo. Eu já te peguei rindo várias vezes sozinho! Sem nada pra rir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu gosto de rir. Gosto por gostar, ué? É como fazer este gesto no ar... ou coçar o nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Patético, viu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vi, vi também que pelo jeito amanhã você já estará melhor e poderemos dar uma volta. O Rio não é tão perigoso como eles dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é por isso que eu não saio! Tá vendo como você é burro?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De qualquer maneira você precisa de companhia, não, para ir ao médico, não foi por isso que veio? Por que tens que ver isso aí do seu braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não entendo como alguém que veio do sul fala "você"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você veio do sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nossa amiga é do sul e foi lá que a conheci. Sou bem do sul mesmo, interior. E daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase escapuliu que era notório que viesse do interior. Mas o nosso pequeno continuava sempre o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nasci no centro-oeste. Minha vida foi no sul. Ou parte dela. Idas e vindas. Sabe? Até que cheguei aqui e estou contigo e podemos passar uma tarde melhor ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Nasci no centro-oeste. Minha vida foi no sul. Ou parte dela. Idas e vindas. Sabe? Até que cheguei aqui e estou contigo e podemos passar uma tarde melhor ou não."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não pode ficar me imitando sempre. Fica chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- "Você não pode ficar me imitando sempre. Fica chato." Eu sou chato! Quero ver você desistir de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, estou indo. De verdade, eu preciso trabalhar a tarde. Mas volto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a roupa? Nem secou ainda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai secar, você vai ver. Tudo seca rápido nos braços de cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele apertou a mão do ranzinza carinhosamente, ainda olhou-o com certo cuidado no rosto. Fez uma cara de enfermeira e saiu. Era verdade mesmo: trabalhava das 12 às 18, ou até as 17, se quisesse assim. Um trabalho muito bom, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixara o rapaz aflito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6348078780153215254?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6348078780153215254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/se-ha-algo-que-o-pequeno-mais-admira-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6348078780153215254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6348078780153215254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/se-ha-algo-que-o-pequeno-mais-admira-em.html' title='Rio de Janeiro X'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-4067526721906290643</id><published>2009-03-28T20:30:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T21:29:50.576-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro IX</title><content type='html'>Não é porque gosto da cristandade, mas são as referências que nos contextualiza, e o pequeno, que era humano demais até aceitava isso de bom grado. Como filetes de luz entram e deixam a penumbra um tanto mais preenchida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas pensou que, por ser voluntario, da ação caridosa, provaria ao revoltoso doente de ser desnecessário travar guerra. O revoltoso doente, no entanto, mais impressionado ficava com a persistência enérgica e o carinho e a voz de quem não presta atenção ou finge não ser maltratado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, estou santificado. Não espero de mim maldade ou ironia. É preciso antes cuidar do seu braço e na minha companhia quem sabe o Rio não te pareça esse infero do qual reclamas tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, começou aquela amizade. O pequeno não o achara feio, nem desinteressante, mas passou pela sua cabeça que jamais ou que infeliz pudesse, gostar de um gay tão rude e que gostava, além de tudo, de ouvir mesmo seus clássicos, dizia, antropológicos, ou coisa assim. Eram as piores faixas que um gay poderia ouvir, por exemplo, das duplas sertanejas aos sucessos antigos e batidos de franceses... Se tivesse quarenta ou cinquenta anos! Até se sustentaria. E mais novo que o pequeno e morando na escandalosa capital universal dos punks-rocks aquele ranzinza nunca entrara numa boate?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino, mais que o tolo, é que desafiava com riso irônico das habilidade mais humanas de nosso personagem. E quem venceu se não o nosso personagem. É claro. Durou duas semanas que narrarei aqui em alguns detalhes para não nos perdemos demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saibam apenas que no carnaval mesmo, depois de curado no Rio e de volta a São Paulo, foi que o tal grosseiro, é como o chamarei, recebeu o pequeno todo bobo em sua quitinete pobre do centro paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante dizer duas coisas: ao pequeno, acostumado a ondulações bastante claras das classes sociais do país não achava pobre a quitinete, a pobreza talvez viesse de espírito tão bruto que nada tinha a ver com as delicadezas próprias do nosso fingidor. E outra, tolo, não por que o pequeno assim o considerava: mas era o destino, tal grosseiro, tal, o destino que nos quis em tolice para o que nos virá e não sabemos ainda, pensou pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, vamos traçar um ritmo mais alegre para essa história. Embora já pudéssemos pressentir seu fim (que não foi tão curto, adianto), podíamos ao menos dar-lhe o toque exato da comédia romântica que se seguira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O doente rabugento e grosseiro, mais novo que o pequeno, e o pequeno, um ano ou dois mais velho, mas com seus ares de moça rejuvenescida e bondosa. O doente nunca havia pisado naquele solo cristão; o pequeno, por outro lado, apenas sabia que embora fosse maltratado por quem lhe desse gratidão: era um desafio. Ser voluntário é isso. E nada mais. Que as manchas de seu rosto aos poucos passassem, talvez lhe tirasse até um riso do rosto fechado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está muito quente aqui reclamava, e a amiga que não chega nunca? Você me fez esperar horas na rodoviária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você ficou com vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro com esses hematomas! Queria o quê, bicha louca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fingiu não ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aqui perto tem um super-mercado eu irei até lá. Me acompanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do alto daquele pequeno apartamento onde estavam. No início da história, dava-se pra ver toda a fuligem e o sambodrámo. E dava pra ver a Avenida Brasil inteira com todos os seus carros e barulhos. Era lindo. Mas não para o ranzinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não acha mesmo o rio maravilhoso com tamanha fervura? Ainda de noite quase dá pra ver a fumaça saindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não vou a supermercado nenhum. Aliás, me deixa, não vale a pena me ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O braço quebrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vale sim. A amiga me pediu e só saio daqui para ir ao supermercado e depois eu volto e espero ela chegar. Logo estará aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você vai fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou comprar um vinho para comemorarmos a sua chegada, ué?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprar um vinho? Um vinho? O nosso amigo se debateu: era louca a bicha mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-4067526721906290643?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/4067526721906290643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-viii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4067526721906290643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4067526721906290643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-viii.html' title='Rio de Janeiro IX'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5615293991906038204</id><published>2009-03-22T19:01:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T21:29:33.531-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro VIII</title><content type='html'>Como não é uma tragédia já que nem um personagem morre até aqui, neste dia, é fácil descrever o passado e localizá-lo, mas a tarefa difícil é o recorte de uma vida tão intensa e ao mesmo tempo tão fracassada num corpo que o tempo inteiro sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retorno às fervuras, novamente era janeiro:&lt;br /&gt;Chegara num dia de festa. A lapa participava de mais de seus grandes eventos de rua, sob os olhos de São Sebastião protetor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno que fizera parte da produção do evento estava feliz como nunca. Tinha algo de livre em si: ter passado alguns dias com a mãe no sul lhe fizera muito bem, ainda que lá seu silêncio fosse de uma grandiosidade perturbadora: era quando ele se decidia, de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trair-se não era algo que o deixara, jamais, quieto. Soubera desde cedo aceitar as traições alheias, pequenas ou não, mas nunca as suas próprias. Acho que vimos isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela tarde o sol ardia em muito fervo. Que é das marchinhas andantes algumas muito belas, tipos e subtipos inimagináveis que na cultura do pequeno pouco fez caso no passado. Logo fora visto por um de seus admiradores e logo lhe estendeu as mãos e o sorriso. Era acolhedor de fato, ainda que não pudesse se entregar ou não quisesse àqueles olhos azuis: sentiu que o podia libertar de tanta e tanta coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sentia naquela tarde de volta que ainda sendo preso, poderia ao menos libertar os coitados e os maltrados que do coração fazem caminhos de inverdades e tropeços. Sem precisão. Que pareça orgulho ou vaidade, ou bondade extrema que chega a cegar de ódio. Mas o pequeno tinha um coração gentil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fraterno, na espera de que a luva viesse à mão e finalmente o tal namorado surgisse. Naquela festa toda nem teve a paranóia de achar que de algum lugar do meio do povo ele viria. Acho que respeitou-te, pequeno, por sempre soube que voltavas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra de quando fugise de um dos maridos, apenas para estar com ele? Ou querendo-o demais não suportava mais a presença daquele doido obsecado. Sim, eu tenho um amante, embora não tivesse te traído ainda, eu tenho! E ele é anterior a você. A sempre alguém anterior que está presente. Não é assim? Mas esse segredo eu penso e não digo. Eu fujo e tu, meu doido obsecado, espera, que volto para reparar os concertos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra de quanto tempo ficara, pequeno, sem rumo de lá pra cá, com corações tripartidos em milhares de fragmentos, todos muito bem satisfeitos? Não, alguns bem feridos ou outros a ferir sempre, porque eram pontiagudo por natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos falar de como deus fora belo e de como naquela mesma semana de festas lhe trouxe o sinal de uma vitória aparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2009, o pequeno continua acasalo a si. Pretende que sua autobigrafia fique limpa do contato humano e se distancia, mais por isso que por vaidade. Foi no Natal de 2008 que o final deste enredo terminava. Mas como estamos longe daqui, em termos textuais, é melhor que ainda saibam dos atravessadores de deus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5615293991906038204?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5615293991906038204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-vii-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5615293991906038204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5615293991906038204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-vii-incompleto.html' title='Rio de Janeiro VIII'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-249513676662494669</id><published>2009-03-22T18:40:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T21:29:19.486-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro VII</title><content type='html'>Então pensem no calor que a cidada ao menos lhe desmaiava um pouco e, por isso, o pensamento tinha um pouco mais a pensar: no suor escorrido que na dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que o atormentava mesmo era evocar de certo modo algo que já esquecido ainda quase se o tocasse lá nas outras entranhas pudesse lhe salvar. É que a gente sempre tenta um salvamento. Mesmo que recorra a antigos mitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele, como era de crer, não se lembrava de nada. Era mesmo real e verdadeiro que não se lembrava de nada do seu coração inteiro. Só o rico, como o rico, como o rico conseguia saber de tudo de sua vida. Melhor fosse quando... quando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor fosse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando eu sentia das telepatias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo retombava na caixa craniana. E ele ficou pensando, quem amara daquela forma um dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amor de espírito. Deve ter sido de romances espíritas e esqueceu mais uma vez dormiu. Porém, essas coisas acessadas é que são piores que daninha erva. E no intuito de ser forte e não tentar lembrar mais nada acreditou que em sua última reencarnação apenas morrera de espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o rico tinha diferença ao feio. Hoje posso dizer olhando a cena de desconforto. Era que o rico sabia tudo dele, tudo, por meios práticos e verdadeiros. O feio, só parecia saber por outros meios de ver. Já que o pequeno sentia o feio, o feio devia senti-lo. Então, menos louco ou mais louco. O pequeno já estava fadado ao mistério de amar fugido. Mas nunca lhe saiu da boca que um dia o rico houvisse: como é que tu faz isso? Era pra não se comprometer e estava forte, tinha pouca curiosidade porque afinal o rico lhe mentiria e lhe mentira nesses detalhes e ele não iria gostar de ouvir mentiras piores que já um dia criara pra si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes olhava para os lados para ver como nesses filmes se havia sempre alguém espiando e sempre devia ser a mesma pessoa, não? Mas a sua memória tão frágil e descartável, não foi assim que a treinara, pequeno? É uma memória vaga que o dia passa quente e se esquece até de se lembrar do intento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desistiu disso, a próxima angústia era nunca saber quando o rico voltaria. Em 2008 durante a briga que tiveram ele se lembrou dessa tortura. Ele se lembrou também já se lembrava da tortura que era ter amado um dia um cara feio que lhe disse que viajava e que ele sentia como se fosse na pele que se aproximava e recuava e que um dia teria coragem de ligar de novo os telefones para um novo recomeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, no Rio, embora tivesse apagado mesmo da mente aqueles fatos, tinha um pouco mais de coragem e persistência na angústia de não saber quando o rico se aproximaria. Para tanto era escrever, trabalhar, trabalhar, escrever. Trabalhar, trabalhar, escrever. E quando tinha tempo algo começava a crescer e para não se enroscar em novos desespero encontrou finalmente seu último brinquedo: era fácil, pegava um cabo de vassoura e como o quarto era amplo (só tinha um colchão no chão) ele colocava suas músicas prediletas. Depeche Mode. E ficava treinando como se tivesse sido ninja e nunca uma biba louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O treino lhe dava prazer, porque sabia que com o bastão iria longe. Mas mantinha em segredo, como aprendera a ter tantos, algo tão ingênuo. Só para não ter que ser chamado de louco pela amiga que dividia o apartamento consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra que passar por esse constrangimento. Quando cansava do bastão, dançava-ninja e golpes no ar. Era melhor que o choro e ao mesmo tempo produzia bons efeitos no corpo. Sorria. Ou se a dor era grande, como já descrevemos aqui, chorava sem parar de golpear o ar flutuante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, as flutuações do ar, ele gostava de ouvir e gostava de ver sua sombra como se o reflexo dela, não fosse si mesmo, mas outro: nipônico e forte. E sereno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um conseguiu perseguir seu espírito. O outro o perseguia por onde fosse morar. Como do mundo não viveria enredado em saber flutuar. E passar pelas paredes como se fora fantasma era o sonho ideal da morte. Ninguém o tocaria depois dela. E a morte lhe voltava sem temor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê-se que pensava em morte ou em deus do jeito que queria. Em diabo e em dança, dançava do jeito que queria. A cultura finalmente, ele não precisou mais pensar nisso, que ela perdera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tinha os seres humanos persistentes. Como eram. Ainda bem, volto a dizer, que o calor lhe produzia bons cansaços, e é menos triste aos magros. Tinha amor pelos homens, é claro, mas lamentava que acreditassem em tantas bobagens. Ainda bem que aprendera cedo, foi a sorte do sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outono o deixara forte, mas os encontros não permitiram se expandir tanto o quanto merecia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-249513676662494669?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/249513676662494669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-vi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/249513676662494669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/249513676662494669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-vi.html' title='Rio de Janeiro VII'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5106491529266708344</id><published>2009-03-22T18:03:00.001-07:00</published><updated>2009-04-07T21:29:05.484-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro VI</title><content type='html'>É importante sobressaltar que naquele lugar, entre aqueles quatro encontros, no decorrer daquele todo ano, o nosso pequeno não era mais o mesmo chegado desprevenido e exaltado de coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o primeiro encontro não dormia mais em paz. Os fatos íntimos se agregaram em sua alma como é ou deve ser quando é íntimo demais. Doentio, antes de tomar de suas bagas, alívio bastante prático, ele ainda tentava resguardar sanidade de tudo o que sentira até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As artimanhas, nada disso funcionava. Ou funcionava muito pouco. E nas entranhas tentava colocar o rico e seus dentes tão lindos. Aprendera mais algumas técnicas, depois que se mudara da Lapa e fora para Santa Tereza, onde vivia como em casa de boneca. Realmente um apartamento interessante já que dava para uma varanda baixa e para um parquinho. Difícil descrever. No entanto, combinava com sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a Tereza Santa que piedosa lhe deu conforto e um quarto enorme e menos mofado para descansar o espírito. Dava-se de escrever, pois um outro amigo, muito amigo, havia lhe mandado um notebook antigo e era a sua felicidade abrir o miltinho e se entregar às ficções tão bem quistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, a escrita, sempre a seu favor. Ou não. Nesse tempo aprendera a nunca mais escrever poemas, nem colocar nomes neles e sobretudo cartas, nunca escrever cartas porque nem ele, ele mesmo nunca voltaria a lê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas falemos do quanto se comprimia, em vez de todo o sentido tátil e póetico das noites que ele deixava entrar no quarto para lhe dar penumbra na pele e se autoalisar em pról de carinho. Agora, se pensasse no rico, pensava na tortura que era ter pele. E como seria pior não tê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para entendermos um pouco mais desse personagem, voltar sempre era preciso. Ele não queria. Lutava contra as explicações históricas. Mas quem sabe um bom analista pudesse se apiedar de suas dores ou não se apiedar de nada, porque é de uma humanidade mórbida esse menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembremos por nós de quando ele decidiu não deixar ninguém tocar sua pele. Lembremos disso. O que ele fez de si? Se ainda não contei, é porque fora terrível. Fora o tempo dos infernos mais prazeros. E é difícil de acreditar que alguém no auto casulo pudesse se ofertar tanto prazer: primeiro, criou a lei da negação, o prazer portanto de dizer não, com uma sofisiticação apenas, não dizer não com a voz, dizer com os gestos, se esguiar, se esgueirar e fugir de fininho das investidas. Sorrir sempre, buscar um drinque, não voltar mais. Explicar nunca. Tudo isso que deixam alguns homens muito bravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, as coisas escritas. Não voltemos nelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, na tríade de seus prazeres o olho coberto de desejo: ver se é mais forte ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não tinha dúvida de que sabia exatamente o que o feio sentia. Ele não tinha dúvidas que ficaria sozinho, mesmo descobrindo seus pequenos cuidados de si, para que um dia pudesse, como podem as donzelas dizer, que é verdade, exite de realidade própria alguém que espera. Por mais que já houvesse escutado a voz daquele ser amado, dizendo viagem... que viagem sua, meu amigo... por mais que lhe dissessem a face: tu, pequeno, enlouqueceste - ele ainda persistia. Caso fosse mesmo louco, não seria covardia entregar o seu destino nem que fosse uma noite a um estranho mais maldito? E se enredasse num jogo de não amar estando gozado por dias e dias namorado, não seria mais maldito? Por um tempo ele desacreditou mesmo nos tolos. Mas não que fosse ele o pior de todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda aquela sintomatologia persistia. Foi difícil acabar com ela, meu pequeno doentio. Foi difícil deixar de ouvir a voz da alma gêmea que tanto lhe parecia ser. Que era! Afirmava e num segundo já não mais. Não, é loucura minha. E era! Mas não, eu sei viver entre os mortais. Que prova lhe dava, então, ninguém ninguém o admirava nisso. Ousou até ouvir da boca de outros que era mais um jovem obsessivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obsessão não seria perseguir e ir a fundo e fazer como fazem esses malucos que andam por aí armados ou violentos a destruir o outro? Nunca faria sofrer mais o nosso feio do que o nosso feio já sofria por sua covardia. Era no que ele, no fundo, sempre acabava por crer. Sentia também que o feio sofria por seu sofrimento. E neste amálgama crescente. Os dois sofriam por não se ter. E se respeitavam assim, no silêncio perpétuo, no sentir o sentir que não é seu, mas que se torna seu, a partir que senti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a parte sentida separada por distância vai telepatizando mais e mais. Por isso todas as decisões e revoltas, talvez, porque foi difícil acabar com esse ciclo. Que ao mesmo tempo o viciava sendo a única maneira de possuir o amado feio amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quatro vezes conseguira uma arma. A primeira arma linda arma. E por quatro vezes junto a um amigo tentou dispará-la contra si. Demorava para ter coragem, mas uma hora tinha. Passavam a noite inteira esperando essa hora que a mão fale mais forte e que a dor também. O amigo fazia igual ou como acontecera duas vezes um foi antes duas vezes outro primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode imaginar a tensão. No quarto, passavam juntos, dois dias. Esse amigo que mais tarde o socorria nas crises que não eram criativas mas das passionalidades que retornaram até aqui. O primeiro suspense está consigo, depois se a bala se perde no amigo, como explicar? Uma hora o desejo é maior e não se quer explicar. Fica sendo coisa mórbida, doentia, prova de tudo o que o mundo queria: és louco. és suicida. e se é o outro que morre: um assassino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, o grande prazer, porque por sorte, acaso ou missão. Deus não queria, ou os anjos, ou os demônios, ou seja lá a vida! não queria que nem um dos dois morressem ali. Claro que sempre torciam para vencerem o destino. E a glória disso, infinitamente, poderosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como então, não explicar, que desses quatro gozos satisfeitos, nosso pequeno e seu amigo teriam medo de pequenos defeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, em vez de ir a boate, estava sim no seu ritual de não passagem e dormiam, como dormiam extasiados de vencerem a morte, o amor e a vida. Não era disso que tratavam os escritores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até ficava sem escrever por meses. Era esse o seu terceiro e último prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos no Rio de Janeiro, onde arma seria fácil de achar e ele, acocorado de dor anímica, nem se lembrava mais disso. Mas talvez soubesse que uma hora teria que tomar um comprimido e deixar que o outro dia lhe levasse a mesma cena à noite e assim, sussessivamente até que o rico voltasse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5106491529266708344?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5106491529266708344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-v_22.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5106491529266708344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5106491529266708344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-v_22.html' title='Rio de Janeiro VI'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-7683970233425738791</id><published>2009-03-20T20:17:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T21:28:47.199-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro Y</title><content type='html'>- Se você não gosta do frio nem do inverno eu não entendo como pensa em voltar ao sul. E naquela ilha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não volto pra ilha, vou direto para os meus intentos. Na ilha é preciso de dinheiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te dou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu já aceitei algumas vezes o teu esquema, mas desde a minha vinda pra cá, nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era verdade que durante os longos anos que estiveram juntos o pequeno de certo modo aceitara certas coisas, mas não mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se falou em compra e venda ou papos assim banais para o que sentiam. Quando estavam juntos eram sempre tão confortáveis ou ao passar dos tempos desconfortáveis tamanhos que não se aprofundavam em detalhes de economia ou sentidos de moralidades. Se algo lhes perturbava mais era não encontrarem a saída exata de estarem juntos todos os dias por todos os dias que lhes prouvesse o destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno veio passar férias com a mãe e o irmão e no sul resolvera que o Rio realmente já não era pra si. Olhava pela janela, a mãe sempre se questionava dos por quês daqueles olhos tristes no céu, nem era no mar, que se via imenso dali. Era no céu que encontrava horrores, meu filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas somente com a mãe é que mesmo guardando segredo de anos sobre aquela relação doentia e mesmo já tendo guardado segredo de anos do outro amor que foi o engano, ele se sentia a vontade de ao menos sofrer com alguém. A mãe, coitada, era essa pessoa no qual o filho sentia que podia ao menos fingir menos. Ainda que não falasse nada e que por isso, causava alguns conflitos de ordem pragmática: o que posso fazer por ti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha pela mãe, é preciso esse adento, um orgulho e uma falta: por que ela não ensinara os filhos realmente o que era o amor? Por que não mostrara logo, tão logo os filhos existissem, que tudo era farsa? Porque não acreditava que havia farsa no amor? Não, por que no fundo é imoral ensinar aos filhos o que de fato sentem os adultos de verdade. Desde cedo portanto todos nós aprendemos por meio de mentiras. Até deus era apenas uma formalidade social para que os filhos apenas não saíssem por aí cultuando o diabo e trazendo constragimentos sem utilidades para a família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se lá, mas a educação ainda é pouca e pouco preparao se pode dar há um homem, qualquer que seja, e há uma mulher quando o tema é paixão. E é por isso que os escritores e poetas persistem no tema que a ciência já baniu, que ao Estado pouco interessa e que as religiões não dão crédito certo já que envolvem tabus dispensáveis. Deixe pelos romances, novelas e filmes, que o ser humano descubra, aprenda por si mesmo e depois se cale e repasse aos filhos as mesmas bobagens como verdades inteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse interim de férias no sul era o X. Era o X localizado numa geografia mental que estava em vários lugares ao mesmo tempo até mesmo em sua própria alma, coisa que tentava esquecer que existia no corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pelo corpo e somente por ele mãe, eu fiz tudo certo. Quando olho assim, é por nada, talvez porque me sinta evocado. Mas não passo do chão, o céu é grande demais e vermelho no verão me dá medo. Não se preocupe. Só sairei voando quando o que me evoca for mais forte que a física corrente do nosso planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sabia que daquelas férias tiraria mais uma vez uma decisão. Reviu muitos papéis nunca passados a limpo e viu que tinha muitos guardados com a mãe, intocáveis que a mãe respeitava. Resolveu que não poderia estar com o rico tendo ainda esta missão a cumprir e outra: acreditou que seu último romance escrito já teria concluído as idéias criativas e, portanto, se intensificasse sua missão de escritor poderia, por fim, se render ao nordeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando voltou ao Rio. Sentia-se livre, muito, parecia que agora sim estava sendo coerente e daria notícias ao príncipe que verdade mesmo era mais belo quanto mais envelhecia. E envelhecer aos quarenta nem existe? Tinha riso para pegar um ônibus por horas. Voltava todo decidido. Todo alegre. Todo evocado a ser correto nessa vida. Contaria a notícia do que seria o futuro, mas não do processo. Evidentemente, precisava distrair o rico, com o tal namorado inventado, conseguiria ao menos tempo... calculou, pois a mente sempre volta um pouco às antigas tradições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos dizer que uma biba assim, acumulada de desejos, de sonhos, acumulada de tudo o que lemos até aqui não tenha passado pelo espírito de outros homens? Foram apenas quatro encontros no Rio de Janeiro com o seu amor... E as outras pessoas do mundo não exisitiram? Estavam díspares desses movimentos íntimos, é verdade. Mas o pobrezito continuava vivo. E como não é de espantar num tempo paralelo, ou nos ambientes paralelos, que era o que lhe passava a maior parte dos dias - quatro encontros por meses sozinho - pensem, quantos se arrastaram no seu rastro que ainda era quente, era feito de carne, não somente como essa história recorta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí é que enquanto eu poderia deixar a vida do pequeno mais heróica não poderia deixar de pelo menos apontar dois seres que se transtornaram pela presença desse catarinense do centro-oeste ou vice-versa. Como nos lembraremos do louco lá dos primeiros capítulos, um destes acreditou talvez por um poema escrito numa folha com certas letras que poderiam mesmo levar ao seu nome, mas que não eram pra si. Era a maneira óbvia de o pequeno burlar certos poemas que ele nunca quis escrever. Sabe, quando a gente brinca de anagramas e o tiro sai pela culatra: há quem decifre de acordo com seus desejos. E isso alimenta uma alma atraída, alimenta alimenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nosso pequeno, realmente, não era tão displicente assim que não tivesse percebido. Mas tinha a frieza de saber que os dois coitados não tinham paradeiro na história, ainda que por ele se transtornassem um pouco de suas vidas. Não podia também simplesmente dizer: vocês estão enganado. Não. Ele sabia o que era a dor de ouvir dessas verdades. Então, como sempre fazia, se desviava, mas para não levantar suspeitas também alimentava os coitados de agrados e presentes. Nunca levantar a primeira suspeita de que no fundo se escondia um mundo que ele calculou tim-tim por tim-tim a vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu a entender que a um deles amava. O que no contexto as pessoas acreditavam. Ou ao menos duvidavam. Era a dúvida por uma mentira muito bem criada. Perverso pequeno que do mundo externo pouco fazia caso. Pelo menos o rico estaria todo protegido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nenhum deles servia para o tal namorado que deveria ter. Estes eram apenas vítimas de passionalidades platônicas, por que não? Se com ele mesmo aconteceu, se lembrava raramente que pudesse ter acontecido. Apenas não maltrava tanto, conquanto os platônicos já se maltratam o bastante coem suas covardias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mudou tudo foi na semana em que voltara ao Rio das férias. Anunciaria a todos de então no momento certo que voltaria ao sul. Precisava mesmo de um namorado para que, sendo vigiado sempre pelo rico, ele pudesse comprovar com as suas comprovações que sempre existiriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso calculava um namoro, percebam, não era apenas perversidade portanto. E a vítima surgiu como a luva caída dos céus bem rente entre os dedos dos escolhidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-7683970233425738791?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/7683970233425738791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-x.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7683970233425738791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7683970233425738791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-x.html' title='Rio de Janeiro Y'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-353350230754960684</id><published>2009-03-20T19:14:00.000-07:00</published><updated>2009-03-21T07:09:16.563-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro V</title><content type='html'>Ele só queria ter provado que a vida independia de amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele só queria ter provado um pouco mais da ilusão de não existir paixão capaz de arrebatar seu espírito. E naquele fim de tarde, nos braços do amante persistente, adormeceu, como acontecia às vezes com a gente, aquele cochilo rápido em em que se viu num lugar muito alto e de lá caía e tentou voar, e as pernas do lado de cá tremeram, mas o rico não se moveu, as pernas dele estavam confortáveis agarrando ao máximo e por tempo máximo o nosso pequeno. Na tentativa de escapar da queda gritou outro nome em vez do rico. Que este sim ouviu meio assustado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo acordara e prometera em silêncio nunca falar disso. Era vingança de todos, talvez, conquanto ele sobrevivesse e provasse que independente de amores: existia a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saudade e carência, o pequeno não sentia? Ah, para cada gotícula disso ele tinha um remedinho.&lt;br /&gt;- Deixa eu morrer em paz, eu preferiria, que se tu morresses antes... era de me deixar feliz. Daí sim eu viveria contigo onde tu quisesse. Se ver que eu morro contigo te mata antes e realiza meu último pedido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico abanou a cabeça como se não acreditasse que o pequeno fosse tão obsecado pelas bobagens que lhe saíam. Mas era essas bobagens iguais que lhe deixavam num outro patamar, de estar quase no céu de fim de tarde quando o céu é fogo e não paraíso e provoca um receio de fim de mundo e ao mesmo tempo não acaba nunca! Como se ama quem tem espinho? Várias vezes se perguntou e perguntou aos outros... era uma questão infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais quatro vezes se encontraram. Mas lá naquela cidade cristã nunca passaram as noites juntos. O nosso menino sempre precisava estar consigo. Nem que fosse por seu próprio braço enroscado alisando francamente o dorso em forma de mãe-e-feto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua sorte na história toda era amar alguém que não podia ficar muito tempo, no máximo dois dias, no mesmo local que não fosse o seu próprio. Como os vampiros tem que voltar a sua terra para reforçar os caninos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda má sorte começou quando descobrira que o tal amor nunca tivera família. Ou que, na verdade, não eram sertanejos, ou que nem saberia de onde vinha tanta fortuna, porque o rico nem mesmo tinha amigos apresentáveis. Tudo acontecera nesse tempo em que mais uma vez a vida lhe tirava verdades e lhe enchia de novos horrores. Por isso é que o encontramos com desespero e por isso a sua vontade sempre enlouquecida de fugir, mas já havia aprendido a fingir e fingir que não se sabe de nada é uma das piores potencias conquistadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a família o via sofrer uma vez respondeu que estava doente. Quando alguém lhe contava histórias de amores, lhe vinha a mente que não deveria nunca ousar contar a sua, para quem fosse, por maior que fosse no seu patamar de especiais amigos. Assim tinha feito há muito tempo atrás e refaria com qualquer nome que cruzasse seu destino cheio de improbalidades mais vivas que as nossas culturas quiseram existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez um devesse aprender com o outro das artimanhas: um aprendia que fingisse ou soubesse fugir, o outro aprendesse a mentir. É que o pequeno tinha capacidade de muita coisa, mas mentira poucas vezes, se lhe fizessem a pergunta certa lhe escapava a resposta exata. Não era certo fazer com os outros o que o destino fez de seu coração. Por mais pequena que fosse a invenção que viesse ao papel, aos olhos dos leitores todos, mas nunca de verdade, porque esta já era tão fadada a ser burlada e recontada com todos os recortes permissíveis que não existia: se não existia nem dor? Só a física controlável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se com carinho e sem revolta de traição da memória que surgiu, do dia primeiro de sua faculdade, de como estava novamente se sentindo livre e de como meses depois o nosso amante retornara e o impediria, desde a sua primeira visita à ilha, de ser só. Essa fascinação pela independência era a primeira de suas ilusões que até hoje passado os 2008 ainda persistia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intocável. Persistia. Em todos os sentidos. Explorável até o fim que não se encontra, mas issso porque criava nublagens ao redor e fazia os poucos homens darem voltas. Burlar a alma de poesia talvez o impedisse de morrer e ao mesmo tempo lhe desse continuidade de dar provas que um dia a velhice chegaria a todos e ele sorriria enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o feio voltara ainda muitas vezes quando não estava com o rico e não sabia se era pior a agonia daquele ou a saudade deste aqui. Agonia porque demorou muitos anos para que tirasse da memória na sua autolavagem cerebral que um dia tivera um primeiro amor e depois quantos anos demoraria para que se arrancasse o segundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como faria caso os dois existissem juntos em 2008?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que estamos no Rio e que lá ele não pensou nesta possibilidade pior. Voltou até a sua casa bastante nervoso. Fechou-se como sempre em seu mundo e não escreveu nada. Tomou de um remédio muito bom e dormiu. E desde aquele dia naquela cidade não parou mais de tomar, conseguiu até dois psiquiatras um para as crises criativas outro para o esquecimento da bulbina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos repetir com palavras diferentes a história que teremos que uma hora inventar. Neste presente de agora, o pequeno se isola, trabalhando feito louco ou desligando o celular. O que lhe importa é sentir o tempo passar, pois que seja sucetível ao sucesso e que o público espere dele o mesmo riso fraterno. Não podendo dizer mais nada, mais uma vez fracassar na fortaleza de fingir que não existem mistérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve um segundo marido nessa história, que contaremos em detalhes mais tarde. Antes do Rio e antes da cidade natal que era antes da formatura que era antes da ilha que era antes de novamente a cidade natal... e assim anteriormente era. Perdeu-se porque foi burlado pelo pequeno, fingindo-se de casado porque no fundo não deixara de amar nem o feio nem o príncipe, estava aprendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando morou em Goiânia também pensou que estava a salvo das dívidas cármicas. Goiânia é tão Goiás que logo lhe mentiria o céu: é preciso sempre voltar às bruxas, porque é de escrita que sua veia transparecerá. Ali, até se livrou por quatro meses do nosso rico amante, mas quatro meses é só férias, não mudança, embora assim tenha feito pra ser. Estava aprendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi na Lagoa com árvore de natal imensa, luzes e coisas chiques ao redor que o rico lhe dera notícia no quarto encontro que se mudaria para ali. Que quisesse viver sua vida pequena, mas que deixasse ele estar por perto. Nunca aceitou o que o pequeno fazia de si, mas era o amado de todos os dias e lembranças e ligações de mil celulares diferentes, para distraí-lo, já aprendera. Chamadas nunca identificadas, números do país inteiro, e o pequeno nunca aprendia. Algumas vezes sim, deixava tudo desligado, como faz agora, mas por motivos de segurança não podiam ser tão facilmente vistos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntos, jamais. E isso revoltava também o pequeno embora, como sempre, fingisse para si mesmo que não. Mas o que eu pequeno queria como todo pequeno quer não é ficar grande, mas pelo grande ser roubado até não poder escapar mais e preso para sempre em seus braços não poder nunca mais justificar sua vida por ser sua. Só torcia que não fosse no nordeste. Então seus joelhos mais uma vez balançaram e ele resolveu por revolta que encontraria um amor prático em vez de aceitar que o rico se mudasse pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho um namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentiroso. Calcularia um. Algum imensamente tolo que pudesse dizer: você é meu namorado. E a vida desta vez e como sempre faz com os tolos o colocaria, como a vida fez com os seus passados maridos, tolos na sua frente a lhe dizer: como você fez isso comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele responderia com a resposta que os tolos gostam de ouvir: é talvez o amor. mesmo que fosse uma resposta com os olhos que focados bem nos olhos de quem quer ouvir e a cabeça bem levemente de lado, os ombros um pouco de acolhimento e acolhida, e as mãos para trás ou agarradas ao cigarro e esqueiro para dar um ar de contradição... Depois escolheria uma parte do corpo que pudesse tocar e outra que nunca tocasse, para que desse sensações de pudores aos coitados que ainda acreditam em tolas frases de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio de Janeiro era mais bonito no Natal que no Outono. E nisso já se passara um ano, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu deixarias toda a sua administração para vir pra cá? Aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não é daqui que você gosta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu gosto de mim aqui, é verdade. Mas posso me gostar em outros lugares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pra fora do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho medo. E eu não gosto de sentir que posso sentir medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vai ficar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho um namorado já disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico sabia que era mentira, mas sabia também que o nosso pequeno faria de tudo para fazer disso uma verdade. Como o rico sabia. Engraçado como sabia de tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O seu problema nas outras cidades é que lá você tem muitos amigos. Aqui quem você tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sinto falta dos meus amigos, sinto falta de muita gente, mas também nisso aprendo a ser forte. Uma hora não vai ter que ser assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escapou-lhe a fraqueza, como se o futuro lhe viesse, e a mente lhe mostrasse: sim, uma hora vocês dois ficarão juntos, só nos resta saber se com o futuro que um planejou ou o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que o rico era claro em todos os encontros que ninguém nunca soubesse que os encontros aconteciam. No que o pequeno fora forte até então. Até então... e por isso, talvez uma certa vingança. No Rio seriam perfeitos! Mas não... havia a escrita, havia alguma saudade, havia alguma coisa a se resolver antes daquilo, calculava intuitiva que era a sua alma inquieta, seria perfeito, mas não! Alguma coisa ainda o impedia de estar ao lado do rico, só que naquela cidade o coitado mal sabia o que o futuro dos teus cálculos lhe retornaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque mesmo pressentindo as coisas, a gente só pressente. Não é como sinal do homem-aranha quando o perigo está bem próximo. É coisa que ninguém, nem os melhores espíritas, nos ensinou: prever as próprias ações no tempo pressentido. Aliás, era essa a expectativa mórbida dos médiuns. Um dia voltar a dizer: tudo é desígno de deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como viveria escondido naquela cidade grande? Se fossem pobres, muito pobres talvez, mas coisa que o rico não admitiria. Se fossem muito humildes, mas coisa que nem o pequeno gostaria de viver por muito tempo. Até porque tinha esse pacto com a escrita e a escrita diz, por missão, faça-me claro aos homens ou a potestade mas não me deixa queimar num computador cinzento. As placas logo evoluem, e não haverá hacker que poderá decifrar o que está sendo feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São tantos pesos num corpo só.&lt;br /&gt;São não são. Pra todo mundo é. Pensava ao ponto de se distrair. Pra todo mundo é, repetiu, para que fosse forte. Se todo mundo continua mundo não há nada o que temer e podes, pequeno, protelar um pouco mais das decisões conjuntivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa o Rio pra lá. Eu tenho um namorado e depois eu volto ao sul pra concluir os meus escritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi daí que pensou em atirar o pequeno na Lagoa que tem nome de gente ou políico desconhecido para ambos? Quem foi Rodrigo de Freitas, afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que não fuma maconha ou cheira? Por que não toma outros tipos de boletas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, que ódio o pequeno via nos braços grossos do seu princípe e para acalmá-lo alisou sua face e disse do quanto ele nunca envelhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nunca disse: eu te amo, também nunca ouvira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse isso quem sabe, tão simples. Mas vergonhoso aos dois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-353350230754960684?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/353350230754960684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-v.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/353350230754960684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/353350230754960684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-v.html' title='Rio de Janeiro V'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-4637520472655888064</id><published>2009-03-20T18:32:00.000-07:00</published><updated>2009-03-20T19:14:00.919-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro IV</title><content type='html'>E por que em 2008 não se lembrava das aventuras tidas anteriormente?&lt;br /&gt;Por quê? Tentava, destava vez, o contrário, porém os neurônios lhe respondia até com certo sarcasmo que todo o esquecimento era válido e que esqueceria a cada segundo, como uma habilidade nata desses pequenos mundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lhe apareceria jamais o pretérito, histórias vividas, vividas de fato, se encerrariam ou na onda que é do psicologismo humano, faria novo o que outrora era. Desta forma, os neurônios insistiam: por que saber o que passou como um filme mal filmado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, os anos do primeiro amor voltaram e nós que estávamos no Rio seguimos para lá novamente, porque faz mais calor e porque chegou o outono tantas vezes quisto pelo nosso pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi depois de alguns meses, passado o outono, que lhe fortalecia tudo, é que conseguira mesmo o primeiro emprego valioso. A cultura lhe chamava. Cultural. Nada lhe parecia do mundo que fosse estranho, logo se admirava e quem estava ao redor também de assimilá-la e descartá-la a bem quisesse. Assim é que burocracia, conflitos humanos banais, neuroses poucas, não lhe afetavam o dia a dia. Não. Ego, jamais tivera, ou apenas quando fingia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que até o outono viera a voz no último capítulo. E percebendo que na poeira ainda era achado, torceu o braço e seguiu ousando: - Eu não quero saber como me encontraste  para que o caminho não me faça revolta ou eu descubra que sem querer alguém me delatou, nem quero ousar imaginar que tipos de fiéis fizeram a sua voz chegar até a minha. Não vou mentir que tenho essa curiosidade, mas não sou gato de ser curioso com isso. Porém tenho unhas e elas estão sujas e ferindo um pouco os teus ouvidos com o dedo minúsculo eu possa infeccionar-te ao menos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu nunca fiquei doente, e hoje em dia não sei o que faço. Eu tentei ir à rodoviária, mas você me enganou pelos dias. Eu nem sempre consigo estar ao seu lado, mas o tempo se passou, não que esteja velho, mas nos conhecemos há quanto tempo e nada disso passa. Você foi embora, eu é que fiquei. Eu vou estar contigo nem que seja a ver de longe caminhando por entre a Cinelândia, entrando nos cinemas sozinho, indo às compras perto da rua em que mora, que é horrível. Ou até entrando nas casas noturnas que sei, poucas vezes vai, e sempre sai sem ninguém. Porque se não é de você ter outro alguém, eu penso, que boca que beija pra me abandonar?~&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que o rico lhe dizia era percurso real. Não havia entre estes dois humanos, como no caso do feio, telepatias e sintomalogias, anomalias da mente. Tudo era real. Agora a saber que até a curiosidade o pequeno forçava a não crescer, mas junto o ódio e a raiva de ter sido de alguma forma vigiado. Quem tem mais alma tem menos poder? Chorava e pedia, talvez pela primeira vez, o rico ouvisse esse tipo choro na vida de quem implora um pouco: - Vive outra, vive outra, a nossa nunca nossa, por favor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada controla como pensa. nem com o pensamento. nem com os surgimentos de mil idéias ou fantasias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não está no meu portão, porque sei que até aqui não sobes. Mas agora como vou sair na rua, nem pausadamente o soluço não me deixa falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desespero que foi. O outro estava ali, próximo, muito próximo e ele, o pequeno saiu agitado pela rua. Saiu em direção ao rico. Saiu pensando que a violência lhe tomasse o corpo, finalmente, e pudesse crer que de si seria um monstro e não mais inteligível. Num hotel no centro da cidade que ele visitara várias vezes dizendo aos outros ser voluntário. Pois várias vezes o rico voltara e por vários minutos eles se odiavam e se beijavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acostumado a se sentir fraco nesses momentos é que o pequeno, de fato, se fortalecia mais. E independente do que fosse que acontecesse que não tivesse sido de sua íntima vontade: é que não se puniria, nem ao outro, nem ao próximo, sim entenderia como se processa o erro e de como o erro se torna verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era antes do outono, eu dizia, e por isso, no verão frágil ele se rendeu. Talvez. Andou tão depressa que caiu na rua. Escorregou a pele num asfalto quase o ônibus passou. Algum povo o ajudou, alguém gritou que estava bêbado ou drogado. Mas estava feio o pequeno malaco do Rio de Janeiro que nenhuma bicha o quereria. Era ali tão maltrado fisicamente por si que pouco lhe importava os pêlos e as roupas, a sujeira ou qualquer outra coisa, embora o cheiro continuasse característico de café e cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico não imaginou que sofreria o impacto dos vaidosos. E daí sim abraçou o pequeno e sua mão um pouco arrojada e sangranda. Beijou o que pôde, enquanto o pequeno se distraía dessa coisa surgida. Não sabia porque estava ali. Sentia medo depois de tanto tempo sem nem pensar na palavra. Sentia também um frio diferente, quase febril, tonteava. Sentia a inutilidade desses dias que não tinham necessidade de serem tão sacrificantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas não é! eu estou bem, estou feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só no pescoço é que o homem pousava um pouco de saliva. No qual o pequeno pouco escapava. Desamarrou-se do rico e caiu com os joelhos no chão pediu para que não existisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha como estou feio e olha como vou ficar depois de amanhã quando isto que acontece hoje for forte, fortíssimo que eu não consiga esporrar nem nas palavras nem em conto nem em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você foge até nisso, quando está só. É a pessoa mais triste que eu conheço. Mas me deixa te pegar um pouco no colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou sorrir. Ele olhava para a janela, os dois olhavam, um do alto que era, o outro do abaixo joelho. Em muito tempo, talvez durante várias reencarnações, não o víssemos daquele jeito. Portador de desespero. A sua força era tamanha que nem desmaiava. O coração voltava a existir naquele pouco de osso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fosse mais impulsivo, mas calculou que não conseguiria se levantar e correr até a janela, não conseguiria passar pelo elefante ali em sua frente. Elefante lindo de dentes marfim. Era mentira! Era esquizofrenia. Era qualquer coisa então doentia que ele acreditaria nisso, porque tinha esses poderes, não, de acreditar e crer no que quisesse. E o rico veria que ele aos poucos e um tanto desajeitado se ergueria e voltaria pela porta como um reward de controle remoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu conheço quando você pensa, e você sabe disso, sabe por quê, porque de mim você não esconde os olhos atentos quando estão parados é que você pensa e já está pensando em partir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico o levantou pelo cabelo. Ele não sentia dor. O rico morderia sem piedade a orelha do nosso herói. Ele não sentiria dor. Era lágrima demais que o rico largou por piedade de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou construindo uma casa no nordeste. Lá ninguém de conhece. Você também não conhece. Será uma casa enorme, grande mesmo... sabia? Se eu fizer quarenta e você não estiver comigo talvez eu comece a  entender estas tuas escritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que citou o fato de o pequeno escrever. Pois no fundo preferiu mil vezes recordar apenas que o menino que ainda parecia ser, era só mais um menino. Tanto quanto o menino mencionou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca vou querer saber de suas construções e empreendimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi há muito irônico. Sabia ser. E usou disso na frase. Tão inviolável e tão ao mesmo tempo inviolável que por violência arrumou os cabelos e não foi até a porta. Ficou parado. As lágrimas sim se subiram à face e reentraram em seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu me encontrarás aonde eu for. Eu já sei disso. Mas para o nordeste eu nunca vou! Eu nunca irei e não quero isso pra mim. Eu te quero. Sim. Muito te queria. Se tu não fosses tu, porque tu é muito pior do que eu. E sabe disso! Sabe sim. Sabe. Eu é que não quero saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você nunca quis saber, você só finge, finge, finge e a gente vai protelando a gente mesmo. Eu não entendo essa loucura! Eu mudei muita coisa desde que te conheci e principalmente por ser mais velho eu acreditei que um dia mentiram para mim quando falaram de amor. Nada é procriação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi que ficaram parados em silêncio e quando o rico fechou a janela toda, deixando o quarto em penumbra e quando trancou a porta e ficou com a chave e quando o pequeno sem dúvida alguma se rendeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outono chegará e eu me fortaleço, foi o que pensou naquele beijo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-4637520472655888064?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/4637520472655888064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-iv.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4637520472655888064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4637520472655888064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-iv.html' title='Rio de Janeiro IV'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5481049310523329894</id><published>2009-03-20T17:49:00.000-07:00</published><updated>2009-03-20T18:29:24.271-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro III</title><content type='html'>Ao dormir no calor de seu quarto mofado o que tentava era não se lembrar e desenvolveu então a habilidade de lembrar-se apenas quando nos sonhos tidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, em todos os sonhos que tivera. Naqueles universos constantes é que punha seu foco sobre si. O passado dos sonhos e suas linhas nunca traçadas. Por história alguma. Cada sonho que tivera na vida encerrava uma vida em si. Embora alguns elementos vez ou outra surgissem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se entrássemos nos detalhes da maioria mórbidos que eram, não mais chamariam pesadelos o que para o pequeno se tornava uma distração habitual. Ironicamente na nova cidade ele nunca ou raras vezes sonhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a princípio não tinha emprego, acordava cedo e buscava pelas ruas alguma motivação. Claro que haviam milhares de coisas a se fazer nem que fosse pegar panfletos e se instruir sobre o universo ali pautado. Como sempre evitava as notícias de jornais: tudo o que via não era notícia demais para os olhos? E a pele inteira também. Nem uma cultura o tiraria das decisões íntimas tomadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuava a escrever. Como podia, tal qual queria, do que queria, contando que o gosto da letra nunca ousesse lembrar de si. O fascínio pela ficção se estendeu aos romances. Ou histórias maiores que ele concluiria ali e ali iniciaria outro. E feito os sonhos que gostava de se relembrar, eram histórias que cabiam por si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Si. E não se... era a palavra mágica do feitiço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fome pouca. Sede pouca. Mesmo no Rio de Janeiro. Destino algum, porém todo, todo domado. Ah, que excitação sem amores nem qualquer invasão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuava sobrevivendo sem peitos. Nessa questão é preciso dizer que um dia ainda jovem depois dos fatos ocorridos com o feio, como método prático de sua dissolução, aprendera a furar os peitos e com seus mamilos férreos não tirar mais leite. Nesse período a dor que é inicial sentida do encosto da carne intríseca e perfurada era o deleite inicial, daquilo que é aproveitar até o fim o sentido tato das coisas. Dor, era uma palavra que muito raramente se tornaria útil em sua vida, a não ser para se transformar em êxtase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta. A partida. O ego dizimado. Os pesadelos tidos. O fracasso. A partida. O coração sangrado. O peito, meu deus, sangrava um filete que lhe causava risos. E não parara por aí, ou antes, já na adolescência tinha o hábito de cortar-se com giletes para que um dia, precisando acabar-se mesmo, fosse a mesma mesmo enferrujada índice bom no seio mortuário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando publicara seu primeiro livro e começara a dar entender-se de vida é que o povo se incumbia em aplicar-lhe perguntas sobre a morbidez e suicídio constante ali, assassinatos e mortes, como se conhecesse a mente humana ou tivesse esse disparate de achar-se conhecedor do que o homem produz de horror... mas configurava-se apenas ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês não podem ver que eu não sou conhecedor extremo de suicídio algum, uma vez que estou aqui e vivo entre vocês e estou sorrindo demais para quem um dia morrera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque conhecia sim, matar o outro de si. Sim. Conhecia e se regojizava disso. Poderes de gente! E as competências todas cabíveis que nenhuma alteração parlamentar poderia tirar: a palavra é minha e a história também!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todas as que eu quiser inventar, eu inventarei e ponto final. Pensem vocês no tipo de experiência que tive, sou um pobre rapaz romântico que enfrentou o demônio por bem de si e não da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até imaginara muitas vezes que no fundo era ele a sua alma gêmea e que no Rio ainda mais fácil seria de encontrá-lo subindo a sua rua-boca de espíritos viria descer aquela rajada toda de fogo e frente ao portão da vila em que sobrevivia estaria ele a sua espera. Nada de cavalos brancos porque era urbano. Mas os mortos, certamente, os mortos cavalgariam por eles. Eles e só eles no seu traço particular. Breves sonhos deleitosos tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fantasia de sexo o tinha. E suas babas e suas deformidades, o tinha. Assim que era mais tranqüilo não precisar alguém real. Fantasias não se realizam, pensava consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem lhe causou tesão primeiro, porém, foi o cristo quando pequeno. O primeiro homem nu que vira e o excitara de tal forma que imitando-o pregado a cruz, para ver os próprios ossos, aos seis aninhos, caiu e cortou a testa. Ali onde mais tarde fecharia os chifres, para que a humanidade nunca nunca desconfiasse de seus atos impuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpo perfeito era o corpo cristão. Magro. Portanto, sua magreza poderia ter começado ali, bem como suas profundas noções de pecado: nada mais que um corte afetado e curado, por que não, pela humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só não se tornara filósofo porque gostava de decidir coisas. Decisões muitas vezes sem precisão de serem vistas ou observadas. Era uma atitude de prazer esta. Mas parece mesmo que lá na cidade caótica é que manteve o equilíbrio perfeito. Chegava em casa muitas vezes tarde demais, andava cambalheante e bêbado até a madrugada, passava por meninos com cara de mau e seguia até o portão. Mas ele, o diabo mesmo, nunca esteve lá. Sorria. Haverá outra cidade em que encontrasse alma gêmea capaz de ouvir os seus segredos íntimos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, meu pequeno, não faça isso comigo. Sentiu um pensamento. Mas de onde vinha? De que voz? Ocorrera sim, que os fatos estranhos traziam consigo fenômenos não materiais. Mas há muito já sabemos que a imaterialidade artística também é causa de orgulho as nações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o caminho não estava longe daqueles que vão afundo em suas histórias amorosas. Chegou o dia, antes do outono, que já não pôde mais se esconder. Ou melhor, fora encontrado. Pouco dava notícias, estou bem, era o que dizia a quem quisesse saber. Estar bem ou bem-estar é mesmo um termo muito bom para não se ouvir perguntas e questões. Uma maneira muito amigável e humana de não pretender criar rumores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo sua curiosidade maior seria conhecer o Outono ali, e todas as estações, quando vindassem estas, então, talvez, fosse dia de partir. Chegou a panfletear na rua em troca de um bom curso de artes filmográficas. E aproveitou bem, que fizera outros rirem e até amizades. Aproveitava bem dessa artimanha adquirida em ser legal e sorrir ainda que dor de barriga o lhe evocasse a terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não era a dor, na barriga, um. Prazer?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele adorava estar sozinho. Ele adorava suar naquela cidade e depois de um banho suar novamente, mas menor, e aí escorrer as mãos pelo corpo inteiro e pelas dobras. Como adorava suas dobras bem claras e certas. Ele adorava dançar sozinho e só quando era muito forte o desespero vindo mesmo de algo insabido era que chorava mas sem parar os gestos definidos no espaço porque queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquecera tanto que houvera alguma paixão na vida que se surpreendera com o telefonema maldito. Nestas alturas, crente demais, o pequeno percebeu que nunca fugiria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos pobres se fogem rápidos. Dos infelizes e dos fracos também. Dos tristes se foge com semblante complacente... Mas dos outros, daqueles insistentes, dos perversos, dos culpados: nunca haveria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se até um dia imaginou com uma mão a cabeça de Sansão e com a alma de Dalila. E os comia em oferta à carne a o espírito: seu. Dele e demais ninguém, imaginava. Sansão e Dalila morreram há muito tempo e eu faço deles o que quiser em mim. Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que desespero encontrar no número sem identificação de um número carioca que ninguém ousasse ter a voz de um chamado incalculado. Por que não aprendera que ao fim, não importasse o quê, ainda era ingênuo nas suas maquinações. Ou até infantil nos textos ficcionais. E que ninguém nunca seria. Nunca. Jamais. Só depois da morte. Mesmo assim temia que depois da morte houvesse vida, mesmo a biológica que guardasse um pingo de suas feridas em vez dos prazeres adquiridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era demais saber da morte, por isso vivia. Diga-se demais saber que sempre existiria. Por isso morrer não é fácil nem se esconder de quem igual tem olhos e pernas e boca para perseguir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5481049310523329894?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5481049310523329894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-iii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5481049310523329894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5481049310523329894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-iii.html' title='Rio de Janeiro III'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6131204110363601232</id><published>2009-03-19T21:07:00.000-07:00</published><updated>2009-03-19T21:35:05.340-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro II</title><content type='html'>E de fato, sem pensar em relembranças, sem remoer os pulsos do peito, já tendo esquecido há muito tempo a presença consciente do feio. Já tendo esclarecido há pouco o fortuito movimento de união e separação constante com o rico. O Pequeno se foi longe nos braços de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vitória que aos poucos se tornava vitória por si só, esquecera do quê vencera. Era vitorioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto, às vezes, até chegava a imaginar que nunca tivera amor algum e isso lhe surgia como uma verdade! Era mesmo como outro ser, quase virgem, não fossem as inúmeras masturbações que lhe protegiam de envolvimentos quaisquer com outros homens. Estava virgem e precisava amar de novo um primeiro amor de virgem, porque dos outros, destes que sabemos, naquele período, ele já esquecera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fundalmentalmente como fazem os espíritos a se reencarnarem, tinha vagas memórias e sensações de intuir que talvez soubesse o que eram esses sentimentos anímicos... Mas vivia e sobrevivia uma vida de luxo consigo: luxo de si mesmo: luxo de ser virgem em meio ao caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sabemos não temia nada. Isso também era um luxo. Nascera no Rio como um verdadeiro e imponente deus-ninguém. Deus-comédia. Deus-sem-que-nem-pra-quê: viril até. E estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde antes fora escritor premiado agora era ninguém.&lt;br /&gt;Onde antes fora amante e enamorado de homens fortes nem sabia disso!&lt;br /&gt;Onde antes fora também um enlouquecedor de garotos frágeis, se escondia, para melhor performance, em meio às suas poucas vestes, todas baratas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passar despercebidos por bocas e mendigos era tão sedutor quanto por famosos e importantes da área cultural. No entanto, com seu jeito sempre displicente é que agradava aos poucos o seu público, e o seu contexto, muito lentamente viria a ser a seu favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhou. E o seu suor catacandango é que lhe definiria como um ser extra-tropical, capaz de mim habilidades inclusive a de: passar despercebido e ainda assim tirar pedras do caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anjos muito lhe ajudaram, e eram fêmeas. E eram, sem dúvida, amáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como aqui se trata das passionalidades e não fraternidades desse rapaz, já quase um trintão, iremos tão logo ao ponto... por que do primeiro capítulo ao segundo, no esquecimento que ele nos faz assistir, eu mesmo entro: e me recordo por ele de um dia ter seguido por decisões que tudo tem a ver, pobre, com o seu coração errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez nunca quisesse admitir que no fundo fugia em vez de ser livre. Mas não é assim, que se importa ainda os resultados e não as causas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, fugia sim, admitamos, do rico principalmente, porque aprendera assim com o feio. Mas claro, o rico tinha segredos demais inadmissíveis para uma alma que crescera naquela relação: enquanto se relacionaram de 1997 a 2005, pensemos, no quanto essa alma crescera de humanidades, de sociais preocupações, de verdades verdadeiras, mais amplas talvez... e com isso também das impotências. Devidamente um homem que passa a ser homem antes não é preparado para assumir as impotências que lhe causam o impacto de não poder fazer nada, nada pelos que estão perdidos. Devidamente um homem que passa a ser homem antes saberá que é perdido igual. Devidamente quando lia ou ouvia sobre o labirinto de uma sociedade cheia de impactos é que perturbou o Rico e amendrotou o próprio corpo de reviravoltas patológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar o rico em todas as instâncias era demais para alguém que estava a ponto de se descobrir um pouco menos pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, para resumir acima, enquanto iam e vinham de cidade a outra, os seus conflitos íntimos em relação ao rico aumentavam porque lhe aumentavam a capacidade crítica de não saber lidar com o monstro e não saber largá-lo. De querer tanto tanto que pudesse ser diferente, mas ao mesmo tempo, por crer na liberdade humana, de não julgá-lo nunca. Talvez esperasse pelo paraíso e, para tanto, e para não ir aos infernos também (pois não era nada maniqueísta), ele preferiu optar por fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico também aumentava em seu orgulho e glória infeliz de conquistar mundos por meios secretos. Não se pode dizer que seja ilegal aquela que pela legalidade dos fatos inrrompe em riquezas e delas se aproveita. Mas se pode dizer sim que o rico tinha aprendido a ter uma única esperança nessa vida: ser todo do pequeno num mundo todo de encanto. Que a liberdade do pequeno era linda e lhe permitiu crescer, mas quantas vezes chorou em seu canto luxuoso que o pequeno lhe devolvesse toda a dignidade apenas se pedisse, ou o citasse: vamos fazer diferentes do que temos feito? Vamos recomeçar daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não sozinho. Não sozinhos mais. Sozinhos continuariam a procriar tudo. E tudo seria culpa era do nosso deus-feiticeiro. Que agora aprendia feitiços com pó e ratos da megalópole e um pouco de areia do mar que sempre ia até a lapa, de alguma forma pra dizer: sim, o mar está aqui meu menino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele não gostava de mar. Ele gostava de céu e por isso passava mais tempo olhando ao Cristo e detectando estátuas que ficam por cima da população. Uma delas, tinha uma serpente enorme. Ele adorava, parecia entregue por vampiros quentes! Outra uma santa, onde cobras lhe faziam reverência ou temor, nunca soube. Eram para o alto os seus olhos e quando vinha chuva forte os olhos a acompanhavam de novo ao chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o rico tinha o seu endereço.&lt;br /&gt;E sobre o feio, a notícia era que tinha se encontrado em monumentar o pequeno como um fato isolado: desses quadros que se penduram na parede e não se tiram mais, mas depois de tanto tempo nem é mais percebido. Gestalt.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6131204110363601232?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6131204110363601232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/e-de-fato-sem-pensar-em-relembrancas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6131204110363601232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6131204110363601232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/e-de-fato-sem-pensar-em-relembrancas.html' title='Rio de Janeiro II'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-2603621384521209493</id><published>2009-03-09T19:36:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T23:29:04.834-07:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro</title><content type='html'>Não tinha mais tempo. Aos 28 anos estava no Rio de Janeiro, a cidade do calor em que ele pensava o tempo inteiro: e se nevasse por aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha mais sonhos passionais. Estava no Rio de Janeiro. A fuga pelo escape imprevisto. As mochilas nas costas magras. Estava de fato na maravilhosa angústia da sua última perdição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele prometeu apenas que da sobrevivência faria novo claustro e forte, fortíssimo, não ressurgiria nunca. Apenas para demonstrar a si mesmo que o tempo causador de feridas é que, geograficamente, ele domaria e faria se curvar como um deus predestinado a aniquilar o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vimos que o nosso pequeno não era um herói, mas um grande sátiro, se assim se pode chamá-lo. O rico nunca entenderia e nunca entendeu de fato: por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque no Rio eu tenho um Cristo bem grande e de todos os lados, eu ouvi dizer, ele pode ser visto e de todos os lados, meu amor, ele abraça a gente no calor insuportável que lá dizem que faz. Porque está lá. Porque o Rio não tem nome de Rio mas de São Sebastião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mudança repentina aconteceu em menos de um mês. A mudança de estado para um estado outro que burlasse as leis da fatídica história. Ouvira dizer daquela teoria: nada é tão contínuo, nada é tão cíclico, nada é tão casual, há que se fazer estrada por si, e esta é a alternativa imprevisível do qual os homens temem e se fascinam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Praticamente escolhida na tela do computador depois de ver algumas imagens de uma amiga no seu orkut, depois de ouvir milhares de contos assustadores de covardia, depois de ouvir sobre as chuvas intermináveis de pingos gigantes que por lá caíam. Apontou o dedo no mapa do país... para algum lugar iria, ao norte e nordeste não, ao outro Santo, nunca! Porque Paulo era nome de discípulo estranho aos seus ideais crísticos. Porque Cristo, meu amor, ele repetia, está com todos no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma perversão da realidade, não da lógica, se pode-se acusá-lo de algo. Coitado de ser pequeno e de não carregar cruz nenhuma. Era a sua glória, poder então ajoelhar-se, nem precisava, apenas sorver, sim e morar como morou nos primeiros dias numa das ruas mais famosas do centrão, quase lapa, onde a boca de fumo mais tradicional, diziam, era feita por todos aqueles adolescentes muito mais fortes do que ele. Risível, ele se tornava, e risível cada vez mais, ele se sentia, pequeníssimo e forte, tal como os que não são nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser nada, no entanto, era o esquecimento. Era assim que via. Como vivia e tinha força por ser nada! Era o que lhe brilhava e clareava tudo num não precisar ter coração. Tinha um corpo para cuidar no caos que era de cimento e cheiro de podre, o bafo que lhe deixava os óculos tão embaçados. Saíra num dia qualquer e não se perdera, percebera que a cidade era redonda, tão redonda quanto o centro desses furacões vistos por filmes realistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mendigos em grande quantidade lhe traziam a poesia necessária e cúmplice. Nunca teve coragem de perguntar - mas quase o fez: vocês também se esqueceram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a revolta contra a cultura toda e tudo o histórico e tudo o banal que todos os livros lidos e toda a coisa adquirida, arte mesmo, não lhe deram nada. Nem base cabal de ser livre. Nada! Tinha revolta. E se voltava ao deus do céu que o tornasse menos humano, se humano era ter tantas crenças infrutíferas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fortes eram os viventes de sujeira e pó de urbanidade e sempre, todo dia, sob o sol mesmo ou a meleca da chuva escorrida, ratos e outras coisas mais nojentas, todo dia acordavam na mesma calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isso dentro de uma paisagem dita exuberante e mesmo de verdade era. O centro urbano era minúsculo demais aos pés da paisagem. A violência, quem a via, com mar tão azul e pedras gigantes como aquelas ou mata atlântica ainda fervida de seu verde-serpente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez eu nem volte a te ver. Mas foi bom até aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem cultura, nem idéia alguma o prendera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu tenho o mando sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a última vez, pensara que lhe responderia ao rico. Era a última vez de uma aventura sem planejamento nem causa. Parecia até que se tivesse nascido de uma bruxaria era ele o feitiço de si mesmo que lhe causava o êxtase de prever sobre si, não sobre os fatos em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcava bem que ao chegar na cidade escolhida já não se lembraria dos horrores da contradição que o amor lhe sucumbira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o ano de 2005.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-2603621384521209493?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/2603621384521209493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-janeiro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2603621384521209493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/2603621384521209493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/rio-de-janeiro-janeiro.html' title='Rio de Janeiro'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-6903941720400877103</id><published>2009-03-05T19:39:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T20:05:15.497-08:00</updated><title type='text'>Julho 15</title><content type='html'>Mas é claro que neste último capítulo de julho, nos perguntaríamos e com toda a paciência tentaríamos ouvi-lo. Se era tão bonito e belo o amor e, não havendo nada que o impedisse de estar ali, por que voltava ao sul?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vida toda ainda não estava por vir e com o ser amado não seria melhor? Nunca fora sonho para ter o ar da realização. Fora real desde o início. E desde o início ele mesminho de si talvez não quisesse se responder à nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sua incrível busca de liberdade, por sua incrível alma egóica e dissimulada, ou porque, pela teoria dos iguais, o outro o fosse também... Vivamos a liberdade do nosso país! Vivamos livres! Sejamos nós. Mas nunca choremos por demasiada dor, afinal se é o amor uma fantasia a dor não seria igual? Pela teoria dos iguais tudo se igualava a uma felicidade mantida apenas porque ele, o pequeno, a mantinha como ponto de pensamento maior. Pensar sobre a própria alegria era se alegrar sobre o próprio pensamento e numa escala tão incontrolável que o melhor fosse: fingir que estruturariam suas vidas sem os segredos que não foram revelados. Um sentia do outro que sim, haviam uma vida inteira para tal. Que fosse então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava decidido a fazer seu curso de artes, a ficar perto da mãe e do irmaõ mais novo. Estava decidido a realizar tudo ali, para depois mudar tudo de novo nos braços do rico rico rico mas frágil homem que no processo descobriu uma coisa importantíssima:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Encontrei pessoas mais valiosas que tu, mas nenhuma tão corajosa ao ponto de ter me abandonado tantas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vamos pensar que a história se tornou uma lenda de orgulhos. Era pouco, já que os fatos obscuros eram também motivo de uma discórida íntima dos sigilos que se permaneceriam e se descobririam por si sós. Basta dizer que se ambos se amaram com mais ênfase durante mais tantos anos também aprenderam um com o outro da arte de manipular os processos de formas tão leves que se tornaram imperceptíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvindo o restante de seu sonho, chegando na tal ilha chuvosa, calou para sempre em toda a parte de seu contexto aquilo que lhe havia passado. Era segredo bom e não mais nome de se engasgar até esquecer. Era, em 1997, era todo bom segredo que um homem gostaria de segredar até para o mais íntimo amigo. E fez desta forma crescer de ser espontâneo e todos se surpreenderem por conta disso: cresceu a espontaneidade e o riso cresceram. Como consegues ser tão descontraído e despreocupado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era também a sua maneira de se vingar e a partir de então criaria mais mil nomes para que burlasse em ficção o nome da verdade e o nome da mentira. Quem engana quem, quando a gente inventa? E haveria razões pra parar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste último subtítulo, o pequeno pegava seu segundo livro nas mãos dentro de uma caixa recebida pelos correios com seus exemplares novinhos e pensava: cheguei até aqui. Novamente. Era, dessa vez, uma obra de poemas, mas até os seus poemas, disseram alguns críticos, tinham algo de conto fictício. Algo Hilst não Hulk. Talvez verde musgo. Não sabemos ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvera voltar para fazer seu curso de Artes Teatrais e por causa da mãe e do irmão. Estava dito. Publicaria seu livro primeiro naquele contexto. Seria um artista. Resolver voltar não por fuga desta vez por livre espontâneo amor que é o mais belo, disseram, e no qual ele persistia em acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E durante um longo ano não se viram. Ali, neste longo ano muitas histórias paralelas quase sem importância a não ser pela demonstrabilidade de certas características destes dois personagens valeriam narrar. O importante é que fora na ilha que se viram de novo num verão também e num verão igual viveram as mesmas coisas bonitas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-6903941720400877103?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/6903941720400877103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/julho-15-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6903941720400877103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/6903941720400877103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/julho-15-incompleto.html' title='Julho 15'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-7731004037226125985</id><published>2009-03-04T14:41:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T19:39:46.439-08:00</updated><title type='text'>Julho 14</title><content type='html'>Pequeno, pequeno, quantos anos tinha para acreditar no amor? Ou era mesmo verdade embora não fosse pela noite inteira. Ainda conversaram? Não mais tanto assim, porque se conhece a carne como carne e isso já os bastava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era meia-noite ainda quando voltava à casa e saía daquele carro. O rico segurou bem forte em suas mãos e pediu com a outra um pish de sigilo. Mas continuou segurando forte, queria mesmo largar? Queria mesmo deixar o pequeno subir? Ou quisera mesmo dizer coisas do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando isso acaba?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele sempre tinha uma saída não era? Ele, o diferente dentre os diferentes, sempre tinha um olhar claro e se o rico lhe jogava a dúvida, embora o tivesse amado e estivesse querendo a solidão de sorrir às paredes do quarto só! E curtir só que era verdade, embora assim, colocaria em cheque ainda o desejo ou o mistério, ou a fantasia e o medo. Não soube bem o que responder, lembrou-se da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se rapidamente de um dia no shopping em que se perdera dos pais e via apenas a sua mãozinha para cima como se segurassse a mão da mamãe ainda... lembrou-se que perdeu seu tato e depois era a sua mãozinha e as outras pessoas estavam muito longe de seus olhos... eram tão altas. Mas continuou caminhando daquela forma até que alguém o percebesse e o pegasse em seus braços. Ele disse pro guarda que o acolheu: eu tava com o braço cansado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando eu era criança havia sido... só acaba quando o demônio desistir de mim. Mas por incrível que pareça, meu amigo rico - e conseguiu tirar suas mãos - eu creio muito que ele desistirá um dia. Não sevem para isso os anjos na terra, por serem o terror do mal? Não é isso que fará que ele, o grande, se atire aos pés de deus e deixe seu trono a nós? Um céu no inferno: é quando acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em vez de uma despedida na boca beijou-lhe os ombros, isso para aproximar mais uma vez as narinas daquele perfume... que ainda sentiria em 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou te procurar de novo, disse o rico, não se preocupe, quase sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse a primeira vez que não pensasse nem chegasse a se lembrar daquele monstro que era outrora amor. Não ele, que por si só já sabemos de sua autodefinição. O pequeno, naquela noite nem sequer dentro de seu mais profundo esquecimento se lembraria que houve um dia um trauma que ele, imaturo, chamou de primeiro amor. O rico o beijou, ele o abraçou, ele o entendeu quando nada foi penetrado naquela noite a não ser pelos olhos e a saliva que se penetra sem controle algum, ele o agarrou e o pegou pelos braços. O pequeno, nosso, um dia sorriu daquela forma toda de quem acabava de nascer a sua segunda vida. Não se lembrou de escrever poesia alguma, era fato de muitos poetas não escreverem em dias de êxtase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quis dormir e respondeu ao irmão coisas banais de como tinha sido aquele longo dia, caminhando pela cidade de prédios muito bem feitos, dizia muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com os dias, com os anos, o irmão e o rico nunca se tornaram amigo, e o rico se afastou dos amigos dos amigos do irmão e sucessivamente até que existesse entre os dois apenas o degrau em que eles próprios se consumiriam. Talvez o pequeno houvesse aprendido tal disciplina porque o rico já era desde então mais sábios nessas questões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os romancistas sempre tem de agonia entre os casais de amor é decifrar o que fazem quando não estão juntos. Por outro lado quando estão é permitir que ambos se dediquem numa sinceridade tão profunda e tão compartilhada que acabe por estragar o romance. Porque depois, na próxima vez que se distanciam, haverá análise e dúvida ou puro ciúmes disfarçado. Sei sei, não há processo claro nem evidente, etápitico para as paixões e seus movimentos. Mas tentemos um pouco nos iludir que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o pequeno soube do rico é que após aquela noite alguma coisa lhe aconteceu, soube por seus lábios os vários encontros que tiveram que um sentimento até muito nobre era capaz de o possuir, ele que até então pensara numa subida muito clara, em objetivos muito próprios ao lado de um caos minúsculo e sórdido? Quantos futuros cheios de graça teriam juntos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não importa disso, dizia o pequeno em suave contemplação. É agora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente gozarando sobre si mesmo é que efetuaram o pacto. Nada de sangue. Era com esperam que selavam o futuro de seus corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2008 aquelas lembranças não lhe torturavam, acariciavam suas angústias e delas, das lembranças e angústias juntas nasciam novamente um ar de felicidade. Serenidade em vez de fracasso. O que era de fato a vitória de uma inevitável tragetória de solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava correto que o rico, mais rico ainda, muito mais, o procurassse ainda e ainda mais o pedisse em casamento. Estava correto que o mais rico ainda ainda assim vendo-se na conquista de tudo o quanto sonhou não percebia que ao mesmo tempo, na longa tragetória tida, sonhou e conquistou também o pequeno. Longe e com tantas coisas a sentir. Coisas da gratidão, como se ousasse ser velho e sucumbir nessas delícias da memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o ano que mais se olhou no espelho e tinha orgulho que sua pele tivesse permanecido intacta de tanta história e queem suas linhas da mão apenas estava escrito: dorme, dorme e espera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora o verão mais bendito. Fora quando ao menos tivera a certeza de um amor real e verdadeiro que de tanta verdade não era questionada nem necessário era, sobretudo para quem duvidava tanto que um homem pequeno pudesse ser de fato feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fazem os enamorados, planejaram mil coisas e no dia de sua volta ao sul, o pequeno não chorava nada, apenas ria e sorria e prometia ao menos não esquecer daquilo vivido. O rico, estacanva um ar de quem era libertário e libertador, livre também: conseguirei tudo e te trarei de volta pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormindo no avião de volta foi que pressentiu o calafrio de um cochilo rápido e o seu espírito que era transparente no céu da cidade capital ia com a velocidade da máquina voadora tornando-se densa, talvez preparada, para a ilha das feiticeiras. Sonhou um daqueles sonhos: volta, dizia, o seu enganador feio, volta... E acordou. Não, que pena que não era a sua segunda vida. Isso só acontece com os espíritas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-7731004037226125985?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/7731004037226125985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/julho-13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7731004037226125985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7731004037226125985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/03/julho-13.html' title='Julho 14'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-3072929817169568649</id><published>2009-02-28T07:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T08:38:27.761-08:00</updated><title type='text'>Julho 13</title><content type='html'>- Você se acha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pequeno escutou sem responder. Daí é que as almas que se consideram espertas ou fortes demais são pegas pelo gesto humano, talvez daí, é que por esses gestos ele, pela primeira vez, ousou acreditar que houvesse mesmo humildade e bondade naquele mundo. Assim, como as palavras cristãs ditam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você está certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno voltou de novo os olhos para a cidade. Deu vontade de chorar. Deu vontade de se deixar abraçar por um estranho que há poucos dias era o novo amor de sua vida. Deu vontade de agradecer mesmo os céus e até pensou em deus, mas recusou-se, ainda, a agradecê-lo. Primeiro agradeceria a si mesmo por ter enfrentado no mesmo dia o seu destino e não deixado se arrastar pelas tormentas de um espírito canhoto que era o seu, e o podia levar, há mais inúmeras insônias para depois engoli-lás todas em papel escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sentiu o rico se aproximando. O rico era mais velho, era gentil, ou sabia ser. O rico, estava surpreso que houvesse um pequeno tão arisco e claro, tão doentio e risível, que seria alguém para fazer um sexo alucinógino, porque era isso que inspirava: inspirava a loucura e uma ternura que ele deveria descobrir com o tempo. Sei que a cena eu vi e o rico disse sem se aproximar muito que havia um motel ali perto de onde das janelas ainda dava pra ver a cidade. E a cidade de noite era igualmente linda. Normalmente esta cidade tem muitas noites de céu estrelado. Coisa rara por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno dái é que usou de um cinismo, pegou em seu dorso, mas não em seus braços. A bem dizer apenas passou a mão pelo dorso do homem e foi ao carro dizendo que agora eles estavam falando a mesma língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De onde eu estava, pude ver, que o rico balançava a cabeça como quem diz: uau ou que porra é essa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos dizer que numa cidade de burocratas e políticos os homens não podem ser taxados de enrustidos, a burocracia imprime seus valores nas roupas e nos trejeitos tanto quanto a política exigiria de um homem a sua coluna reta e os gestos muito bem eleitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se com seu porte másculo não poderiam perceber sua sexualidade, certamente o pequeno não tinha suas dúvidas, sobretudo naquela troca de olhares primeira. Mas o pequeno, como eu já havia dito, nunca teve essa preocupação em, antes de tudo, saber exatamente das sexualidades do sujeito. Lhe interessava o desejo e o desejo vindo daquilo que está na categoria de sentimentos, embora se extravasse pelos prazeres, não se comunica por máscaras. Por isso também a coragem do pequeno em atirar-se assim feito metralhadora com falas que já sabem de tudo, inclusive o óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é diferente dos outros gays.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você também é!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu fico imaginando que tipo de coisas você não apronta no sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coisas do espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí sim que o pequeno pegou na mão do rico e sentiu imensa felicidade de que estava acontecendo. Estava! Num dia magnífico que nem com amnésia lhe tiraria a lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o primeiro segredo estava posto quando ao chegarem no motel o rico lhe disse que nunca ninguém deveria saber daquilo. Agora era que batia o nervosismo? O incalculável nervoso humano agora é que se dava conta de onde estavam. Mas o pequeno foi logo tirando a roupa e ficou nu dizendo que jamais jamais jamais nunca ninguém saberia disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se estavam excitados ou não. O rico ficou com suas roupas bem passadas no corpo e admirava a espontaneidade com que o pequeno ria e abria os braços. Nem nem outro quis ser piegas ou falar de amor, principalmente o pequeno, mas estava livre, era assim que se sentia. Era como uma nova reencarnação num novo mundo em outra história que algum psicógrafo resolveu lhe colocar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico também ria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não precisa tirar sua roupa. Mas vem ver a cidade assim comigo. E o rico abraçou o pequeno e depois disse: isso é loucura, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas é divertido! Vai dizer que não? Não era o que você queria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o rico não tinha programado isso ou imaginado que aquela criatura doce e frágil fosse capaz de surtos tão alterados de alegria e nudez. E ainda nem tinham se beijado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o rico começasse a recear que espécie de atração foi aquela que o levava até ali. Talvez o rico começasse a desconfiar que o pequeno jogando de formas desconhecidas lhe arrancaria o resto de juventude e muito provavelmente seria além de um anjo um lugar de infernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não tem medo de mim, mesmo? Não tem medo, eu sou um estranho? Ou você é acostumado a ser assim com todo estranho que aparece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para cada roupa que você tirar eu te respondo uma pergunta. Mas pense no meu segredo: esta noite não faremos sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum homem é desafiado por nenhum homem sem cometer a imprecaução de aceitar o duelo. E cada pergunta respondida o pequeno tirava uma peça sua. Começou pelos pés, porque assim tinha visto num filme e achara bonito. E o homem não tinha mais perguntas quando chegou à calça, depois do cinto e da camisa, é claro. Se o pequeno pudesse arrancava até o perfume caro para que não ficasse no seu olfato a lembrança de um corpo mágico (caso um dia tivesse que esquecê-lo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se a gente não vai fazer sexo... eu não sou uma pessoa romântica também! Eu não tenho essas coisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem eu tenho. Então, somos bem iguais e até agora nem um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me dá medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não era eu que deveria ter? De ti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Teu irmão não vai sentir sua falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E não é melhor a gente voltar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você quiser muito a gente volta, mas tu colocas as tuas roupas. Eu coloco as minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno se viu em espinhos novamente, e seu orgulho, pai de seus pensamentos, logo lhe fez agir pelo impulso de começar a se vestir. No entanto, é que foi agarrado e pego pela cintura magra num beijo que logo escureceu a cidade e de onde as estrelas, elas não surgiram, porque de olhos fechados, não as vemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-3072929817169568649?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/3072929817169568649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/3072929817169568649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/3072929817169568649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-13.html' title='Julho 13'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5264694280359366091</id><published>2009-02-16T18:16:00.012-08:00</published><updated>2009-02-28T08:56:57.976-08:00</updated><title type='text'>Julho 12</title><content type='html'>Daí é que vem o nosso problema, caros caros amigos, até que ponto chegamos aos segredos alheios e os revelamos numa autobiografia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, não seria um desgaste, que se por conta desses segredos a vida ronda, e ele não pudesse revelá-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico de certo não permitira. 2009. O pequeno sinceramente esperou e trabalhou enquanto isso. Mas como os fatos virtuasi interferem na realidade prática da vida. Ele, o rico, já havia lido de tão espetacular obra demoníaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não, não. Dizia. Por telefone. Graças. Por telefone. Mas ele, o pequeno, investido de tamanha força não desistiu: confia. Foi o que disse por fim com sua voz doce capaz de suavizar o assassino mais violento daqueles dias de carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos ao ano de 1997...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde iriam, o pequeno e o rico. Silenciosos entraram no carro e o rico, um tanto nervoso não sabia se sorria ou fechava o semblante em ares preocupados. Dizem que o amor de fato existe em algumas biografias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado o pequeno se admirava de si, sua própria ousadia e a própria ousadia do mundo que o desafiava. Tinha um jeito de querer fumar, mas escondia o gesto do lado direito do carro. As mãos bem seguras. Como se deve às vezes fazer. Eles tinham pouco a conversar, mas mal se conheciam. Talvez não precisassem, talvez não quisessem se sentir patéticos. O sentimento subia nas veias do pequeno que ele até se sentiu grande demais para estar ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu acho que podíamos ver a cidade de um local...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Há vários locais de onde se vê a cidade abaixo do céu, que eu pra lá quando não tinha carro. Quando ainda não tinha carro e sonhava em ter. Eu via a cidade inteira e esse céu que não sabe se cai sobre ela ou se a cidade é que cairá pra cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eram bem essas palavras, o pequeno não se lembrava, mas dava nesse conceito de que uma coisa era ligada a outra por dignidade pátria. E aquilo, já era indício, de que antes o homem sem carro, parecia valer pouco para andar pelas ruas muito bem distribuídas daquele espaço monumental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, ao longe, parecia um monumento único em que alguns habitantes da terra têm a sorte de estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estavam felizes, porque a respiração se tornou voz, e finalmente começaram a falar. Entre uma fala e outra, um foi percebendo o outro, e as intenções que são segundas, de fato, em casos assim, seria um desrepeito o adjetivo, seriam mesmo intenções veladas. Próximas do medo no qual o desejo implica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei que tu não és tão amigo do meu irmão. Não podia ser...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu achei que pudesse ser. Mas sair com voê num sábado à tarde não está sendo tão ruim. Eu acredito nessas coisas da coincidência e sinais. Li Paulo Coelho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E riu. Ele contou de que tivera vida singular e média. A família mesmo começou ali, na construção da cidade e foi para onde os candangos iam que ele nasceu. Era o pobreza consumida de vontade pelas palavras de um presidente. Ele amava o presidente como amava a cidade, como filho das primeiras gerações do lugar. O resto de sua genealogia ficou no mato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabia, que as famílias se perdem de verdade em tempos de grandes mudanças... não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Às vezes eu acho que elas se aproveitam das grandes mudanças para se perder, isso sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pequeno riu e eles riram. Parecia importante ao rico contar sua trajetória. O lugar nem era tão distante da cidade, porque sendo plana, dava pra ver de vários ângulos dos muito pequenos montes que a rodeavam, onde se pára o carro normalmente ao namoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia dúvidas ao pequeno de que naquela tarde ouviria muitas histórias do rico. Mas, incrivelmente, o rico é que lhe começou a perguntar... Era difícil ser jovem e responder à perguntas de que um adulto responderia com orgulho ou lástima de ter fracassado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não sei o que falar de mim, tenho família aqui, mas minha mãe e meu irmão mais novo estão no sul. Estou de férias. E não sei do futuro: estou longe dele. Estou aqui agora e não sei o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo os tremores. Logo a vontade de não falar mais nada, mas o pequeno não se atiraria ao rico. Ainda era preciso saber...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você não é tão amigo do meu irmão, o que você iria fazer saindo com ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico, que sabia disfarçar tão bem quanto o pequeno, não respondeu, pegou em sua mão. Ele tinha os lindos olhos, mas na boca, algo que mentia, no seu silêncio e na sua atitude tão espontânea corria algo de esquisito, assim deduzia o pequeno, naturalmente acostumado às paranóias e sobrecarregado de pesos míticos. A reação do pequeno portanto foi de fingir que sua mão não esteve tocada e puxá-la de encontro a si, pedindo um cigarro, para fora do carro, onde pudesse respirar o ar seco daquele verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno sabia ser cínico e não queria. Quis amar aquele homem ali tão surpreendente, como diz a palavra e não como diria um literato ingênuo. Ali que ao sair do carro olhava-o de cima a baixo e vice-versa sem talvez saber da própria vida. Que homem rico e belo fazia com uma bicha de cabelo raspado e blusa rasgada vendo uma cidade íntima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem virou as costas à cidade foi o pequeno. Daí o rico sorriu. Na verdade, o pequeno também não fumou o cigarro inteiro. Perdera a vontade. Coisa rara para o vício. O rico ofereceu uma bala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A gente até que está se divertindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu gosto das tuas coisas óbvias. A gente também está se conhecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, você não é hetero e nem é amigo do meu irmão. E eu não digo isso porque estamos juntos, já que vários heteros são legais e sairiam com o irmão gay de um amigo. A outra coisa óbvia e o que me passa agora pela cabeça é que tu sabes que é bonito e só me responde isso: você quer ficar comigo, é isso? Pois eu sou dado como louco. Se naquele dia em que fomos apresentados os teus olhos não se tiravam de mim porque eu também achei que podia te reencontrar novamente enquanto olhava pra ti o que podia, num breve e rápido aperto de mãos. Isso é óbvio pra mim. E qualquer coisa que se diga que eu viajei: diga, pode dizer, eu sei como voltar pra casa até e não tenho medo do céu da minha cidade. Nem de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que saíram aquelas palavras todas, mas nem o pequeno também sabia. Subia em si tudo o que lhe aconteceu na alma, dito no capítulo anterior, mais a paixão e uma vontade terrível de decretar o seu futuro ao mesmo que pensava: eu não tenho tempo para namoricos e processos duradouros, se o destino me traz o que eu queria, eu tiro a prova hoje, se o homem se assusta, a prova está dita. Acostumado a sofrer pelo silêncio de um amor de enganos, o pequeno assumia, pela primeira vez, a sua força de ter enorme coragem em se desprender. Ser livre ainda era o mais importante, e pensar que passaria dias e dias pensando naquele homem e tentando analisar cada coisa sua, gesto e toques, não lhe garantiria nada. Como no passado não lhe garantiu. Aí, talvez, é começou a fala e não terminou, até que o rico, espantado e horrorizado, talvez acostumado com conquistas e seduções muito bem feitas que ele certamente arrancaria de qualquer outro, pediu que parasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode parar de falar um segundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico suava. Dava até pra ver que a sua origem de pais e avós pedreiros não suportaram o peso do inesperado pequeno, que se comprazia em ser inesperado a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ficaram parados. O clima podia ter sido mais romântico e não tão duro que as verdades e coisas ditas assim imprimem. De repente é que o pequeno acendeu outro cigarro. O que lhe garantiria mais tempo. Nada de chegar perto demais nem tão longe que não o rico não pudesse sentir o cheiro da nicotina que lhe enjoava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5264694280359366091?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5264694280359366091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-12.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5264694280359366091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5264694280359366091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-12.html' title='Julho 12'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-1647799524950242268</id><published>2009-02-16T18:16:00.011-08:00</published><updated>2009-02-22T08:24:22.292-08:00</updated><title type='text'>Julho 11</title><content type='html'>Antes de falarmos do seu encontro, o que mudaria um pouco o seu destino, mas não o seu orgulho. Necessário é dizer que naquele carnaval de 2009. Portanto ainda hoje. Havia visto o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rico, não aparecera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E voltando do futuro - e existem duas espécies dele: aquela de que se imagina em fantasia e aquela de se sente e segue como verdade. - lá estava ele pensando que 2008 começava a se dispersar e as materialidades de 95 lhes eram muito similiares. Graças deu que o futuro existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1997. Naquele ano voltara a cidade natal sabendo e tendo confiança em si mesmo de que sua alma embora pudesse tentar lhe trair, como várias vezes fizera, aproveitando-se de sua consciência, não conseguiria mais. Estava forte porque era cavalo, pequeno, mas cavalo. Sem rédeas mas cavalo: ou serpente que troca as peles. Ou gato que morrera a primeira vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente aqueles ares magníficos. Aqueles monumentos que o fazia sentir-se tão diminuto e ainda tão vibrante. A sua cidade natal, diferente das igrejas, é feita para celebrar o homem! Naquele tempo, um de seus irmãos havia se mudado para lá, por conta de um melhor emprego.&lt;br /&gt;O irmão lhe apresentou alguns amigos. E alguns amigos, numa tarde distraída, passeando por entre as quadras arvoradas lhe apresentou outro amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece de verdade. Num cumprimento rápido, já que estavam com pressa. Viria novamente o outro amigo? O amigo do amigo do irmão: era perfeito. E mais que perfeito: pois nunca seu irmão desconfiaria. De que de relance dali, haveria uma relação muito delicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então era isso não era! O destino depois coincide numa cidade que lhe dá alegria também encontrar um homem que lhe fosse amor!? Era isso, era! Era! Era isso! Existia também! Por que duvidar da realidade e dos sentimentos sentidos: o homem perfeito que lhe sorriu tão perfeitamente para quem foi apresentado como o irmão do amigo do amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o fizeram parar justamente para comprimentar o pequeno. Sabemos, o irmão e o amigo do amigo, eram heteros mas possuídos de educação. O pequeno ia e caminhava tola biba caminhava enfeitando-se da cidade e de seu céu enorme! Naturalmente, pensaria-se, lá está o irmão do amigo do amigo a caminhar, aquele viado! a caminhar. Vamos cruzar as quadras, talvez nem me reconheça. Mas não, veio a lhe cumprimentar e a apresentar seu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse inevitável, já que se cruzaram de longe, e seja constrangedor e de muita indelicadeza fingir que não se viram. Para o pequeno, porém, seria muito natural se apenas se dessem um sinal cada um ao seu lado da rua! Afinal, mal se conheciam, ele e o amigo do amigo. Mas parou porque o outro era lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí, é como se vê, que a dança traz ou repele conforme a natureza humana. Parado, talvez impusesse que viessem até si. E eles fizeram. Parado, talvez fosse interpretado como alguém que sai do céu e se sente só e por piedade, eles fizeram. Parado, talvez, apenas parado, ele indicasse uma certa bizarrice que necessitasse de cuidados, e eles fizeram. Parado, o importante era mesmo que eles se aproximaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pequeno não havia intenção alguma, a não ser ficar parado e admirar quanto pudesse aquela beleza alheia. Numa cidade em que a maioria é feia ou tem sua beleza diferente. Ainda não parava para discutir a si mesma dessas questões antropológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou muito feliz. Entrou em casa feliz. O seu irmão feliz. E tudo ao redor feliz. Tinha agora alguém para pensar. Alguém para se iludir de verdade. Alguém que tivesse beleza e que pudesse até imaginar-se beijando a boca com clareza sincera e dizendo coisas nada tolas e mesmo assim piegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi a última vez que sentira dessa felicidade? Com essa estrutura lógica tão bem definida? Nunca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deu-se por vencido de que de algum jeito voltaria a vê-lo. Sabia que só estava de férias e de passagem. Mesmo assim, aquilo podia mudar tudo. Aquele podia! Aquele e só aquele! Fecharia os espinhos e o escárnio, deixaria de escrever e de ter pesadelos, deixaria para trás, na ilha, tudo longe... Não falou nada para o irmão porque nesses casos é melhor engolir o segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu irmão não iria achar ruim, é preciso comentar que seu irmão o adorava e desde a morte do pai assumira um pouco esse papel, como vimos no caso de levar o tolo de volta à casa. Seu irmão, aliás, adoraria que o pequeno desse jeito na vida e encontrasse um cara bacana, esquecesse as bruxarias que o atormentavam, mas que continuasse a escrever seus poemas e contos escondidos! Seu irmão era um belo exemplo de um belo irmão do século 21.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve até um tempo em que importunava os namoradinhos ou pretensos namoradinhos com perguntas típicas de pai: faz o quê da vida. de onde vem. ah, mora com a família. a tua família também sabe. nós aqui sabemos de tudo e por isso somos felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vale a pena frisar que o irmão mais velho era apenas um ano mais velho que o pequeno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim o pequeno manteve segredo de um novo amor arrebatado. O mais legal do pequeno era que a ele pouco se importava se conhecesse um homem se era gay, viado ou bicinha, se era hetero ou bissexual! Como veremos a sua história genealógica prova de que isso não existe! Tanto é assim que o próprio pequeno passara a adolescência entre meninas, as beijando na boca, e transando com elas, ou pelo menos, duas delas que foram suas namoradas queridinhas.&lt;br /&gt;Embora tivesse o jeito afetado, não, nunca se pensa que um homem que transa garotas seja viado! O que causava certos desgostos aos amigos mais másculos, evidentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sabia que o amor passa por cosias do espírito que nem as bibas mais preparadas em termos de suas sexualidades expostas e corajosas, estavam de fato crentes nisso. Aliás, o fato de assumir sexualidade não é o fato de assumir certos amores. Acontece com os heteros também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E poderia-se imaginar que esse nosso pequeno tinha muitos amigos gays e muitas amigas mulheres não-gays. Mas ele tinha o hábito de afetuar-se fraternalmente com homens heterossexuais e tinha essa facilidade por algo muito bem definido: em si mesmo, estes homens nunca burlariam a regra que o mantinha intacto. Estes homens o protegiam, porque sendo heteros não o tocariam. E não o tocando, nem o bulinando, nem o acariciando, cumpria aquela decisão íntima de ser intocável. Além do quê eram muitas vezes mais divertidos, sobretudo quando lhes falavam de coisas de amores e pediam conselhor. "Por que uma pessoa como você entende as mulheres melhor do que eu". E se ria e se ria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que por manter-se sempre tão distante de sexualidades, os homens gostavam de sua companhia. "Você é uma bicha diferente, nunca deu em cima de mim". E o pacto estava posto a serem amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez sim conseguiu se estender mais de um mês na cidade. E como havia previsto, tinha domado o próprio inconsciente rebelde! Ah, nem pesadelos nem o feio o acometiam. Ou era a influência do belo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mistérios que são mistérios por conta de não serem nunca revelados. Por isso se dá o nome não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe-me recordar que um dia o irmão saira de casa para jantar com os chefes. Sei lá, algo assim. Deixe-me recordar de que a campainha tocou. E ele estava lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi isso que transformou a felicidade de um amor em ódio imediato. Passou-se rapidamente em sua mente coisas de magia, coisas de espiritualismo, coisas de deus e destino! E coisas que aprendera nos livros espíritas e coisas que odiara dos satanistas! A humanidade é que faz a história, não era assim?! Não era assim nos livros e nos estudos? Não era assim na escola e no segundo grau? Não era assim com os escritores e com aqueles que escrevem biografias?! Por que chorava calado vendo o homem que quis parado em sua porta que talvez houvesse pensando (e pensou porque depois confessara) que bicha louca é essa que se pára!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mente sadia iria ter ficado alegre, simples. Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não era aqui que morava o...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O meu irmão que mora aqui! Eu me lembro de ti, na quadra, andando na quadra, você é amigo do amigo do meu irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então é o teu irmão! Ele é o teu irmão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que é o meu irmão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o pequeno acendeu um cigarro. E já ofereceu outro cigarro ao rico sem lhe perguntar se era fumante. Era uma maneira também muito bem programada de acender cigarros para ocupar a boca quando a boca queria um beijo. O nosso pequeno sabia burlar os próprios desejos também, ah, como ele era esperto consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impressão não foi das melhores. O rico logo disse que odiava cheiro de cigarro. Mas o pequeno continuou fumando e nem pediu desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez era um ingênuo, como que o amigo do amigo do amigo do amigo não iria conhecer seu irmão? Mas o que que tinha a ver!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá, meu irmão não tá. Eu não sabia que eram amigos também. Você vai querer entrar? Mesmo com cheiro de cigarro pela casa. Sabe, meu irmão não se importa com o cigarro e ele já foi muito asmático...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não parou de falar. O rico ficou na porta e depois entrou. Agora eram apenas dois homens num apartemento em que a tarde caía e o céu imenso se torna estrelado. Não é bonito isso? Deveria ter sido. Não fosse os dois homens terem tentado disfarçar o fascínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não era de seu hábito, não o pequeno não perguntou nada para o visitante. Então falava sem parar até que o visitante cansasse e fosse embora. Claro que se retorcia. E por que o outro deveria ser muito educado ficou ali ouvindo e cheirando de seu cigarro. Claro que dava vontade de perguntar: o que você tá fazendo aqui? Mas o pequeno tinha, como se sabe, a capacidade profunda de ir até o fim desta profundidade em suas decisões íntimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ia convidar o seu irmão pra sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pra isso tem celular, telefone, sei lá! Pensou o pequeno. Mas não perguntou nada. E eles nem eram tão amigos assim!? O pequeno terminou o cigarro e foi ao banheiro, pediu licença, era tempo pra se pensar imenso em pouco tempo! Afinal, ainda que odiasse deus não iria deixar de perder a oportunidade de ter o rico ao seu lado por algum tempo. Esmurrou a mão no ar como havia aprendido. Tentou estrangular a angonia toda das ideologias ferozes que o assumiam e o resumiam e o sumiam também. Isto durou apenas um minuto. Não queria que o outro tivesse tempo, por exemplo, de imaginá-lo cagando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu fui lavar a boca porque também não gosto do gosto do cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se teu irmão não está, não quer sair comigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando era criança, no interior do país, ouvira sempre aquela história do demônio aparecendo com dentes de ouro e seduzindo uma mulher ao banheiro a tirava o couro e depois saía gargalhando com as patas amostras para que todos vissem e se horrorizassem de que te fato, ele, o demônio existia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então vamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E caminhou para a porta. O cara sorriu. Você vai assim? E por que não? Eu estou pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tão displicente o pequeno que dava gosto de ver. O cabelo raspado, só colocou a bota, estava de jeans e uma blusa cortada feito grunge do início de 90. Se quer sair comigo, é comigo, não é? Pensou e sorriu. No íntimo calculava desafiador: vamos ver até onde o diabo vai com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1997 tinha sido um bom ano se não fosse todas as imprecauções do pequeno e os segredos do rico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-1647799524950242268?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/1647799524950242268/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-11.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1647799524950242268'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1647799524950242268'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-11.html' title='Julho 11'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-8504253159298504130</id><published>2009-02-16T18:16:00.010-08:00</published><updated>2009-02-21T19:53:31.682-08:00</updated><title type='text'>Julho 10</title><content type='html'>Ele voltou numa tarde sexta-feira de avião, porque era mais rápido não porque fosse mais cômodo. E já aquela distância tinha sido geopiscologicamente aproximada. Entre duas cidades o movimento de um veículo foi tão rápido que não lhe deixou sequer pausa: nem podia fumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã do sábado seguinte estava decidido. Por lógica calculou dois destinos: um, que se estivesse certo que o feio sentisse como ele sentia, talvez pudessem se ajudar mutuamente. E outra, preparar-se para o vexame de lhe falar coisas doentias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bicha falando para um hetero coisas doentias. Nâo é sempre assim que se espera de nós? Melhor mesmo se o pequeno tivesse sido dessas que enganam o homem com o álcool e lhe passa as mãos nas pernas, depois deita a cabeça sem enfrentar a masculinidade alheia, finge ser fêmea para poder usufruir um pouco do macho e o macho se descobre mais macho ainda porque em vez de beijar outro macho feriu sua boca de esperma. claro que muitos se previnem de camisinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém embora fosse possuidor de várias espertezas e defeitos nunca se rebaixaria a tal atitude. O pequeno tinha desse tipo de orgulho próprio como se viesse de gerações e gerações da elite. era o sangue português untado ao arisco dos indígenas laçados. O pequeno se compraz até hoje de nunca ter realizado ato tão asqueroso e vulgar como esse relatado acima. O pequeno não tinha rédeas, o que por obviedade a frase faz descaso ao romance, mas é que não ter rédeas significava mesmo nunca daria o gosto a um homem de vê-lo curvado por um pênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pegou no telefone com muita coragem. tremeu um pouco. tentou sintonizar seus poderes mágicos. queria ter dito que sabia que não era para eles ficarem juntos naquela terra. ou naquela ilha. queria ter dito, escuta, meu feio, eu não tenho vontade de ficar contigo mas ouve o que eu sinto... e isso é monstruoso pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando chamaram o feio ao telefone, e finalmente o convidou para sair, para que conversassem apenas, o que ouviu foi isso: - não, não posso. toda a família está aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluiu imediatamente que se não podia era que a segunda hipótese do capítulo estava correta. Se sentiu aliviado, ao menos sabia que o feio amado não era pelas mesmas dores acometido. Nem era recíproco. pois se o fosse, a reciprocidade daria em algo parecido a sentir das mesmas dores acometidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo a segunda hipótese a correta logo apressou-se em pedir desculpas e a dizer com seu orgulho muito dócil que o perdoasse por qualquer constrangimento causado e agradeceu do fundo de seu íntimo mais bonito que tivesse existido em sua vida. Prometeu também que nunca mais se veriam. Mas não era uma maneira de se proteger do rídiculo? Quem não prometeria tal coisa? Se foi lido daí por orgulho, daí foi lido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando desligava o telefone foi que o feio interrompeu:&lt;br /&gt;- Espera. Tem uma coisa que eu queria saber...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí parecia um pingo de esperança naquele engendrado de horrores:&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era tua a rosa branca que eu recebi há um ano atrás?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno engoliu o passado e respondeu que não. Como não? Se revoltou baixinho o feio. Há muitas pessoas no mundo, muitas meninas quem sabe, como saber, quem gostou de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eles de fato nunca mais se viram. E, como vocês perceberam, ao pequeno não foi dado nem a chance de expor suas doenças. Não chorou. Teve mais orgulho de si e por isso comemorou com uma música alta: que estava livre! Mas por que a rosa branca? Por que se não tinha o interesse de ouvir nada querer saber de prova exata da sua boca que a tivesse enviado? Que tipo de monstro é esse feio? E o odiou quem sabe por quantos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estava sozinho. Tinha o olhar de reprovação da mãe, que espírita, nunca lhe falava nada, apenas o deixou vagar, sozinho e frio e soberbo de si, por no mínimo ter sido corajoso. A mãe nunca soube de tal telefonema, não por boca própria naqueles dias. Ao menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a cidade natal não voltaria mais por dois motivos: a mãe já tinha gastado muito com seus vinte dias e o outro, porque tinha medo, se voltasse não voltaria a ter sonhos de novo com o feio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insônia em seu quarto era a melhor companheira e os amigos também. Mas nunca falaremos destes, posto que estes são muitos e não fazem parte da história de amor propriamente dita. Aliás, muitos deles nunca ousaram imaginar que havia no nosso pequeno uma história assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um tempo de não haver Personne. Vocês conseguem imaginar isso?&lt;br /&gt;Mas como estas heroínas de romances realistas juntou as moedas de sanidade e decidiu por íntimo inquérito que ninguém mais o tocaria. Por um ano cumpriu a promessa. Nem um beijo nem um toque nem um carinho. Saía nas noites e saía nos dias. E aqueles que lhe dessem ou quisessem lhe dar o mínimo afeto não era tratado com desprezo, apenas com distância. No que ele sempre respondia, de início gentil: é melhor deixar para outro dia.&lt;br /&gt;Um dia, claro, que nunca viria. E assim ardiloso conseguia escapar de várias mentiras. Pois de fato não seria mentira querer se untar a estranhos só por serem bonitos ou para substituírem o insubstituível?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se deu conta de que da própria cabeça, nunca pensara em beijar o feio. e portanto, se deu mais conta de que nunca fora amor mas quem sabe um tipo de ódio que ninguém ensina. foi daí que surgiu a primeira idéia do primeiro conto escrito. e faminto escrevia o conto e sentia tanto prazer que era esse o seu destino: escrever, escrever, escrever e ficcionar a vida com os horrores que ele de antemão já sentira. ou burlar os horrores com horrores maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se mataria, por exemplo, nunca pensar nessa situação: mas era um de seus temas prediletos. Talvez por uma singular inveja. Ele que não conseguira nem matar o amor de engano construído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora um dos anos mais produtivos de sua vida. Na insônia ele não sonhava e ao mesmo tempo se entretia. Chorava, urrava, sentia coisas, mas tudo obra da ficção. Agora sim era ficção! Era a ficção sua maior e predileta realidade! Fictícios seja, ó bem aventurados da cabeça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era. Os louros viriam e as glórias também, porém, pobre pequeno, outros sintomas estavam por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se apaixonou também pelo diabo, pelos espíritos umbralinos, se aproximou destes como era fácil o seu espírito de ser próximo de sombras, se apaixonou pelo teatro e por outras artes. como a do fingimento já dito. se apaixonou por si mesmo em todas as noites que passara sozinho e isso lhe dava o calor da vida, vibrava e estendia em pensamentos só seus imagináveis e seus puros porque ninguém lhe diria: pare de pensar! e ele ria e gargalhava dessa bela natureza que o pensamento não era algo a ser comensurado nem censurado, já que estava dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e dessa vez nem pensava em burlar seu destino, o destino lhe provava que tinha lhe dado a caneta e que talvez fosse preciso passsar por esses assombros mesmo a custa de ter o que escrever com intensidade e sem medo. não, não teve medo e logo quando dormia por cinco anos teve pesadelos e se deleitava deles porque não eram mais de amor. pesadelos a gente acorda feliz de sê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e todas as referências que ele tinha do amado, todas elas pouco a pouco aprendera a brincar com elas, ele inventava novas histórias que pudesssem as burlar. digo isso pois é fato de que quando desenganado o ser humano daí é que começa a receber informações de todos os lados, cheiros, na tv, na rua, em gente falando em francês, em cabides e outras coisa que o lembravam do feio e que o repugnavam. Foi uma lavagem cerebral divertida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engoliu aquele nome por mil vezes que pudesse até o nome deixar de ser nome. e ser saliva. e a saliva secar à boca. e não ser preciso engoli-la mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em poucos anos os seus primeiros contos foram premiados. não a nível colegial ou universitário. a nível público, estadual! Num livro que ele entitulara: O ódio e contos ordinários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, a parte doce de seu espírito umbralino, recordou-se do feio e por um lapso de bondade inata e de gratidão aprendida de tanto que a mãe lhe ensinara, sentiu que devia, por fim, enviar-lhe uma carta de agradecimento e um exemplar. Contraditório, não? Se contássemos com o título da obra. Mas é que para o pequeno tudo já estava muito discernido. Uma coisa era ficção materializada outra coisa era a realidade enganosa. E dava graças, não a deus, porque o abandonara para principiar em sua estada de humano criador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do que, entre o telefonema e o livro havia voltado a cidade natal e fora lá, pelos anos de 1997, que conhecera seu novo amor e obtivera a verdade de que sua carne não precisava ser desperdiçada tão duramente. principalmente em dias ainda muito juvenis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-8504253159298504130?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/8504253159298504130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-10.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8504253159298504130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/8504253159298504130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-10.html' title='Julho 10'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-4358773426937628431</id><published>2009-02-16T18:16:00.009-08:00</published><updated>2009-04-12T04:11:44.460-07:00</updated><title type='text'>Julho 9</title><content type='html'>Se era um sofrimento duplo. Isto tinha de parar. De alguma forma teria. Só que neste tempo era o mesmo tempo do louco e não se apercebera ou começara a perceber que o feio também desaparecia. não estava mais lá quando deveria estar. só estava quando pressentido na rua: e o pararia assim? feito desmedido e lhe contaria que já sabia que ele estaria no outro lado da quadra? se o feio não sentisse a mesma coisa o consideraria louco e talvez até lhe desse uma bela porrada na cara. já que o assumido era o pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos considerar, a partir de agora, o que era o feio. o feio era o princípio do pequeno. mas deixo claro que o pequeno nunca nunca saberia o que de fato o feio sentia por si. um dia apenas, como já foi dito, o pequeno desesperado com aqueles dois sintomas já monstruosos, é que resolveu então ter-se calmo: se havia um tipo de amor de espíritos que naquela vida, vida concreta, ele desse jeito de um namorado lindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi o que fizera. foi o que realizara. e o pequeno tinha todo esse cuidado de conquistar seus desejos íntimos e falseados pelo simples prazer de ter conseguido. com este menino sim a brincadeira ia longe. era meigo. tinham se conhecido numa boate apropriada. tinha os olhos verdes e todos o achavam tão querido que era gostoso de apresentá-lo à qualquer das sociedades pelo qual circulava. mas o caminho da afeição, como não poderia não ser é demasiado. o seu adjetivo nesta história seria o tolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tolo era quisto por toda a sua família e o pequeno honrava a mãe por ter escolhido logo aos 18, já completara isso? como o tempo passa rápido mas não o desespero! seu par perfeito. o tolo morava longe demais depois da ilha e a mãe solicita aos dois outros filhos igualmente legais a convidarem o tolo a se unir à família. Ao pequeno nada mais fascinante: seria seu primeiro casamento! e aceito assim por todos tudo estava feito o planejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só não se prevenira de uma coisa impossível de se prevenir de si mesmo: em sua carne tinha espinhos. Com os passar das noites estava claro que as suas insônias já não poderiam ser curtidas e que era lhe doloroso dividir o corpo e uni-lo com outro por um todo sempre esquisito. O amor e a gentileza daqueles olhos verdes logo logo sucumbiriam numa dúvida cruel e mensageira de rancores tardios. O pequeno lhe traía? não! sim! sim? e o pequeno, o que respondia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Trair, além de se dividir com um marido rápido, se dividir com outro ainda?! Nunca. Era verdade. Só na alma, pensava, enquanto rezava também que aquela loucura da alma um dia passasse. Porém, a loucura do tolo é que crescia. Este sim viu-se - e deixou claro - enlouquecer obsessivo. sempre estava por perto. E sempre o vigiava. Mexia nas coisas do pequeno, cheirava seus espirros para ver se ali não havia catarro que fosse de saliva alheia. Além disso, adorado pela família. E o pequeno via-se encurralado em seu pequeno quarto que era agora deles! sem correr para os lados nem para a insônia um dia interrompeu num grito: não te amo mais. tudo não passou de um engano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tolo e o pequeno discutiram por uma noite inteira. Fato que se repetiria sempre, já que o pequeno evitara futuros namorados e maridos por conta desse fogo mesmo de não querer e não suportar ter-se a pele dividida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram três irmãos. o pequeno era o do meio, mas o menor de todos.&lt;br /&gt;o irmão mais velho levou o tolo de volta pra casa enquanto pregava um sermão no pequeno. era cobra agora para sua própria família. a mãe lhe dissera: você parece que gosta de brincar com o sentimento dos outros, nenhuma mãe teria feito isso! e você desperdiça, nem dá tempo ao tempo.&lt;br /&gt;Não, não dá. A vida é mais rápida e mais doída, mãe, mas tu não sabes de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sei sim, é aquele francês que eu odeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumidamente fora esse um diálogo de vários e vários meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia passeando tranquilamente com o radar atento a ver quem sabe seu querido, o pequeno se pegou flagrado não, mas a espreita sim: o tolo o perseguia. O tolo o parou e o olhou muito sério. muito nervoso. muito de tudo de uns olhos que mudaram de verdes para desverdades. aquilo lhe causou medo. O tolo não falara nada e saíra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez ele o perseguiu e pela última vez perseguido, dentro da boate apropriada, é que o tolo lhe disse em berros que ninguém ouvisse, graças a deus a música é alta, pensou o pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei que tu sempre tivesse alguém, só não consigo ver quem é. Me mostra quem é? Quem é que está aqui? Quem, é alguém que eu conheço quem é? Foi por causa dele que tu não me quis? Foi? Essa mentira de não aguentar dormir juntinhos! Eu sei, a não ser que tu não sejas normal! Mas era tanto quando te conheci!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que alguém lhe bateu no rosto. Porque o pequeno não podia fazer nada nem dizer nada. Rntão não sou normal e então não sou louco. E então enlouqueci um pobre tolo. era melhor o tapa do que ter amado um feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quem dá o tapa é sempre aquele que se sente culpado: foi aí que o pequeno sentiu prazer.  Fica com a tua culpa, pensou. O tapa já passou e continuou a dançar. O tolo não foi mais visto por dois anos, mas sempre lhe chegavam notícias de que sempre tolo o tolo perguntava pela víbora. Onde está o meu pequeno, perguntava aos amigos e os amigos respondiam que o seu pequeno está em casa dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela mesma semana daquele mesmo tapa é que se percebeu do terceiro sintoma: se a mãe sabia de seu segredo amor e se o tolo tinha essa obsessão sinistra, se o louco - já o tinhaabandonado! - e se as pessoas da família o olhavam já diferente, não era fato de que por contágio as pessoas também sentiam!? E se acaso tivesse viajado demais no platonismo não seria crueldade divina dar provas de que não era viagem sua através dos outros? E se acaso? E se acaso? Como se perdia? Como transpareceu a todos o seu amor de idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que decidiu: mãe, quero voltar a cidade natal. onde lá eu vejo céu aberto e tudo é lindo. Onde lá não faz nem tanto frio nem calor intenso. onde lá a minha insônia é muito mais bonita, mãe, me deixa passar ao menos as férias naquele lugar que sempre fora meu paraíso antes de sermos ilhados nessa cidade de bruxarias! E a mãe, que não tinha muita grana, mesmo assim consentiu. ficaria dois meses na casa de tios. a primeira a tia por parte de pai via no pequeno um pequeno demonhinho já que falava tantas coisas perdidas e sem fundamento para uma mulher burocrata. O tio não era mais esperto porém mais divertido ficar com ele que morava então num bairro pobre muito pobre da cidade, mas a sua rua era a dos ricos. imaginem o que isso causa socialmente... A cidade natal lhe fazia tão bem como mais tarde descobriria os bens de um lexotan rosado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade natal sim era a substituta de tudo o que fosse amor. pois que fosse grande e cheia de arquiteturas tão arquitetadas e monumentosas. era o próprio paraíso construído pelos dedos humanos com cores de tinta cinza e branca naquela terra que já fora avermelhada. e aqueles asfaltos muito bem programados que se diria: uma cidade irreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus planos, porém, eram o de burlar mais uma vez o destino e ficar ali. por que não? já havia feito de tudo. Em menos de um ano até se casara? já tinha até a carteira de reservista?! Agora podia fazer a faculdade ali. morar ali. viver ali. pensar nos bens materiais lhe faria muito bem. O que é uma cidade propícia ah isso era!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pensaria mais nos sintomas e se esquecia. O quê? Amores nunca tive, era o que falava aos parentes e ria. Até que uma após uma noite o feio lhe vinha em seus sonhos e pedia para voltar. Uma e uma noite, de uma em uma noite, essa tortura lhe vinha! Era o primeiro sintoma aguçado. Em poucos dias notava-se a amargura do rapazinho. Durou vinte dias apenas a aventura quando cansado desistiu de resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ficaram muito surpresos com a mudança repentina de sua postura. O jeito alegre agora era de uma morbidez tentada a se disfarçar. Falava no começo em ficar pra sempre e tão rápido assim partira. Que se dá na cabeça dos jovens, afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não é na cabeça. É no corpo inteiro que não contente com os cinco sentidos inventou a alma pra confundir nossos destinos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-4358773426937628431?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/4358773426937628431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-9.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4358773426937628431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4358773426937628431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-9.html' title='Julho 9'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-7172186848021111700</id><published>2009-02-16T18:16:00.008-08:00</published><updated>2009-02-21T19:02:01.789-08:00</updated><title type='text'>Julho 8</title><content type='html'>Se eu repetir os fatos, perdoem-me caros leitores (como se diziam os antigos).&lt;br /&gt;É que a memória funciona desta forma e a gente toda sabe disso que não há nada mais tolo que crer na cronologia quando ela se estende de uma ponta a outra e invade lembranças conectando outras remetendo ao mergulho por vezes infernal ou saudoso (que é anjo de delícias).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos juro e prometo que o pequeno não se remoía. apenas como homem são buscava de trás para frente ou vice-versa solução para o resto de sua vida. ou o melhor: o resto havia passado. para a sua quarta vida! aquela futura e predestinada! aquela que ele vira por entre as frestas da cortina de seu carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o futuro reage de maneira violenta e embora todos saibamos que existam ciclos, o pequeno gostava de admirá-lo por não prevê-lo e ser pego desprevenido ainda era uma das suas coisas mais divertidas. enquanto lavava o rosto de tanto calor no tanque sentiu que a roupa lavada agora não estava seca e não querendo pensar em quase nada mas alguma coisa grave e gostosa aos ouvidos e à mão (pois vira num filme um eletrochoque fascinante) é que colocou as mãos na máquina e a pôs de novo a centrifugar. ali ficou balançando, balançando e sentindo a força da máquina devagar e rapidamente e quanto mais rapido mais fortemente como se fosse o curador de um espírito enfermo, ele, o pequeno a desatar seus demonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era com prazer que se apoderava de simples objetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;voltemos a 95. o louco lhe visitava sempre e era o primo que o trazia de carro. o primo nunca subira em seu apartamento de loucuras... imaginava. o pequeno embora quisesse falar do feio o guardava em segredo e em segredo tratava o louco com toda a doçura do mundo porque era humano ser assim e mais, claro, porque lhe corria nos genes o genes do feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quão bonito pode ser um gesto e quão desastroso também. Hoje em dia o pequeno não se culpa, mas sabe que semioticamente sabe hoje em dia que foram estes gestos caridosos e simples e essa alegria, um de seus jogos, era olhar naquela face muito diferente do feio e tentar lhe reconhecer traços. como sempre fizera com seus próprios irmãos para ver a similitude do físico quando brigavam por carácteres muito distantes de suas personalidades muito diferentes na adolescência. desta forma é que fazia com o louco. talvez se não o visse assim seus gestos seriam apenas de bom amigo. mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi quando já no final daquele ano o louco desaparecera. ou era julho também? não me lembro.&lt;br /&gt;nunca mais voltara e o pequeno apenas acreditava que era assim mesmo. arranjara uma namorada, entrara para a faculdade ou conseguira um emprego. era um tempo sem tantas virtualidade de se comunicar facilmente e nem celulares. porque era coisa de rico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi neste tempo também que o pequeno obteve a dádiva de ser tomado por assombrosos casos de premonição. se é aqui que começa a ficção ou se começou desde o início é importante lhes dizer cuidado, porque amores são vários como várias são as pessoas. apenas não o julguem demais ou machuquem tanto a sua alma ferida de fantasmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sonhava com o feio. sintoma básico e natural. os sonhos no entanto lhe diziam de amor. o feio em seus sonhos o elevava a um espaço infinito e cheio de cores. depois descobrira que eram &lt;em&gt;lads&lt;/em&gt; aquele tipo de cores. e em vez de acordar com a felicidade própria daqueles que não tendo o ser amado em vida tinha-o em sonho ao menos lhe guiando a toda felicidade eterna, é que acordava com ódio e raiva. Por que tinha que ser assim? Ainda mais nos dias em que estava em paz? Ainda mais nos tempos em que tentava esquecer dessa coisa sentida e cheia de sentimentos? Por que tinha que ser assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca quisera ser fraco como seu pai fora. Nunca quisera ser também tão frio como a mãe lhe ensiara. Amor, verdadeiro?! Só de mãe, meu filho. O resto não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem sequer pedira provas nem para os espíritos nem pros umbralinos. nem pra ningúem. dormia. então, em sonhos era capaz de se deixar invadir por tais imagens sim alucinógenas. talvez naquele tempo se tivesse previsto que alguns remédios lhe cortariam o horror daqueles sonhos que se acorda com sensação de pesadelo... mas não, naquela época bem inocente era contrário, por mais incrível que lhes pareça, a qualquer tipo de drogas ou remédios ou drogas verdadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(em 2009 foi que descobriu que a palavra droga também fora usada para definir uma espécie de tecido fino e caro há muito tempo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi daí que lhe veio a idéia de ter insônia. por que não? por que não? já que de dia não sonhava capotava pelas noites mal dormidas. esperteza tamanha não havia naqueles olhos cheio de lógicas. mas esperem que outras burlas tentara e todas fracassaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tortuoso o caminho dos que não acreditam. mas que fosse, já nascera canhoto. e seu primeiro desenho afinal não fora o portal do inferno ensinado pelo colega ao lado cheio de pêlos no braço e magricelo do segundo ano primário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é óbvio que ele sabia daquele tipo de contaminação feita por aproximação de espíritos. mas não. o feio não podia jamais ter aparecido naquele período da sua vida em que também estava claro para si para todos: sou o &lt;em&gt;gay&lt;/em&gt; perfeito de várias gerações destruídas. falaremos de sua árvore genealógica mais adiante. por enquanto, esperem: o segundo sintoma estava por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio como uma rajada quente e sóbria. Agora ele sabia de antemão quando viria o feio pelas ruas ou pelas esquinas e quando mesmo andando no centro da cidade à sua procura não o veria. Era um sintoma cruel porque a partir daí devia estar tão bem sintonizado que por muitas vezes correra as ruas da cidade à saber por empírico próprio se aquilo de fato existia. Mas sempre dava certo. E dando certo sempre e não sendo cientista, no seu sempre mundano, portanto, acreditou ter de fato sido possuído. Mas pior ainda, foi ter acreditado que o outro, o feio, talvez sentisse dos mesmos ataques.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-7172186848021111700?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/7172186848021111700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-8-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7172186848021111700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/7172186848021111700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-8-incompleto.html' title='Julho 8'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-5546339119190010794</id><published>2009-02-16T18:16:00.007-08:00</published><updated>2009-04-12T03:38:18.015-07:00</updated><title type='text'>Julho 7</title><content type='html'>até lá como sempre fizera conheceria mais gente mais gente nova - quem sabe alguém sem saber&lt;br /&gt;de nada, apenas o vendo assim parado pudesse pensar (este é o pequeno da minha vida!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas nada até aqui: ou personagens supérfluos que não alcançaram o cume mais virtuoso de um homem, elevar-se ao inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;impregnado de revolta o feio, durante aqueles meses de reencontro, durava-se como é dura a sua essência. tinha horas que não, que caia-lhe a lágrima, sobretudo ao entardecer de domingos. e sobretudo em outros domingos sorria também. mas o que lhe revoltava era mesmo entender lá no seu íntimo, assim entendia, que aquele reencontro, e cada domingo mais entendia, era de fato fruto de um armistício. ah! como odiava as inverdades ele logo concluiu que seu silêncio também mentia. que era um mentiroso da não-palavra. ardendo os olhos a procura da esposa. era obrigado a se prevenir dizendo que apenas buscava os conceitos certos para a melhor forma de se profissionalizar na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que lhe revoltava mesmo era ter descoberto que a pausa muitas vezes é um tipo de movimento falso. (mas como discerni-la diante de tantos gestos?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao pequeno era diferente. seria preciso guardar silêncios e expor segredos para que estes confundissem aqueles, assim confundindo o próximo. é tão crístico a palavra próximo que ele adorava escrevê-la. por isso que seu último poema se chamava próximo. quanto às pausas não via problema algum já que tinha aprendido que a espera era o movimento mais vibrante de sua vitória. em momentos de se esperar ainda se pausa: mas nunca com seu cigarro nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas voltemos ao tempo das revoltas iniciadas em 95. Ali, já naquele ano o louco começava a dar provas de sua insuficiência física e carnal. Um tanto disfarçada pelo arroubo natural dos jovens. acho que 17 anos, não me lembro. Mas infelizmente já o chamaria assim de louco por não ter outras palavras: pai, seria o certo neste tempo atual. mas não é um adjetivo. pai, é concreto demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o louco começou a dar asas à sua vida conheceu como o feio conheceu: o pequeno. Naquele tempo podia-se crer que era ingênuo, embora não aparentasse. Mas era. Apenas tinha dos arroubos naturais de sua idade, 17 também. Era lindo vê-lo falar em francês e engraçado quando brincava de francês-nordestino ou francês-sulista, só não conseguia fazer um francês-manezinho porque era mesmo muito difícil!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feio e o louco eram primos. O pequeno falava muito mais com o louco, já que o louco lhe dava vazão de ser o que era. O feio não, lembrou-se da primeira vez que o viu: e as primeiras vezes vistas muitas vezes a gente não sabe na verdade se é jogo da memória ou de livros lidos. Sentiu um calafrio no umbigo e uma raiva intensa. O feio era lhe de fato repugnante. E muitas vezes deixou suas mãos no ar quando ele vinha lhe cumprimentar com certa cordialidade patética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou dizer que o pequeno também não era patético em suas ações. porque o era. quando saía de perto dele, normalmente indo ao banheiro, lavava o rosto e aí sim sentia uma febre mais feliz. um êxtase. mas um êxtase só dele. provocado pelo feio é claro. e o fato de ser feio foi uma coisa que o deixava muito feliz: - estou salvo, dizia assim mesmo, estou salvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era patético ao descer do elevador vê-lo que mais uma vez fora grosso com seu feio que lhe causava tantos e tantos sentimentos contraditórios, mas mais forte era a felicidade de tê-lo ao menos visto. Funcionava assim com os vampiros fictícios, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquela coisa incontrolável de ser legal com o louco e não conseguir ser com o feio, deixava o feio cada vez mais irritado. Sendo o feio e o louco dois primos: esta não era uma história de amor triangular. Não! Nós veremos que tudo, pelos aparentes fatos, pode ser falseado, ainda mais quando não se tem intenção de sê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que estamos em 2008. Porque apenas neste ano é que o pequeno descobrira da história verdadeira dos fatos e lamentara muito que naquele tempo não soubesse de nada e portanto não pudera ao menos acolher o louco em suas alucinações - ou ao menos acompanhá-lo. Já que mais tarde sucumbiria de um mal igual embora controlável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-5546339119190010794?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/5546339119190010794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-7-incompleto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5546339119190010794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/5546339119190010794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-7-incompleto.html' title='Julho 7'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-1486783314661457584</id><published>2009-02-16T18:16:00.006-08:00</published><updated>2009-04-12T03:30:21.910-07:00</updated><title type='text'>Julho 6</title><content type='html'>- fútil, superficial, perigoso?!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi aí que ele jogou a taça que bateu no ombro do rico e manchou a camisa tão cara de vinho branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- vinho branco não, champagne, dizia. você nunca me agredira desta forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu não te devo nada. talvez sim: violência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu sabia que um dia iria ver tua sombra, tua ardência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não não, isto tu viras até agora. agora o que vês é realidade. eu não posso. eu não posso. eu não posso ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e que moralidade tu tens? que moralidade é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a mesma que a tua que vens me dizer com todas as asneiras de um elefante gordo que mudaria por nós. e já se passaram anos e a única coisa que tu consegues fazer é me perseguir? e cada vez que vem até mim e eu te recebo tu não percebes que estás mais gordo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- como tu estás mais magro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- como o outro está mais feio e velho e eu ainda mais belo, tu queres dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer falou no outro. O rico pensou assim: afinal, quem é esse outro? havia outro? então aquela coisa toda de se manter sem ninguém, distante e intocável, afinal não era mesmo verdade alguma? E o pequeno percebendo dessa aflição e conhecendo o orgulho transparente das indagações do rico deixou-o com seu olhar de outro e sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um riso de ódio contido. um riso de malíca. parece que algo lhe passava pela mente também. mas foi juntando a taça quebrada e depois grudou bem forte o lenço de papel (ou guardanapo chique) no pedaço do ombro do homem rico. entre a pele do ombro e os seus dedos, portanto, havia: a camisa cara, o vinho branco, o guardanapo chique. por isso ele apertou para tentar chegar ao tato mais profundo sem perder o orgulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não existe outro. quando eu digo outro é porque sou eu. o outro de mim. o outro que você não conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi assim que passou o riso de ódio e voltou a reestabelecer seu espírito poliana que eram várias anas boas que ele sabia ser. essas anas boas eram o que tinham feito o rico se apaixonar por ele. e ele não estava enganando o rico, uma vez que o feio já o tivesse possuído em alma-viva. ainda que de enganos, repito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- antes de voltar contigo a cidade natal eu prometo que volto. mas prometo pra mim mesmo que preciso de mim agora e que preciso solucionar a mim mesmo. se tu me encontras aleatoriamente por cada cidade que fujo e já não é nem mais de ti. nem sei mais se fujo na verdade. se é assim eu vou viver contigo sim por lá. mas se já esperamos 12 anos um ano a mais concluindo uma vida a mais do jeito que quero viver aqui nesta ilha pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas me diz mesmo assim quantos quantos passam por ti quando eu fico longe? ou melhor, por que tu não me sacodes sim, me joga uma taça para saber de mim? quantos que eu pego e trepo e minto de verdade só para não ficar pensando em ti: você vai para lugares tão extremos!!! E só não enlouqueço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- porque tens dinheiro. porque não podes deixar de ser lindo. nem um dia eu te vi de barba malfeita. eu nunca perguntaria o que eu não preciso saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi aí que tirou a força dos dedos, mas não todos eles. apenas a força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- um dia você me disse que não me olharia no Rio de Janeiro se me encontrasse como garçom de esquina. e olha como eu estou agora: uma vida estável e uma vida decente aos olhos de muita gente que só me tinha por mais um doidinho artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu também lhe disse que eras a pessoa mais prudente e equilibrada, não disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ainda bem que quando foste ao Rio eu já não estava tão apaixonado assim pelos mendigos. nem por uma vida simplesmente aventureira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu não entendo até hoje por que foste ao Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- você não se lembra daquelas fotos todas que me mostrava do seu grande e maravilhoso Rio de Janeiro? Mas como iria supor que eu não lhe diria que já estava em mim a vontade de sair da cidade natal? Não eu nunca lhe falaria. Era preciso não deixar suspeitas... Mas de qualquer forma, no Rio, como tu bem me visitastes eu não tinha grana para estar no lugar daquelas fotos. Mas eu sentia o mesmo calor, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segredo do rico não era clássico. e é por isso que os nomes não podem ser ditos jamais. É importante também dizer: Julho 6 é o nome do capítulo e não a data de julho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- eu acho que nos reveremos, mas aconteceram fatos em mim e contigo e eu sei que nós não falaremos sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu fato era aquele: do reencontro. Suspenso em mistério-amor-coisa-de-deus-sei-lá. o fato dele, o pequeno pressentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vou parar com tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia o rico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é uma frase clássica também. é uma frase que mente sobre tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e voltou a sorrir: - mas eu gosto de mentiras, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não é mentira! porra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a primeira vez que o rico falara um palavrão na sua frente. Que coisa estranha, mas existem pessoas assim até hoje, sabiam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e nós não faremos nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não, eu vou reter meu esperma, como eu faço normalmente com os outros. eu vou te fazer sentir eu vou te fazer sentir como os outros sentiram: que eu fui um estorvo, engano enlouquecedor e manipulador de desejos ou de não-desejos. alías, eu vou te jogar outra taça. porque tínhamos duas e eu acabo de pegar a tua nas mãos enquanto a minha outra está em seu ombro o que fica mais fácil pra mim. e você não pode ir simplesmente por aí ferido. pode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ele era grande se levantou e deu-lhe um tapa no rosto muito bem dado. ele era também mais velho. ele era também mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o pequeno não falou nada nem se sentiu muito mal. ele teve ao menos a reação fascinadora de um homem tão politizado e certo e correto de suas hipocrisias e de seus fingimentos sociais. ele tinha ali, naquele momento assumido também uma coisa de gente! Foi daí que abriu uma das gavetas e pegou uma de suas boletas e repartiu em dois. colocou na boca como se fosse hóstia e na do outro para que ficasse mais calmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o efeito vem em vinte minutos. dá tempo de você pegar um táxi e ir ao teu hotel. chegando lá você me manda mensagem dizendo que está bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o pequeno escreveu a mensagem enquanto ficavam em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é só apertar enviar. para não cometer o erro de escrever errado. enquanto isso o meu amor. nunca pára. por ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quis ser tocado. Quis chorar mas a baga já fazia o efeito reconfortante. Quando o outro saiu foi que ligou o seu próprio celular. Ficara aquele jantar todo desligado para nunca serem importunados. a mensagem chegou depois de vinte minutos. ele apagara a mensagem recebida e nunca mais se viram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia foi que se lembrara que o fato de os homens não saberem criar suas próprias histórias não os impedia de tomarem suas decisões íntimas. Ele passaria o dia inteiro fumando e rezando que o rico encontrasse outro queridinho que o feio estivesse em paz e que ele próprio tendo amor próprio esperasse calmamente a noite para dormir de novo e de novo e novo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ansioso não por um terceiro amor, mais por um remédio que lhe desse conforto na carência e na derrota. que aliviasse o peso de fracassadas sucessões de ódio. e ao mesmo reconstruísse diariamente seu cotidiano no trabalho e nas artes. mesmo que fingisse ao mundo: eu estou bem, porque estou aqui. vejam, eu venci o monstro do destino e encarei um reino de amores sem me contaminar disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para falar a verdade, vez ou outra se encantava, de que reencontraria de novo o feio ou se pegava ansioso de que o carnaval de 2009 chegasse o mais depressa possível. E estávamos bem longe disso, pois era julho de 2008.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-1486783314661457584?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/1486783314661457584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-6.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1486783314661457584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1486783314661457584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-6.html' title='Julho 6'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-4610312938994400067</id><published>2009-02-16T18:16:00.005-08:00</published><updated>2009-02-20T23:01:36.330-08:00</updated><title type='text'>Julho X</title><content type='html'>Só para que o leitor não se perca estávamos no início de 2009.&lt;br /&gt;Em 2008 - Julho - em que também estamos: não pensem que o texto não é comprido. Neste julho, então, foi o reencontro final entre dois homens que por um lapso quase se amaram, mas se baniram por conta de mentiras que estranhamente não saíram de suas bocas, mas por elas foram exaltadas. mentira ingênua, não gratuitamente má, até porque não há maldade nessa históra há enganos. lembrem-se disso. Era 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto em 1997 é que o pequeno conhecera o rico em sua cidade natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em 1997 também era o ano em que recomeçara os estudos: na arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se havia uma cidade natal havia esta outra que era principal: porque ali se iniciou tudo o que conhecia de si e, sobretudo, tornara-se iniciante também em esquecer-se de si mesmo. um iniciado pelos anos de 2002...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São tantos anos que nem uma biografia daria conta a não ser fragmentada de uma maneira entendível apenas aos que sofrem demais por impactos e sabores demais acabam por perder o discernimento de tantas texturas. o que não é contraditório considerando o nosso mundo atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julho X foi este dia em que ele tentou seguir cronologicamente algum rastro. mas não conseguiu. só se lembrava de 1995 e do próprio 2008. Ali estava a chave de tudo que seria novo. era o que ele calculara. isso porque foi desastroso o primeiro encontro com o rico depois do reencontro com o feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2009, portanto, passaram-se meses sem ver o rico novamente e sem ver o feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o rico lhe prometia um carnaval. e ele se escondia por detrás da cortina branca e leve que o vento do verão brincava ou disputava com os dois gatos, sendo um deles Personne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, enquanto não achava a solução. Em vez de criar mais dados fictícios era melhor mesmo que fingir ou fugir (como fazia de lá pra cá com o feio e com o rico que nunca se conheceram. amém) era a melhor saída, por vezes e que ele, para falar a verdade, até relutara por princípios (e não a princípio) em: esconder-se. esconder era um verbo bastante infernal. mas necessário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era quente mesmo pra lidar com tanta humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltemos a julho 2008. Em que ele também voltava, porque estava naquele ano a resposta exata para continuar ao menos uma vida mentirosa mais divertida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-4610312938994400067?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/4610312938994400067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-x.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4610312938994400067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4610312938994400067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-x.html' title='Julho X'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-1181067288322235613</id><published>2009-02-16T18:16:00.004-08:00</published><updated>2009-10-12T08:56:45.361-07:00</updated><title type='text'>Julho 5</title><content type='html'>E me disseram que o pequeno não, jamais, envelhecia por conta de reter o esperma.&lt;br /&gt;Parece-lhe que lhe causa mais prazer ter-se bem intocável e fruto maduro: como normalmente acontece com certas ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde passava tinha um sorriso sincero e tão acolhedor que para alguns causava medo. E é só neste capítulo em que me encontro diante dele: eu também sinto medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca saberei o que se passa quando ele sorri ou quando traga o seu cigarro maldito espalhando  fumaça mas com as mãos tão gentis e palavras tão doces que me encantam, que me envaidecem e que me tragam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esta é uma biografia. O que ele faz ali? Personne, ele chama e faz um carinho breve. Nem na sua própria gata ele mantêm mais que um minuto de leveza. Porque é duro. Tem o coração daquela rainha inglesa. E age ora como diana e ora como demência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, passara muito tempo deslizando as mãos na parede e acariciando sim sua sombra distorcida. Muitas vezes gargalhara sozinho e dançara com as mãos feito indiana. Pobre bicha. Pobre bicha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele tinha uma clareza. Tinha uma definição de si mesmo: o que ele era se não fosse obra humana. E nem foi fazendo teatro que descobrira isso, foi tendo doído e doído tanto que poucas vezes na vida sentira medo (depois dos vinte e poucos anos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez lhe causou pânico não ter controle e não ter sentido, no sentido de direção só sabia guiar linhas tortas no papel e escrever mil bobagens. Só muito tempo depois é que passara para seu micro (um micro velho para aquele ano de 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não falemos em anos agora, falemos de suas tragédias e de como ressucitava sempre invicto de maneira que a tragédia era burlada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, era burlesco, então ele era o comediante de comédia, não da vida. Porque também tinha esse dom: de espantar mosquitos apenas negando-lhes atenção. Alguns diziam que não: que era justamente o oposto, dando-lhes muito sangue ele sentia prazer em ver sobreviver de si bicho tão inseto e irritante (bastava que não abusassem demais de seus ouvidos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era assim também com o gato que pegara para criar e que era sujo e mal-criado. Não, não era Personne. Personne, linda e admirável, que até cometera suicidio e saíra ilesa: pois desde muito cedo ele a ensinara a pular e a sobreviver com a dor. Na verdade, bastou-lhe algumas gotas de novalgina de gente para aguentar uma noite com a pata em fratura exposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua fórmula era incrível: com muito esforço encontrara a saída, e agora falo sério em ter tamanha confiança e ao mesmo tempo uma humildade incrível. Ele sabia as palavras certas e sabia também que o mais importante de tudo era continuar espontâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil arte, não? Era isso que o feio temeu durante muita vida. E desperdiçou até. E chorou, toda vez em domingos ele ainda chora. Pensa que tudo deu errado. Pensa que foi um covarde. Que tudo o que fizera para afastá-lo foi certo e decidido e tão decidido que dava provas de não ter sido amado (e amável). Numa jornada de suores acabou encontrando paz. Mas paz não se mantém por muito tempo se tem a garganta entalada e a velhice próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se não colocares um filho no ventre, meu filho, tua história será de misérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feio se revoltava, porque não aceitava frases prontas e destinos prontos, ao mesmo tempo só sabia suar e perpetuar suas próprias fantasias nada empíricas. Tinha um lado romântico que ninguém sabia. Guardava uma rosa dentro da cabeça. Tinha uma voz que era muito brasileira e que lhe ria em dias de insônia. Esta que igualmente ninguém via. Fingia dormir quando estava acordado demais em pesar seus sofrimentos. Sem se levantar para não causar suspeitas. &lt;div&gt;As suspeitas sim são o início de tudo e toda fantasia: social. E demorou, talvez nem nunca soubesse que aquele seu primo tão machucado e ferido que ele mesmo defendeu ou tentou com unhas mortais e masculinas defender das garras do pequeno, aquele seu primo na nossa história seria chamado de louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então porque é sempre assim em toda história: havia o pequeno. Havia o feio. Havia o terceiro personagem que ainda não tenho adjetivo. E havia o louco. também outros adjetivos menores: como os irmãos e como as medalhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amigos? Será que um dia tiveram algum que pôde mesmo compreender a extensão de duas cidades construídas por cima de terra falsa? Ria o pequeno de tudo isso quando se deu conta passado os oito meses sem que se viram. Ria o pequeno de tudo isso quando se deu conta que o sofrimento era algo a ser dissecado como o amor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O que lhe doía mesmo era um certo trauma e horror daquele outro homem. Conhecera numa de suas viagens de fuga. quando se deu conta de que sua personalidade tinha sido construída por um engano fatal (engano dos fatos) não lhe doeu em nada, afinal sabia lidar com formas amorfas e distúrbios, mas a realidade limpa, limpa mesma de um espírito limpo que ainda havia dentro daquela alma: esta ele mesmo castrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos breves: após o marcado desencontro: - não, não posso falar com você, disse o feio. E o pequeno desligou o telefone e prometeu com todo orgulho possível (e era muito) que jamais voltaria a cometer esse crime hediondo de auto-traição. Trair-se e ser jogado ao silêncio inconfuso nem ondas vinham para lhe causar movimento em superfície alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou dois anos indo e vindo daquela cidade até a cidade natal, onde não enlouquecia ou quando não escrevia nada. Foi por aí que encontrara o príncipe? Não, porque príncipe de princípio já lhe fora furtado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade não vem com o processo? Dois anos se passaram e ele não podia ter imaginado que viria, sem que buscasse viria um outro homem: tão lindo e amável e adorável, mas tão cheio de segredos, mais que o pequeno engolia, parecia! mais muito mais! que adjetivo daria senão... o rico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tal rico esteve em todos os lugares que ele foi depois de se conhecerem, porque era rico. Oras, a riqueza compra até o espaço geográfico de quem foge. O mapa se desfaz ou refaz de acordo com o seu mando. Rico. Este rico além de mentiroso tinha a pele macia e lhe prometia um mundo de vaidades incoerentes. A alma do pequeno já não era bastava de não ter coerências? Já não se fundara ali uma cidade inteira de insanidade inteligente capaz de mostrar os dentes por agrado sem a menor culpa? Até por que lhe causava mesmo prazer agradar aos outros: e isso não era maldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não falemos de maldades em histórias de amor. repetiu três vezes enquanto escrevia).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-1181067288322235613?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/1181067288322235613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-5.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1181067288322235613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/1181067288322235613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-5.html' title='Julho 5'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-295703611808022134</id><published>2009-02-16T18:16:00.003-08:00</published><updated>2009-10-12T08:31:22.128-07:00</updated><title type='text'>Julho 4</title><content type='html'>De fato o feio tinha suas lembranças e suas todas interpretações também: mas o que ele lembrava eram de fatos falsificados ou de um pequeno misto de fascinação porque mentia. &lt;div&gt;O pequeno mentia em seu jeito de agir, nos seus gestos mentia, embora fosse alegre e lhe reconfortasse os olhos, mentia. O feio tinha falsas lembranças do pequeno por assim dizer. Era o que conhecíamos desse feio personagem. E era também por conta destas lembranças falsas que sua intuição lhe dizia, sempre: pense no nosso pequeno, pense... Portanto nesses anos todos a grande diferença entre o feio e o pequeno em termos de memória era que o feio sempre lembrava do outro e o outro, o pequeno, passara todo esse tempo lembrando a si mesmo.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Pensar em si mesmo poderia até ser uma tarefa fácil feita de ego iludido e brilhante tão brilhante ele sempre fora e tão espontâneo e, muito aparentemente, autêntico: mas era coisa de bruxaria. Dessas que a gente não aprende com livros e receitas. Tava na sua carne possuir primeiro e depois ser possuído. Sempre de si. Enquanto Personne miava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ele está em mim, pensava, era que eu deveria me ter e me conhecer e quando ele estiver em mim sou eu. Porém, eu, e não ele, que farei a passagem prometida: felicidade eterna aos que amam. E os que amam têm mais que coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A satisfação da poesia em que tudo pode ou do esporte em que pelas regras o corpo age tanto para a conquista que mal se ocupa em ter alma alguma. quer suar até deixar de sentir suor no rosto. Como o poeta quer palavra até ela se desconstruir e reconstruir e de tanto se fadigar assim nessa brincadeira não venha o desejo do corpo lhe importunar: mão no ânus ou no pênis ou no pensamento agressivo das imagens dos pêlos roçando que nunca roçaram, eram imagens, fruto de fantasia. Fantasiar sim era muito diferente do que fingir ou mentir com palavras e nelas estender ao menos um risco. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Travessão. Quando falava a si mesmo era ouvindo a voz própria de sentir a vibração por sua pequena garganta . Quando enlouquecia com o feio: mas o feio corre e pula e se agarra em dias quentes e a céu aberto se prepara para o jogo. Esta loucura imperceptível de não se manter parado um instante, isso sim o pequeno fazia vez em quando no banheiro balançando a cabeça interminantemente sem que ninguém o visse. Ou esmangando o sabonete barato que era mais fácil de esmagar também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amor de enganos leva mesmo à íntima bruxaria de não saber mais nada e ainda sabendo um pouco assume a vida: a agarra! para vingá-la um dia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns corpos distanciados giram para o mesmo lado quando um ou outro gira, leu um dia na física. Mas quem domina o movimento? Quem dominaria? Que frágil se fortaleceria primeiro do outro suado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num amor de enganos um desengano sim, doeria, mas levaria a cabo a busca de outros. Por isso, é que nestes quatorze anos nunca se esqueceram de que o amor lhes abandonara a sorte de novos enganos (o desenganado amor dói, porém, entendido por desengano logo passa e a gente dá um ponto final). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por um tempo apenas é que se esqueciam: amnésia conquistada com esses esforços citados acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que ao pequeno havia ao menos aquele orgulho velado de que fora derrotado por todas as outras mentiras vindas anterior a ele: estas do pai e da mãe e dos professores e de alguns colegas ingênuos que vinham com suas mentiras de seus pais e de suas mães. Então, tivera a sorte de um dia ter encontrado amor sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo viria o novo personagem. que fica no passado que substituiu o feio. O novo que substitui ao próprio pequeno (por que era sendo ele mesmo pequeno é que o feio enganoso se prevalecia?Então melhor substituir-se a si, por declínio aceito: que o novo venha e o proteja do mal-feio.) Feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor sincero por carma dos crimes nem cometidos ou nem revelados é que vinha com o carma. O carma do pequeno estava nos fatos: e nos não-fatos também, princípio de toda a nossa história julina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2008 era realmente um ano de sucessos um após o outro: ele estava vivo, ele estava magro, ele era elogiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Chegaremos ainda em três amores: o amor do engano, o amor sincero e o amor-próprio, não agora que era início de madrugada e ele pensava que havia ao menos voltado a amar a deus).&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-295703611808022134?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/295703611808022134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-4.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/295703611808022134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/295703611808022134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-4.html' title='Julho 4'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-4695609800825304655</id><published>2009-02-16T18:16:00.002-08:00</published><updated>2009-10-12T08:16:06.654-07:00</updated><title type='text'>Julho 3</title><content type='html'>E se lembrava que o desespero era pior do que não ter esperança. Era enlouquecer e mantê-la viva, forte e quente. Ainda quente a esperança em seus lábios todos: aqueles que falavam também de outras coisas, que pudessem falar de revolta também de inúmeras coisas sem que nada ou ninguém ou todos pelo menos todos lhe devolvessem aos ouvidos algum cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no passado, em seu primeiro desengano, que aprendera a esmurrar o ar com as mãos bem fechadas e forte, muito forte! A sua primeira força, a força maior que um dia esmurrara algo: era o ar. Nunca mais esmurrara nada assim.&lt;br /&gt;Ninguém nem um rato sentira assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estapeava vez ou outra um filhote de gato que pegara para criar e fazer companhia a Personne, mas não por isso que lhe veio na memória... o ar e seu soco duro. Vinha-lhe na memória que com o passar dos tempos aprendera algo muito importante: pois caso o vissem, naquele gesto constante e violento contra o ar, o que lhe diriam? Aprendera enquanto esmurrava num processo de esmurrar cada vez menos que lhe bastava a imagem do murro.&lt;div&gt;A imagem do murro transcendia o murro e assim a sociedade nunca lhe evocaria por louco, nem por pouco, e isso lhe dava prazer, poderia sequer imaginar que o seu silêncio muitas vezes era um murro: no ar, como fizera em épocas de desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí também, na mesma época, porque há uma época em que tudo vem junto, ele aprendera que o êxtase, o famoso êxtase que vem de um famoso amor, este não podia ser expresso. O mundo ao redor tem inveja dos que sorriem ao vento. O mundo ao redor não gosta de homens que riem por nada... É sorrir por nada, sorrir por amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feio jamais percebeu nem nunca soube que um dia enquanto se preparava para ser forte e pensar nas estratégias de viver bem, o pequeno, em sua última despedida de si mesmo, repetia enquanto chorava ou lacrimejava ou as duas coisas. O pequeno repetia e repetia: eu não tenho culpa de sentir isso. Várias lágrimas e o ranho em seu rosto bonito. Eu não tenho culpa de sentir isso. E o murro no ar que espalhava as lágrimas ou ranho do rosto que era mais pesado era o que caía. E o barulho do ar com seu murro: o braço fino e portanto era barulho de ferro fino no ar. Parece até que acordava à tarde. Grande tarde de sol poente e linda, ardendo em seus olhos semi fechados por que ora choravam e ora queriam admirar o céu. Parece que até acordava à tarde os morcegos. E eles não gostavam desse barulho dos braços finos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando-se de tudo isso, ocorreu-lhe que deveria agradecer ao tempo. O tempo lhe ensinara a imaginar sem precisar ninguém perceber e ao mesmo tempo lhe dava provas de que tudo voltava à normalidade das coisas. O tempo lhe dava provas de que bastava aprender a fingir para que as coisas dos homens ao menos não lhe prendessem na redoma do desagrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, antes aprendera com deus que era importante agradecê-lo inclusive por ter lhe dado uma família que lhe ensinou - sem querer, mas ensinou - que os meninos que gostavam dos meninos se não se curassem nessa vida, teria outras e novas chances de não ser um pervertido. Novas chances em outras vidas e dessa ele faria o quê? Talvez continuasse pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E numa vida entre outra vida para onde iria a sua alma. Para descobrir que quando se encarnasse novamente, sendo corpo novamente: teria que controlar seus impulsos. E onde aprenderia isso e com quem? Com os espíritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai nosso, obrigado por ter lhe ensinado tudo isso, mas desse jeito são os umbralinos que lhe fazem companhia. Pai nosso, tu que morreste já, não tiveste culpa de ter lhe ensinado assim. Era o que ele pensava ao seu pai, que era nosso, porque ele, o pequeno, tinha dois irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era julho. Ele estava feliz com seu reencontro. E esses pensamentos o tempo já havia deixado passar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-4695609800825304655?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/4695609800825304655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-3.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4695609800825304655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/4695609800825304655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-3.html' title='Julho 3'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-196623290700852363</id><published>2009-02-16T18:16:00.000-08:00</published><updated>2009-10-12T08:08:15.422-07:00</updated><title type='text'>Julho 2</title><content type='html'>É ainda o primeiro capítulo. O pequeno se distraía com aquele dia como quem se distrai com deus. Um misto de felicidade e surpresa. Por que deus nos surpreende? E às vezes é surpresa boa, pensava consigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este pequeno não era tão bem assim cristão. apenas um dia adotou esta palavra. Semântica carregada de tantas e tantas ideologias e suspenses: adotou. com firmeza. Ponto final. as complexidades que o invertem e o distorcem, assim aos poucos iremos descobrir nos reportando aos tempos passados, quando não era 2008 e quando nunca imaginava que chegaria ali.&lt;br /&gt;(talvez nem nunca houvesse desejado, pela impossibilidade própria de vislumbrar o fato).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O feio sorriu algumas vezes, e foram esses sorrisos que eram as únicas provas que o pequeno tivera para interpretar: acho que ao menos gosta de mim. E todo aquele ódio imaginado longe daqui, de fato, passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que o pequeno por anos tivera essa impressão. E impressão, sendo algo fincada, é coisa de ser realidade também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar em casa, início da noite e uma gata, malhada e de bigode, que ele tanto sonhou em ter, lhe fora dada de presente. Um dia inesquecível.&lt;br /&gt;Falaremos da gata mais tarde, pois por enquanto ela não tinha nome e nem teria por longos dois meses de êxtase - há êxtases que duram isso? Pensava o pequeno. Sim, havia. Porque ele os viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequeno mas não frágil, começamos a defini-lo, e o personagem principal da história talvez tivesse condições de se autoproclamar alguma coisa vitoriosa. mas não. Tinha um sucesso de fracassos burlado por seus escritos, enfeitados por seu corpo magro e ao mesmo tempo cheio de delicadezas que a muitos provocavam o medo: é duvidoso um corpo que se esgueira, que faz silêncio nos passos, que muitas vezes ainda mesmo adulto se esconde por detrás dos móveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que pouco antes de se conhecerem, há quatorze anos, houvera uma troca: o pequeno era algo tímido e de repente, não aos poucos, de repente acordou agitado. Era a agitação prévia dos encontros marcados - que a gente sempre desconhece.&lt;br /&gt;O feio que era um rapaz sociável e até muito bem relacionado: este se introjetou num receio profundo ou num pressentimento vago de algo estava por vir, não calculou, nem conseguiria, de que não era algo, mas alguém. E alguém, por ser vivente, traz seus perigos constantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo-faca, por exemplo, enferruja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gata tinha poucos meses e parecia ter gostado tanto de seu dono que não sentiu a necessidade de um nome imediato. O nome viria, ele pensou, quando fosse batizada. A gata, seria batizada com um nome francês, pensou, pois era francês seu tipo de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida ele acreditou que ao final da tarde um ciclo se fecha, e ao cair da noite a gata trazia o início de tudo que é: por assim dizer: um novo conto de mistério, numa mesma história continuada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveu dois meses, como eu já disse, em um êxtase. Mas equilibrado porque agia e vivia como todos os outros dias sem que ninguém soubesse. Não precisavam saber da sua alegria. Era um tipo de alegria até nova pra si mesmo que vivera 30 anos em si mesmo: a alegria não-compartilhada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-196623290700852363?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/196623290700852363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-2.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/196623290700852363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/196623290700852363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/julho-2.html' title='Julho 2'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3748729824692944713.post-9006672569492353800</id><published>2009-02-15T00:10:00.000-08:00</published><updated>2011-01-07T13:03:19.512-08:00</updated><title type='text'>Julho</title><content type='html'>É um mês bonito ou frio demais aqui no sul, mas especificamente naquele ano, julho era um mês sem frio.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu não me lembro as datas nem horários certos. mas foi naquele dia em que ele olhou. Depois de oito anos olhou para um de seus entes amados. Depois de oito anos pode rezar em silêncio essa oração que se faz entre dois entes amados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Parecia inédito que a vida pudesse lhe dar tal presente e embora toda a felicidade no peito pequeno é que arfava em utilizar todas as formas que aprendera de fingir não sentir absolutamente nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Quem lhe ensinara aquilo? Ele, que estava a sua frente e frente-a-frente também pensou e relembrou de um tempo sincero.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Em 2008 o passado se ergueu. naquele dia uma estátuta foi construída com o calor de inverno. Naquele dia ele e o outro compreenderam que o mistério era sempre maior que suas vontades tolas e discretas. mas estavam felizes, sim estavam, em cada canto cada um exprimia ou tentava ou às vezes divagava sem que ninguém os perturbasse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Todos sabiam que havia um re-encontro necessário. todos respeitaram que haviam feito o possível de um encontro por tantos anos protelado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Todos indubitavelmente respeitaram as reações de personagens tão simples e humildes: um reencontro de tantos anos não é algo fácil de se observar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O pequeno e o feio, é assim que vou chamá-los a partir daqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes, porque este era o dia inicial, eu irei de encontro a esta cena: se passava em julho e estava quente, dois homens não se viam depois de oito anos, eles mal se falaram naquele dia, mas daí acreditaram em deus (eu acho), eles sorriram quando podiam sorrir sozinhos, de cabeça alta sem que ninguém visse ou vendo não os perturbassem. Era um dia especial pois ao final da tarde ainda estavam no mesmo lugar, rodeando-se entre si ou esperando-se entre si ao menos que um chamasse o outro pelo nome verdadeiro. nem um nem o outro se chamaram.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Não era o fato de estarem presentes por si só inominais? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando eles retornariam a se ver? Mais oito anos? Eles nem se lembrarem de ter desta dúvida, porque o dia passou e por fim se cumprimentaram como dois cavalheiros, como dois homens gentis, como dois irmãos que tinham para compartilhar o que não se compartilha entre os vivos. É que eles tiveram a mente mórbida durante anos... é que eles, e sobretudo o pequeno, nunca foram dados ao arrebatamento que desocializa, pelo contrário, encontraram métodos de peramanecerem aparentemente certos e disfarçados do amor passado e peramenceram aparentemente certos de uma vida certa de formaturas, casamentos, trabalhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nada que alguém pudesse nunca lhes apontar o dedo e dizer: loucos.&lt;br /&gt;Embora mesmo assim tenham dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um transformou o interrompimento em letras e o outro em suor. E essa é uma história verdadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ainda no século vinte um, depois do grande anúncio de que tudo mudaria tudo, tudo mesmo, existiam pessoas que amavam, que haviam sido traídas, pessoas que sentiam ciúmes e pessoas, acreditem, que ainda acreditavam na esperança de se encontrarem um dia e poderem uma hora ou um minuto que fosse dizerem, um ao outro: eu estou feliz ao te rever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se oito meses desde este dia e eles nunca mais se viram. Até acreditaram que o tempo generoso poderia bem ter transformado os próximos oito anos em apenas oito meses que eles conseguiram manter em serenidade, porque eram gratos daquele encontro sortuíto. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Porém, neste romance não era só o tempo o inimigo, era também o destino, a ironia e os segredos, tantos e tantos, que é preciso dividir em capítulos para que não se perca um só fio da jornada corajosa que pela espera enfrentaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Normalmente é amor se dois homens conseguem se beijar na boca.&lt;br /&gt;Mas naquela história não. E pelos fatos contextuais - ainda não explicitados - porque todos os personagens aparecerão ainda - eles já sabiam que o reencontro, passado a gratidão, tinha sido mais um momento de distração do destino do que propriamente um presente de deus.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3748729824692944713-9006672569492353800?l=ultimoromance.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ultimoromance.blogspot.com/feeds/9006672569492353800/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/capitulo-1o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/9006672569492353800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3748729824692944713/posts/default/9006672569492353800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ultimoromance.blogspot.com/2009/02/capitulo-1o.html' title='Julho'/><author><name>Christiano Scheiner</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04251698440518933854</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/-3_rzdWXMGYU/Tipv1dByJvI/AAAAAAAAAg8/-VCMEJpNSN8/s220/DSC00360.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
