Pequeno Prefácio do Autor

2008 é nome da obra em que me insiro num universo da passionalidade ficcional.
Não sei se ao leitor agradará o ritmo e os recortes ou os possíveis surgimentos, sei sim que entre a verdade e aquilo que inventamos há um universo inteiro: é nesse universo que estamos no ano de 2008.
Prefaciando cada capítulo meu, encontro Waldo Motta, poeta dominador de almas que é.

O último capítulo Réquiem está na barra acima por um motivo último.
Os capítulos são interdependentes podendo ser acompanhados sem ordem ou pela ordem do leitor.

Classificação etária: maiores de 16 anos.

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domingo, 21 de junho de 2009

Orquídea12

Não importava o nome ou os adjetivos de sua biologia recorrente. O pequeno, pelas palavras de um amante, percebeu finalmente que todos fazem parte da vida. Agora era que tudo se materializava. Que nada tinha a ver com seu amor próprio ou amor por alguém, ou as fantasias que se criavam em torno do amor.

Nada tinha a ver com a alegria juvenil de noites ou dias entre os braços de um rico que lhe prometia uma vida futura e estável. Que não havia final. Não havia. Ele se colocou dentro dos olhos daquele cara com o café na mão, viu finalmente o lugar em que estava inserido, viu o pequeno na janela fumando seu cigarro, viu que havia vida nas veias do coadjuvante, por que sempre tem um coadjuvante que não tinha nada a ver com a história e dá a resposta de tudo?!

Aí retornou pro seu corpo.

- Olha, eu não sei o que te responder então. Mas eu quero ajudar você.

Durante aquele dia, eles conversaram e o amante deixou de ser amante e se tornou amigo. E ficou feliz que por fim, o pequeno, não lhe revelando nada, tudo ouvira, tudo discernira e dissera mesmo que não era por mal, mas era por que gostava daquela companhia sincera e tão caprichosa que estiver ali e ficara feliz que durante algum tempo tinha sido o único que não o tivesse atormentado muito pra ter sexo com ele. O amante não precisou de muito tempo pra se convencer de que o pequeno era mesmo um amigo muito bom, aliás, porque o próprio pequeno não se importunava em ouvir dos três casos que lhe oprimiam o peito. Com qual deles ficaria? Parece que no final do romance este coadjuvante resolveu gastar seu dinheiro em uma viagem sozinho, pra curtir o verão em outro país. Estava feliz da última vez que se falaram, e foi bom que o pequeno tenha sido muito sincero e que o pequeno tenha percebido isso: os humanos se falam de verdade.

Quem dera pudesse ousar sonhar com algo parecido. O pequeno, em suas misérias astronáuticas de suas crises lunares, só então entendera, não muito tardiamente, mas entendera que em 2008 o mundo era cheio de seres humanos e viventes e não plantas de se encarnar o espírito.

Quando sentia carência, em algumas noites, se permtiu senti-la.
Quando acontecia de sentir falta de alguém, se lembrava gentilmente era do rico. Pela primeira vez ao longo daqueles anos inteiros ele tomou a iniciativa de ir atrás do grande homem de sua vida.

Não se preocupou com as verdades todas que enfrentaria. Não se preocupou com nada. Não queria mais saber das outras coisas, aquelas que o rico já nem fazia questão de esconder do pequeno. Aquelas que o pequeno fingiu não saber durante muito muito muito tempo. O pequeno, para não ser cúmplice de nada, fingiu nunca ver, nunca olhar o que a realidade lhe colocava de fatos. provas. comprovações. atos. É claro, que muitas de suas decisões, vinham deste suspiro humano: o pequeno não queria fazer parte de uma parte do rico.

O seu destino era ter amado um homem que tinha sido um monstro, mas nunca para ele. E as suas monstruosidades nunca explicitadas, sempre lhe seriam um remorso. Por que não acabar com aquilo? Ter o pequeno em sua casa bendita talvez fosse a garantia de parar com tudo o que fazia na sua vida. A vida do rico, é claro que não era feita só do pequeno. Nem havia sido construída apenas ao pequeno, para o pequeno. Mas o pequeno era sim uma orquídea dentre todas as indelicadezas e friezas de seu espírito.

Lembrou-se do dia em que chegara no hotel, já com a mochila nas mãos, cheio de alegria por ver o rico, dizendo que ninguém sabia, que estava ali, que era verão e odiava suar. O rico tinha deixado muitas coisas sobre a cama e sobre o sofá. O rico não pediu que não olhasse: o rico saiu de seu banho sorrindo. Como sempre, tão belo, tão sorriso, tão verdadeiro e carnal. Tão logo o pequeno tinha sua independência verdadeira, não? E o pequeno não olhou pra nada do que estava jogado a nãos ser pro sorriso do rico. E o pequeno embora soubesse de canto dos olhos que havia ali um monte de coisas que não eram pra ser vistas olhou foi nos olhos do rico.

E por quê o rico deixava cair uma lágrima? E por quê o rico chorava com o sorriso estampado chorava? O pequeno não olhava pra nada, obrigatoriamente olhava rente ao rico, obrigatoriamente não olhava, não queria saber de nada.

- É por isso que não estamos juntos, porque eu... tenho a minha vida.

O rico ficou chorando. E o pequeno parado. Como no início da história dos dois.

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